Mostrando postagens com marcador Nietzsche. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Nietzsche. Mostrar todas as postagens
Marianne


"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol. Parecendo haver chegado ao seu destino e ter tido um só destino. Mas, então, a todo-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é da lei acima de nós: justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos – elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade. – E assim crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra".

(Nietzsche, A Gaia Ciência, aforismo 279)
Marianne
Marianne
O bravo

Melhor uma inimizade inteira
Que uma amizade emendada!

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Gaia Ciência. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001. [pág. 23] 
Marianne

(...) quero apenas sublinhar que Kant, como todos os filósofos, em vez de encarar o problema estético a partir da experiência do artista (do criador), refletiu sobre a arte e o belo apenas do ponto de vista do “espectador”, e assim inclui, sem perceber, o próprio “espectador” no conceito de belo. (...) Belo, disse Kant, “é o que agrada sem interesse”. Sem interesse! Compare-se esta definição com uma outra, de um verdadeiro “espectador” e artista – Stendhal, que em um momento chama o belo de une promesse de bonheur [uma promessa de felicidade]. (...) Sobre poucas coisas Schopenhauer fala de modo tão seguro como sobre o efeito da contemplação estética: para ele, ela age precisamente contra o interesse sexual, assim como lupulina e cânfora; ele nunca se cansou de exaltar esta libertação da “vontade” como grande vantagem e utilidade do estado estético.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral: uma polêmica. - São Paulo: Companhia das Letras, 1998. [pág.  93-4]
Marianne

Declaração de amor
(na qual, porém, o poeta caiu num fosso)

Que maravilha! Ele ainda está voando?
Ele sobe e as suas asas repousam?
Que é que o levanta e carrega?
Qual é, para ele, a meta, o curso e o freio?

Como as estrelas e a eternidade
Vive ele agora em alturas de que a vida foge,
Tendo compaixão até mesmo da inveja —:
E voou alto quem apenas o viu planar!

Ó pássaro albatroz!
Para o alto me empurra um eterno impulso.
Pensei em ti: então me correram
Lágrimas e lágrimas — sim, eu te amo!


NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001. Pág. 301
Marianne


Hey, me diga como calar esse demônio que ruge, como consolar esse deus que chora e que residem juntamente em meu peito?

Hey estranho, não passe por mim, não olhe para mim por muito tempo, pois se houver um abismo em seus olhos – eu olharei de volta para eles...

Esse perpétuo ideal me devorando... E ainda estou na dúvida: Por quem foi que me trocaram quando eu estava olhando você? Tenho uma nova certeza: Eu sou aquilo que perdi.

Mas me entenda, quando digo que nunca me vi nem acabei. Sabe, de tanto ser, só tenho alma... E quem tem alma não tem calma!!!! Eu só vejo o mundo como um mal me quer...

Nada tenho mais a declarar nesse instante, nessa soma de passado e futuro e por pensar nisso repito:

"Sou um futuro imaginado em um presente passado."
Marianne
 
Relendo “A Gaia Ciência” de Nietzsche, na tradução de Paulo César de Souza, acidentalmente abri em uma página [93] e um tema me deixou curiosa, que na leitura anterior não havia chamado minha atenção como agora, segue:

O desejo de sofrer. – Se penso no desejo de fazer algo, que incessantemente agita e estimula milhões de jovens europeus, incapazes de suportar o tédio e a si mesmos – compreendo que neles deve existir uma ânsia de sofrer algo, a fim de retirar do sofrimento uma razão provável para agira, para a ação. A aflição é necessária! Daí o clamor dos políticos, daí as muitas “crises” falsas, inventadas, exageradas, de todas as classes possíveis, e a cega propensão a acreditar nelas. Essa juventude requer que venha de fora ou se torne visível – não a felicidade, digamos, mas a infelicidade; e sua fantasia já se ocupa antecipadamente em formar um monstro a partir dela, para que depois possa combater um monstro. Se tais sequiosos de aflição sentissem dentro de si a força de interiormente fazer bem a si próprios, de fazer violência a si próprios, eles saberiam também criar interiormente uma aflição própria, pessoal. Então suas invenções poderiam ser mais refinadas e seus contentamentos poderiam soar como boa música: enquanto agora enche o mundo de seus gritos de aflição e muitas vezes, em conseqüência, do sentimento de aflição! Não sabem o que fazer de si mesmos – e desenham, portanto, a infelicidade de outros na parede: sempre necessitam de outros! E ainda e sempre de mais outros! – perdão, meus amigos, eu ousei desenhar minha felicidade na parede.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
Marianne

Meu professor de Filosofia e História, o mesmo que foi de Antropologia Filosófica, Márcio Mariguela, deu ênfase nesse texto, então resolvi reler e deixar como memória aqui no blog, é muito belo:

Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho — embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade. Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe ora mais perto, um vento mais forte se levante, ladrões lhe levem embora seus animais de tiro. E então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê nos rostos dos quais aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas — e o dia é quase pior que a noite. Bem pode ser que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vêm, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranqüilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre árvores, lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos da folhagem somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: — buscam a filosofia de antes do meio-dia.
Marianne

O que é um amigo? Eu não sei...
Quando as pessoas falam de amigos parece que estão falando de algo superior a tudo o que há, como se amigos nunca trouxessem mágoas, tristezas, só coisas boas. Basta ser um ser humano para ser imperfeito. Amigo ou amizade não é perfeição. Amigos são pessoas como nós, que nos dão motivos pra sorrir e para chorar, para amar e odiar, amigos não são para todas as horas, somente para as horas que lhe convém. Mas o que há de especial na amizade é a garantia de que ter alguém contigo na estrada da vida, faz com que o tempo passe mais rápido e que o espaço seja mais curto, ter um amigo é ter a garantia de que alguém gosta de você sem pedir nada em troca, alguém que gosta de você como um ser cheio de defeitos. Verdadeiros amigos te aceitarão como és, irá corrigir aquilo que em ti faz mal para si mesmo e para outrem, verdadeiros amigos lutam para que a amizade permaneça, se não lutam é porque não são amigos, muito menos verdadeiros. Abri mão de muitos amigos, porque antes mesmo de lutar por eles, descobri que a luta já estava perdida.

"O homem do conhecimento não só deve poder amar seus inimigos, deve também poder odiar seus amigos." (Nietzsche)
Marianne
"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para dentro de um abismo, o abismo olha para dentro de você."

F. Nietzsche
Marianne
"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar
será sempre você mesmo"

Nietzsche
Marianne

Para você "Sr." MK.
Marianne

Nietzsche. A Gaia da Ciência - São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

(Se fosse você meu caro amigo, atravessarias essa passarela em minha direção ou se calaria?)
01/dez - Não, você não atravessou também, você se calou...



Marianne

Estou grávida de idéias, vou dar a luz á um livro!!