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Marianne

(...) quero apenas sublinhar que Kant, como todos os filósofos, em vez de encarar o problema estético a partir da experiência do artista (do criador), refletiu sobre a arte e o belo apenas do ponto de vista do “espectador”, e assim inclui, sem perceber, o próprio “espectador” no conceito de belo. (...) Belo, disse Kant, “é o que agrada sem interesse”. Sem interesse! Compare-se esta definição com uma outra, de um verdadeiro “espectador” e artista – Stendhal, que em um momento chama o belo de une promesse de bonheur [uma promessa de felicidade]. (...) Sobre poucas coisas Schopenhauer fala de modo tão seguro como sobre o efeito da contemplação estética: para ele, ela age precisamente contra o interesse sexual, assim como lupulina e cânfora; ele nunca se cansou de exaltar esta libertação da “vontade” como grande vantagem e utilidade do estado estético.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral: uma polêmica. - São Paulo: Companhia das Letras, 1998. [pág.  93-4]