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Marianne

(...) Sobretudo não subestimemos o fato de que Schopenhauer, que tratava realmente como inimigo pessoal a sexualidade (incluindo seu instrumento, a mulher, este instrumentum diaboli), necessitava de inimigos para ficar de bom humor; o fato de que amava as palavras furiosas, biliosas e de cor escura, de que se enraivecia por enraivecer, por paixão; de que teria ficado doente, teria se tornado pessimista (- o que não era, por mais que o desejasse) sem os seus inimigos, sem Hegel, sem a mulher, a sensualidade e toda a vontade de existência, de permanência. De outro modo ele não teria permanecido, pode-se apostar, ele teria escapado: mas seus inimigos o retiveram, seus inimigos sempre o seduziram à existência, sua cólera era, como para os cínicos da Antiguidade, seu bálsamo, seu descanso, sua compensação, seu remédio contra o nojo, sua felicidade.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral: uma polêmica. - São Paulo: Companhia das Letras, 1998. [pág. 96]
Marianne

(...) quero apenas sublinhar que Kant, como todos os filósofos, em vez de encarar o problema estético a partir da experiência do artista (do criador), refletiu sobre a arte e o belo apenas do ponto de vista do “espectador”, e assim inclui, sem perceber, o próprio “espectador” no conceito de belo. (...) Belo, disse Kant, “é o que agrada sem interesse”. Sem interesse! Compare-se esta definição com uma outra, de um verdadeiro “espectador” e artista – Stendhal, que em um momento chama o belo de une promesse de bonheur [uma promessa de felicidade]. (...) Sobre poucas coisas Schopenhauer fala de modo tão seguro como sobre o efeito da contemplação estética: para ele, ela age precisamente contra o interesse sexual, assim como lupulina e cânfora; ele nunca se cansou de exaltar esta libertação da “vontade” como grande vantagem e utilidade do estado estético.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Genealogia da Moral: uma polêmica. - São Paulo: Companhia das Letras, 1998. [pág.  93-4]
Marianne
SCHOPENHAUER


Achei no youtube mais um documentário do mesmo trabalho de Alain de Botton, só que dessa vez é de Schopenhauer, um filósofo que deu ênfase ao amor. Muito boa a pesquisa, vale a pena ver e rever assim como o de Montaigne que postei á baixo.

Da série: FILOSOFIA - Um Guia para a Felicidade, com Alain de Botton.