Marianne
Ele foi como o primeiro dicionário que eu consegui ter acesso
Por experiência descobri o significado de cada palavra
Como viver, amar, odiar, sofrer e desesperar...
Mas o pior de tudo não é somente descobrir os significados das coisas
O pior é não saber se livrar desses significados e efeitos causados em nós

Viver, bom, isso parece ser fácil, o difícil são as maneiras de se fazer isso
Embora esse caminho pareça mais um labirinto do que uma estrada
Continuo andando com a esperança de encontrar uma saída entre as paredes

Amar, como isso parece ser sereno, belo, leve e romântico...
Mas na verdade é a cicuta na taça de vinho
É o sabor amargo que se experimenta desde a juventude até a velhice,
É a ferida com veneno que não cicatriza...

Odiar, isso é tão fácil, mas parece mais como um espelho
Você olha aquilo que você mais nega em ti
Você odeia aquilo que você mais nega em ti
Aquilo e aquele que te negou...

Sofrer, sofrer é aquele sentimento que anda de mãozinhas dadas com o amor

E todos e demais sentimentos se resumem e chega á um único ponto
O desespero...

O desespero é como ficar se afogando em um oceano sem poder morrer...
Marianne
O céu parece ser um lugar bom para voar
As nuvens e o vento dançam sobre nossas cabeças
E estamos aqui olhando nos olhos
Cada fio de cabelo seu parece ser abençoado
E seu sorriso é tão tenro
Mas eu não posso te tocar
Eu não posso pensar sobre isso

Embora eu quisesse falar o que sinto
Eu não me arrisco doce anjo
Pois não quero perder essa imagem
Esse seu rosto branco como a neve
Sendo amarelado pelos raios do sol
E seu cabelo que dança um tango no ar
Não posso me entregar aos sentimentos
Quando a razão acusa que tudo ao redor é errado

Tão errado é esse pensamento
Mas ele não sai da minha cabeça
Você cheira como as flores
Eu me sinto feliz por isso
Pois posso possuir seu cheiro quando sento do seu lado
Irei morrer com isso dentro de mim
Esse segredo nas entre linhas
Para poder te ter para sempre
Embaixo do sol que te amarela

Ao lado de um monstro que te paquera...
Marianne
Quando mais você resiste
Mais eu persisto
Faço de tudo e mais um pouco
Eu nunca perco e nem desisto
Não importa quantas vezes eu sinta esse sufoco

Você cairá de joelhos ao chão
Irá me sorrir e estender sua mão
Enquanto eu não tiver isso não irei parar
Por isso te peço, por favor, não vá se apaixonar

Continue sendo difícil e impossível
É isso que me atrai á você
Sua inocência e sua firmeza
São as correntes que me prende nessa certeza
Quero poder sentir esse grito chamando o seu nome
Por isso não me corresponda para não sofrer
Pois quando eu te quero você não deve me querer

Tudo o que vem fácil vai fácil
Então venha difícil para ires difícil
Não quero te machucar
Se você se perder comigo
Já te aviso: não saberás voltar

Vamos quebrar nossos corações
Vamos unir os cacos e formar um só
Sou poeta porque sou apaixonada
Obcecada pela sua existência
Não me deixe magoada
Continue com essa resistência
E eu continuarei te fazendo a pessoa mais amada...
Marianne
Tenho uma visão empírica, e isto diz respeito ao que sou, ou seja, ninguém além de mim jamais terá uma idéia racional ou uma compreensão do que sou eu, pois ninguém além de mim vive o que sou.

Posso me descrever como uma personagem dentro de uma sociedade, um teatro, com gostos, atitudes, culturas, crenças, características ou então me enfeitar de máscaras, escolhendo uma das diversas personalidades que há em mim, da qual eu quero expor... Mas ainda assim não conseguirei transmitir nenhuma idéia do meu eu para outrem.

O meu eu pertence ao meu individualismo, sendo assim algo indivisível e intransmissível, jamais haverá palavras que possam descrever tal questão, pois o que sou pertence unicamente á mim e o que eu transmito ser é aquilo que quero que vejam e não aquilo que realmente sou.

Porém quando fingimos ser algo acabamos por nos tornar a ficção da nossa própria mente, devido á isto me questiono se é o teatro que imita a vida ou se é a vida que imita o teatro, mas a única garantia que tenho é que vivemos em um sistema em que todos exibem ser algo capaz de esconder a sua verdadeira personalidade, aquilo que gostariam de ser mas não são devido á pressão social e inúmeros fatores críticos ou por não se aceitarem tais como são.
Marianne
Ás vezes no fim da noite, quando o sono parece ter dito adeus para mim, fico na companhia dos meus pensamentos, alguns vêem como uma luz e outros como uma escuridão...

Sem notar me peguei pensando na minha própria solidão.

Notei que quando se vive á dois, você anula metade do seu ser, metade das suas opiniões, do seu caráter, da sua própria identidade... Não que isso seja mal, ás vezes acho isso completamente lindo, mas quando você é pouco, anular sua metade é se apagar por completo.

Não lamento pelo meu estado, acredito que estou experimentando a felicidade por mim mesma, sozinha, sem ninguém para me apressar, consigo fazer tudo no meu devido tempo, não sou triste com meu corpo, mal de mulher é isso, vive engordando e emagrecendo para agradar o parceiro, ter que viver sem essa regra faz com que aproveite todo instante com toda intensidade do que sou e pela primeira vez nunca me senti tão feliz com minha estrutura delicada e magra. Às vezes alteramos o cabelo, pintamos de cores que odiamos para chamar mais atenção, esquecemos que cada pessoa tem por natureza a cor ideal e bela que combina com seu próprio corpo e personalidade, alterar isso é como negar a si mesmo, não que seja errado, mas só vale a pena mudar por si mesma e não para agradar as pessoas.

Meus dias faz eu me senti com várias fases, as vezes sinto que tenho minha adolescência presente, posso me revoltar com o sistema e como todo jovem – não fazer nada para modificar. Ás vezes sinto que minha velhice chegou antes da hora, toda experiência adquirida em tão pouco tempo, junto de filosofias e reflexões. É como viver absorvendo toda a gota da vida sem deixar uma raspa no fundo da panela.

Eu sei que não sou uma ilha e exatamente por isso acredito que as pessoas estão tão ligadas a mim como todo continente, não preciso de ninguém pra chamar de “meu” quando isso já está ligado a mim por natureza.

A liberdade para mim está sendo a benção maior de toda existência, viver sem a corrente de relacionamentos me faz sentir com imensas asas que me permitem e me levam a voa para novos céu e novos horizontes, onde sozinha sou feliz simplesmente por fazer parte da existência da vida.

Acredito mais ainda que toda energia que é criada não pode ser destruída, somos energias criadas e nada poderá destruir a nossa existência.
Marianne
Ah!! Solidão!! Amiga fiel de alguns, inimiga invencível de outros!
A velha, sábia e rígida Solidão, ensina quem á ama, fere quem a odeia!
Doce ausência de companhia – amargo gosto de vazio.
Tu que faz o homem aprender em seu silêncio, conhecer a si mesmo – ato mais difícil que pode alguém fazer em existência.

(Marianne E.)


Segue uma frase da linda Clarice Lispector - a noiva da Solidão:

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Marianne

No momento do adeus sucede que os amantes
Se abraçam, a chorar, com vozes soluçantes.
Força, é força partir; a mão prende-se à mão,
E uma infinita tristeza inunda o coração.

Para nós, meu amor, nessa hora de agonia
Não houve o padecer que as almas excrucia;
Foi grave o nosso adeus e frio, e só agora
é que a dor nos subjuga, e a angústia nos devora.
Marianne
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto e circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.


(Nota: Esse texto pertence á Fátima Irene Pinto)
Marianne
Seja você quem for
agora segurando minha mão,
sem uma coisa há de ser tudo inútil
— é um leal aviso o que lhe dou
antes que continue a me tentar:
não sou aquele que você imagina,
mas muito diferente.
Quem é que gostaria
de vir a ser um seguidor meu?
Quem é que gostaria de lançar
sua candidatura ao meu afeto?
O caminho é suspeito,
o resultado é incerto, destrutivo talvez;
teriam que abrir mão de tudo mais
tendo eu a pretensão
de ser seu padrão único e exclusivo;
sua iniciação haveria de ser ainda assim
extensa e fatigante,
toda a teoria da sua vida passada
e toda conformidade com as vidas em redor
precisariam ser abandonadas;
por isso deixe-me agora
antes de perturbar-se ainda mais,
deixe cair sua mão do meu ombro,
coloque-me de lado e siga seu caminho.
Marianne


Eu vivia em uma constante quebra de ondas, mas um bom amigo me ajudou a chegar na beira do mar. Encontrei uma trilha que me levou a um porto seguro, encontrei um novo barco, ancorei na minha ilha, mas e agora?

Sei que me afoguei inúmeras vezes, sei que me quebrei mais do que as ondas, toda essa agitação passada me ensinou a nadar, me ensinou a temer o mar, me ensinou a respeitar o mar... E se não fosse por esse maremoto de águas a me inundar eu jamais saberia valorizar quem me valoriza, eu jamais teria encontrado o caminho certo para mim.

Agora é só seguir... Estou seguindo, mas não há prazer, não há intensidade como havia na fúria das águas, tudo está sereno demais e essa serenidade me faz sentir saudades das tormentas. Nunca estamos satisfeitos com o que somos, temos e estamos.

É que ao chegar na minha ilha, eu descobri que ela era vazia, não havia moradores nela, embora houvesse tudo o que eu precisasse para sobreviver, não havia ninguém para me distrair a viver.

Talvez em alguma tempestade, eu tenha deixado cair sem querer o meu coração no fundo do mar...
Marianne
Ouse, ouse... ouse tudo!!! Não tenha necessidade de nada! Não tente adequar sua vida a modelos, nem queira você mesmo ser um modelo para ninguém. Acredite: a vida lhe dará poucos presentes.

Se você quer uma vida, aprenda... a roubá-la! Ouse, ouse tudo! Seja na vida o que você é, aconteça o que acontecer. Não defenda nenhum princípio, mas algo de bem mais maravilhoso: algo que está em nós e que queima como o fogo da vida!!!

(Lou Andreas Salomé)
Marianne
Vou deixar aqui um trecho do trabalho feito em Antropologia Filosofica, sobre o capítulo V, do livro o Mal Estar na Civilização de Freud, é um livro muito interessante, mas sobre esse tema do amor ao próximo, achei fabuloso!



- AMA O TEU PRÓXIMO COMO ELE TE AMA -

A civilização usa um mandamento, cuja as palavras de Freud, tal mandamento existe e manifesta em nós antes mesmo do cristianismo: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”; mas o amor é algo valioso que não pode ser jogado fora sem reflexão, pois a pessoa que merece o nosso amor deverá ser semelhante á nós para que possamos manifestar esse sentimento de amor por ela, pois sendo assim, ao nos assemelharmos ao outro, nos amamos no outro, e que mereceremos o amor de tal, se for mais perfeita que nós, nela possamos amar nosso ideal do nosso próprio eu.

Quando diz respeito a amar o outro como eu amo a mim, por exemplo, só poderei fazê-lo se eu me ver, me encontrar nesse outro, encontrar características que assemelha ele ao máximo possível do que sou, ao ponto de ser quase um eu meu.

Agora quando tento por em prática o amor por um estranho, uma pessoa que não me atrai, nem tão pouco se assemelha a mim, sem ter ligação alguma com o meu ideal de pessoa a merecer o meu amor, será extremamente difícil amá-la, seria mais fácil tê-la como um inimigo ou alguém por quem o ódio é facilmente manifestado. Mas ao colocar um estranho no meu amor, junto aos meus semelhantes, seria de certa forma injusto para com esses que amo, pois o amor sendo valorizado por eles como uma preferência minha por eles entre tantos indivíduos, como poderia por um estranho no mesmo nível, no mesmo plano que esses entes?

A dificuldade em amar um estranho não limita somente na ausência dessa semelhança, mas por saber que esse estranho também não me ama, nem me considera, que manifesta em mim um sentimento de hostilidade para com ele. Pois ele poderia aproveitar desse amor, prejudicando e usufruindo dos mesmos benefícios que ofereço aqueles que me consideram e exerce por mim o mesmo amor, mas se esse estranho demonstra por mim um respeito e uma consideração, tratá-lo-ei na mesma medida.

Não haveria objeções se o mandamento fosse da seguinte maneira: “Ama o teu próximo como ele te ama”.
Marianne
Essa é uma das letras e músicas que mais gosto, cada palavra dessa música reflete um pensamento meu...

VERMILLION PT. 2 - SLIPKNOT


Ela pareceu vestida em todo o meu ser
esticado através de minha vergonha.
Todo o tormento e a dor
Escaparam completamente e me cobriram
Eu faria qualquer coisa para tê-la para mim
Apenas para tê-la para mim

Agora eu não sei o que fazer,
Eu não sei o que fazer
Quando ela me deixa triste

Ela é tudo para mim
O sonho não correspondido
Uma canção que ninguém canta
O inalcançável
Ela é um mito que eu tenho que acreditar
Tudo que necessito para fazê-la real é mais uma razão

E eu não sei o que fazer,
Eu não sei o que fazer
Quando ela me deixa triste.

Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim

Um bloqueio em minha garganta
Sufocante,
Rasgado em pedaços
Eu não irei, não
Eu não quero ser isso

Mas eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim
Eu não vou deixar isso crescer dentro de mim

Ela não é real
Eu não posso fazê-la real
Ela não é real
Eu não posso fazê-la real
Marianne


Estou em um período da vida que estou enjoada das pessoas, ao meu redor todas essas pessoas andam em círculos, já não têm mais diálogos para se comunicarem com o próximo, só repetem e lamentam a mesma coisa e nunca fazem nada para melhorar a própria situação, se acomodam em seu desespero, preferem mil vezes viver uma mentira doce, do que enfrentar a verdade amarga, elas mentem para si mesmas, negam aceitar a realidade, gostam de viver sobre a pena, a dó dos outros. Adoram serem as vítimas da própria vida, recusam-se a tornarem-se as protagonistas da própria história.

O mundo tem tantas coisas novas e belas para serem descobertas, há tanta obra de arte na existência das coisas distribuídas por ai, mas ninguém liga mais para o perfume das flores, ou para aquela sensação que atravessa e inunda nosso ser, quando olhamos para o finalzinho da tarde e vemos um céu como uma aquarela, é no crepúsculo que respiro e penso: “todas as estações são sempre outono para mim”, há muitas belezas que só podem ser contempladas com a essência, não com os olhos...

A sociedade sofre uma epidemia de inferioridade e obsessão pelo outro, a sociedade é neurótica, psicopata, doente, mas esse não é o maior dos problemas, pois o maior é a pessoa saber de seu estado “lama”, e recusar-se em limpar-se.

Acredito que as relações sociais seriam melhores se as pessoas fossem mais firmes em seus diálogos, que o “sim” fosse “sim” e o “não” fosse o “não”, e que todos aprendessem a falar e receber o sim e o não da mesma maneira. Mas ninguém se contenta em cuidar da própria vida, porque a vida do outro é sempre mais interessante... A vida do outro é uma distração para que eu possa fugir da minha própria vida.
Marianne

Se a cada vez que eu fosse traída pelos meus amigos, uma estrela no céu se apagasse, o firmamento se transformaria em uma eterna escuridão!