Marianne
É mais fácil jogar e ganhar na loteria do que pedir desculpas.
Marianne
- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem!


(O Pequeno Principe)
Marianne

O orvalho é a lágrima da rosa
Mais um dia surge e o sol apaga as estrelas
A vida nasce de amor e morre no amor
Mas, embora tudo tenha sua intensidade,
Quando mudamos de escolhas – As pessoas mudam de nós
É um caso irreversível e imprescindível

Oxum veio dançando com o vento, chorando,
Em meio as folhas secas, pintou o cenário de outono,
Derramou, pois, suas lágrimas como gotas de chuva:
Sobre mim, sobre ele – Nós amamos sem saber.

Sou o narciso que debruça nas margens do lago
Eu me apaixonei por ele e por mim mesma
Talvez daqui sete anos ou sete décadas eu me torne um lírio em si
Seja como for, serei o primeiro lírio negro – mas serei.

Não há um deus para me julgar
Não há um demônio para me tentar
Apenas eu e a responsabilidade da minha vida
Então nesse mundo insano quero transformar-te,
Desenhá-lo em tela como se fosse o meu Dorian Gray
Exclusivo e presente abaixo de um lençol no canto do quarto
Preservar então o sorriso que tirou o único pedaço humano que eu tinha

Gotas de chuvas ofegando as flores
Meninas rasgam seus vestidos brancos por um mestre
O sol deita no fundo do meu jardim
Manchando de vermelho o horizonte
E as estrelas nascem novamente
A escuridão nunca poderá ser completa enquanto elas existirem
Quem irá abalar os céus para apagá-las na noite?

Vejo meu amante em cada espectro passageiro
Ele é o abrigo seguro que quero me esconder
Mas ele não me vê...
Não me vê em si, como o lago vê o lírio em sua superfície
E o abraça cada vez que vibra suas águas
Quero me afogar em suas ondas só uma vez
Mais uma única vez ver aquele sorriso
Abrindo como as asas de uma pomba branca
Em um céu castanho com nuvens de neve
Em seu rosto de escultura grega.
Marianne

Eu nunca enxuguei suas lágrimas
Porque você nunca as deixou cair na minha frente
Eu nunca arrumei os lençóis do seu lado na cama
Porque você nunca esteve deitado lá para desarrumar
Eu nunca aqueci você com o calor do meu corpo
Porque você nunca quebrou o gelo dessa distancia

Então...
Sou eu quem chora suas lágrimas
Sou eu quem sangra suas feridas
Sou eu quem sente suas dores

E se você me falar que isso foi uma ilusão
Eu só acreditarei quando pular de um penhasco
E rezar para que minhas asas não quebrem com o vento

Porque eu ainda não desisti de nós
E eu não irei te abandonar
Até que evapore a última gota de sangue do meu corpo
Até que todas as estrelas deixem de brilhar
Porque cada estrela que nasce e brilha
É o momento que eu te desejo...
Marianne
– Minha casa é em lugar nenhum – prosseguiu ele.
– Não sou de copas, nem de ouros, nem de paus, nem de espadas. Também não sou rei ou valete, nem oito, nem ás. Aqui estou eu, um simples curinga. E tive de descobrir sozinho o que é ser um curinga. Toda vez que mexo a cabeça, e meus guizos tilintam e me lembram de que não tenho família, de que sou sozinho. Não tenho um número nem um ofício. [...] Assim, tudo o que eu sempre fiz foi andar por aí observando tudo o que os outros faziam. Em contrapartida, pude ver um monte de coisas para quais os outros sempre foram cegos.


(O Dia do Curinga - Gaarder)
Marianne
Quando preciso cumprir algumas obrigações com datas marcadas e não consigo, sinto como se eu estivesse quebrando uma promessa comigo mesma...

Quando preciso brilhar para iluminar alguém eu acabo me apagando nas sombras da noite;

Quando preciso falar três palavras que mudaria a vida de alguém para o paraíso eu me silencio e por dentro choro a prisão dessas palavras;

Quando preciso sorrir para receber um sorriso como gratidão, eu fecho minha expressão e corro meus olhos na direção do meu AllStar;

Quando preciso falar sim para alguém por saber que esse sim mudaria meus dias cinza, eu respondo não, para poder ficar tempo á mais isolada dentro do meu vazio;

Quando preciso chorar como uma criança mimada no colo de alguém, eu derramo minhas lágrimas em formas de murros na parede;

Quando preciso gritar alto que quero você, eu tampo minha boca com as duas mãos interrompendo até mesmo minha respiração;

Quando preciso ser presente eu me ausento, eu tenho medo que se acomodem na minha companhia e depois sofra com a minha ida sem volta;

Quando olho para as horas e vejo que já abusei demais do dia, eu fecho meus olhos e imagino que o tempo não passou para que eu seja mais uma a acreditar que o tempo é uma ilusão;

Quando digo para você ir sem olhar para trás minha alma se encolhe e cai nos seus pés implorando sem que você veja o quanto eu queria que você olhasse para trás...
Marianne
Então você olha para mim pensando que eu poderia ser atraída por você
Enquanto eu olho para você e vejo uma pobre criança tentando se encontrar
Eu nunca precisei de uma estátua do meu lado para chamar de companheiro
Por que prefiro o gosto de brisa que a noite me dá
E a liberdade de poder ser a sombra que corre nos cantos dos muros
Como um espírito que ninguém percebe

Sou tão inteira que me enoja olhar para tantas pessoas que agem como fração
O pouco de alma que eu tinha para voltar a amar foi levada
Então nada tem importância para mim quando se trata de pessoas insignificantes
Seria só mais um jogo tolo que eu ganharia no primeiro abraço
Ah doce sabor de solidão que me embriaga no veludo das rosas
Queima minha vida, faz de mim um ser mais incompreensível do que sou

No meu mundo não existe dois... Ou tudo é um - ou tudo é nada!
Marianne
Ele foi como o primeiro dicionário que eu consegui ter acesso
Por experiência descobri o significado de cada palavra
Como viver, amar, odiar, sofrer e desesperar...
Mas o pior de tudo não é somente descobrir os significados das coisas
O pior é não saber se livrar desses significados e efeitos causados em nós

Viver, bom, isso parece ser fácil, o difícil são as maneiras de se fazer isso
Embora esse caminho pareça mais um labirinto do que uma estrada
Continuo andando com a esperança de encontrar uma saída entre as paredes

Amar, como isso parece ser sereno, belo, leve e romântico...
Mas na verdade é a cicuta na taça de vinho
É o sabor amargo que se experimenta desde a juventude até a velhice,
É a ferida com veneno que não cicatriza...

Odiar, isso é tão fácil, mas parece mais como um espelho
Você olha aquilo que você mais nega em ti
Você odeia aquilo que você mais nega em ti
Aquilo e aquele que te negou...

Sofrer, sofrer é aquele sentimento que anda de mãozinhas dadas com o amor

E todos e demais sentimentos se resumem e chega á um único ponto
O desespero...

O desespero é como ficar se afogando em um oceano sem poder morrer...
Marianne
O céu parece ser um lugar bom para voar
As nuvens e o vento dançam sobre nossas cabeças
E estamos aqui olhando nos olhos
Cada fio de cabelo seu parece ser abençoado
E seu sorriso é tão tenro
Mas eu não posso te tocar
Eu não posso pensar sobre isso

Embora eu quisesse falar o que sinto
Eu não me arrisco doce anjo
Pois não quero perder essa imagem
Esse seu rosto branco como a neve
Sendo amarelado pelos raios do sol
E seu cabelo que dança um tango no ar
Não posso me entregar aos sentimentos
Quando a razão acusa que tudo ao redor é errado

Tão errado é esse pensamento
Mas ele não sai da minha cabeça
Você cheira como as flores
Eu me sinto feliz por isso
Pois posso possuir seu cheiro quando sento do seu lado
Irei morrer com isso dentro de mim
Esse segredo nas entre linhas
Para poder te ter para sempre
Embaixo do sol que te amarela

Ao lado de um monstro que te paquera...
Marianne
Quando mais você resiste
Mais eu persisto
Faço de tudo e mais um pouco
Eu nunca perco e nem desisto
Não importa quantas vezes eu sinta esse sufoco

Você cairá de joelhos ao chão
Irá me sorrir e estender sua mão
Enquanto eu não tiver isso não irei parar
Por isso te peço, por favor, não vá se apaixonar

Continue sendo difícil e impossível
É isso que me atrai á você
Sua inocência e sua firmeza
São as correntes que me prende nessa certeza
Quero poder sentir esse grito chamando o seu nome
Por isso não me corresponda para não sofrer
Pois quando eu te quero você não deve me querer

Tudo o que vem fácil vai fácil
Então venha difícil para ires difícil
Não quero te machucar
Se você se perder comigo
Já te aviso: não saberás voltar

Vamos quebrar nossos corações
Vamos unir os cacos e formar um só
Sou poeta porque sou apaixonada
Obcecada pela sua existência
Não me deixe magoada
Continue com essa resistência
E eu continuarei te fazendo a pessoa mais amada...
Marianne
Tenho uma visão empírica, e isto diz respeito ao que sou, ou seja, ninguém além de mim jamais terá uma idéia racional ou uma compreensão do que sou eu, pois ninguém além de mim vive o que sou.

Posso me descrever como uma personagem dentro de uma sociedade, um teatro, com gostos, atitudes, culturas, crenças, características ou então me enfeitar de máscaras, escolhendo uma das diversas personalidades que há em mim, da qual eu quero expor... Mas ainda assim não conseguirei transmitir nenhuma idéia do meu eu para outrem.

O meu eu pertence ao meu individualismo, sendo assim algo indivisível e intransmissível, jamais haverá palavras que possam descrever tal questão, pois o que sou pertence unicamente á mim e o que eu transmito ser é aquilo que quero que vejam e não aquilo que realmente sou.

Porém quando fingimos ser algo acabamos por nos tornar a ficção da nossa própria mente, devido á isto me questiono se é o teatro que imita a vida ou se é a vida que imita o teatro, mas a única garantia que tenho é que vivemos em um sistema em que todos exibem ser algo capaz de esconder a sua verdadeira personalidade, aquilo que gostariam de ser mas não são devido á pressão social e inúmeros fatores críticos ou por não se aceitarem tais como são.
Marianne
Ás vezes no fim da noite, quando o sono parece ter dito adeus para mim, fico na companhia dos meus pensamentos, alguns vêem como uma luz e outros como uma escuridão...

Sem notar me peguei pensando na minha própria solidão.

Notei que quando se vive á dois, você anula metade do seu ser, metade das suas opiniões, do seu caráter, da sua própria identidade... Não que isso seja mal, ás vezes acho isso completamente lindo, mas quando você é pouco, anular sua metade é se apagar por completo.

Não lamento pelo meu estado, acredito que estou experimentando a felicidade por mim mesma, sozinha, sem ninguém para me apressar, consigo fazer tudo no meu devido tempo, não sou triste com meu corpo, mal de mulher é isso, vive engordando e emagrecendo para agradar o parceiro, ter que viver sem essa regra faz com que aproveite todo instante com toda intensidade do que sou e pela primeira vez nunca me senti tão feliz com minha estrutura delicada e magra. Às vezes alteramos o cabelo, pintamos de cores que odiamos para chamar mais atenção, esquecemos que cada pessoa tem por natureza a cor ideal e bela que combina com seu próprio corpo e personalidade, alterar isso é como negar a si mesmo, não que seja errado, mas só vale a pena mudar por si mesma e não para agradar as pessoas.

Meus dias faz eu me senti com várias fases, as vezes sinto que tenho minha adolescência presente, posso me revoltar com o sistema e como todo jovem – não fazer nada para modificar. Ás vezes sinto que minha velhice chegou antes da hora, toda experiência adquirida em tão pouco tempo, junto de filosofias e reflexões. É como viver absorvendo toda a gota da vida sem deixar uma raspa no fundo da panela.

Eu sei que não sou uma ilha e exatamente por isso acredito que as pessoas estão tão ligadas a mim como todo continente, não preciso de ninguém pra chamar de “meu” quando isso já está ligado a mim por natureza.

A liberdade para mim está sendo a benção maior de toda existência, viver sem a corrente de relacionamentos me faz sentir com imensas asas que me permitem e me levam a voa para novos céu e novos horizontes, onde sozinha sou feliz simplesmente por fazer parte da existência da vida.

Acredito mais ainda que toda energia que é criada não pode ser destruída, somos energias criadas e nada poderá destruir a nossa existência.
Marianne
Ah!! Solidão!! Amiga fiel de alguns, inimiga invencível de outros!
A velha, sábia e rígida Solidão, ensina quem á ama, fere quem a odeia!
Doce ausência de companhia – amargo gosto de vazio.
Tu que faz o homem aprender em seu silêncio, conhecer a si mesmo – ato mais difícil que pode alguém fazer em existência.

(Marianne E.)


Segue uma frase da linda Clarice Lispector - a noiva da Solidão:

Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.
Marianne

No momento do adeus sucede que os amantes
Se abraçam, a chorar, com vozes soluçantes.
Força, é força partir; a mão prende-se à mão,
E uma infinita tristeza inunda o coração.

Para nós, meu amor, nessa hora de agonia
Não houve o padecer que as almas excrucia;
Foi grave o nosso adeus e frio, e só agora
é que a dor nos subjuga, e a angústia nos devora.
Marianne
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes para realinhar os pensamentos... Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente... Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... Isto e circunstância!

Solidão é muito mais do que isto...

SOLIDÃO é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma.


(Nota: Esse texto pertence á Fátima Irene Pinto)