Marianne
Olhando para o horizonte, minha mente busca através da visão uma resposta para essa distância. Os olhos inundam e eu não percebo o quão frágil sou diante desse oceano de distância.

Tivemos muitos sorrisos para sorrir e demos conta de sorri-los, passeávamos entre a multidão, mas minha alma estava tão ligada a você que todo o cenário e pessoas ficavam transparentes e nem a paisagem mais bela poderia ser comparada com a beleza que eu via em você.

Deus sabe, eu jurava que seria você, aquele que me tratava com indiferença quando queria um mimo, aquele que deixava o olhar se perder para um futuro do qual eu não teria presença.

Ainda vendo o céu tão próximo das estrelas, noto que tudo nunca passa de uma ilusão de ótica, embora a lua pareça estar colada com o nosso céu e com inúmeras estrelas, uma eternidade não seria capaz de uni-las, será que não foi assim com nós?

Eu tentei ser a única, estou tentando ser a primeira e a melhor, preciso te alcançar como o vento alcança uma folha, como a folha alcança um rio e deixa-se levar, encontra-se com esse mar em que me rouba a atenção.

Paris não consegue ser tão iluminado como o seu sorriso, e o Pólo Sul não consegue ser tão gélido como o seu coração.

O meu eu se partiu em trilhões de grãos de areia, como poderei juntá-los?

A vida é um cinema em que muitos entram e saem, quando a sua imagem interessa ao público, quando os seus assuntos são intrigantes, mas como todo filme, cedo ou tarde, torna-se enjoativo e só aqueles que sentem saudades da emoção que contemplou durante esse filme, volta para revê-los, já alguns, talvez como você, esquece-o para sempre...
Marianne
Uma das músicas que eu ouvia na sua sala, esperando você chegar do trabalho... A muitos e muitos anos atrás, do nada uma nostalgia me invadiu...

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Marianne

“Se buscarmos os nossos anseios para além do nosso quintal é porque eles nunca foram nossos".

Dorothy - O Mágico de Oz.
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Marianne
"O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar
será sempre você mesmo"

Nietzsche
Marianne
O convívio social é tão doloroso como tentar sobreviver em um campo de guerra, mas nessa guerra nossa única arma é a inteligência e nosso escudo – as palavras.

Cedo ou tarde descobrimos “ou você se torna um monstro ou será controlado por um”, o que devemos nos tornar então?

Há pessoas que tentarão te manipular, há pessoas que você irá manipular e há pessoas que pediram para serem manipuladas. Conheço pessoas que se consideram estar bem com determinadas amizades, como são inocentes, se soubessem o jogo de interesses que rolam dentro disso, é fácil saber quem são os amigos, anule todas as coisas materiais que favorecem eles e então não restará mais ninguém por perto.

O cristianismo nos ensina e nos doutrina a sermos altruísta, vão, sigam em frente, Cristo foi altruísta e foi pregado na cruz “para salvar o seu povo”, salvar do que? Se os próprios demônios são nós mesmos? Como salvar-nos de nós?

Eu poderia falar a verdade, como Ele falou, e como Ele eu seria julgada de mentirosa e seria morta pelo meu próprio povo. Lamento, não quero morrer nas mãos de ignorantes que escondem seu desespero em bebidas, deixe que eles se matem por si mesmos.

Há pessoas que pensam “antes mal acompanhado do que só”, mas eu ainda mantenho o antigo pensamento de “antes só do que mal acompanhado”. Junte-se com os porcos e serás confundidos com eles.

Algumas pessoas se julgam donos da razão, mas nem sabem o que é a razão, agora eu compreendo porque são mortos aqueles que são sinceros, aqueles que voltam para a caverna tentando libertar os outros que insistem em ter a sombra da realidade como a própria realidade.

Todo mundo tenta transmitir uma aparência de santificação e amor ao próximo, mas assim que surge uma oportunidade, sempre passam uma rasteira nesse próximo para mantê-lo distante, pessoas que interpretam perfeitamente o papel de “coitadinhos” na esperança de adquirir para o seu lado o maior número de pessoas, mas desse livro eu já li muito, comigo não tem efeito.

No mais, quem não é comigo é contra mim, finalizo com uma reflexão de Rubem Alves sobre Bachelard:

"A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma."
Marianne

E então tudo acaba de começar, as situações tornar-se-ão tão previsíveis.

O amor se transformará em ausência, a ausência em vazio e esse vazio será preenchido pela raiva, da raiva surgirá o ódio e do ódio o desejo de humilhar o objeto que fora amado, e então tentarás a vingança para aliviar esse mal estar.

Farás de nossa história uma piada vantajosa em mesa de bar, serei como um assunto qualquer imoral e quando isso chegar aos meus ouvidos, a imagem de anjo que eu via irá se transformar em demônio. 

Mas uma noite lembrarás que certa vez uma criança tola pediu para que você segurasse sua mão quando ela quisesse correr para longe, e lembrarás mais, você a soltou.

Os espinhos não são pura maldade das rosas... Elas só têm eles para defender-se quando sente medo...

Você me odeia... A minha alma me sussurrou isso essa noite, estou com medo de você, irei sumir para sempre e você não terá mais esse sentimento de incomodo produzido por uma louca.
Marianne
Ouvindo umas músicas, resolvi deixar aqui a letra de uma das que mais gosto dessa banda em homenagem a tal.

PARAMORE - INGNORANCE


Se eu sou uma pessoa má, e você não gosta de mim
Eu acho que eu vou fazer meu próprio caminho
Isso é um círculo, um ciclo vicioso
Eu não consigo mais te animar!
Onde está seu martelo, seu juri?
Qual é o meu erro dessa vez?
Você não é um juiz, mas se vai me julgar
Bom, sentencie-me pra outra vida

Não quero ouvir suas músicas melosas
Eu não quero sentir sua dor
Quando você jura que é tudo culpa minha
Porque você sabe, nós não somos iguais
Nós não somos iguais, oh, nós não somos iguais
Amigos que eram unidos
Nós escrevemos nossos nomes com sangue
Mas eu acho que você não consegue aceitar que a mudança é boa
É boa, é boa

Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho
Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho

A ignorância é a sua nova melhor amiga
A ignorância é a sua nova melhor amiga

Esta é a melhor coisa que podia ter acontecido
Um pouco mais e eu não teria aguentado
Não é uma guerra, não, não é um sequestro
Eu sou só uma pessoa, mas você não suporta isso
Os mesmos truques que já me enganaram
Eles não irão te levar à lugar algum
Eu não sou a mesma criança da sua memória
Agora eu posso me defender sozinha

Não quero ouvir suas músicas melosas
Eu não quero sentir sua dor
Quando você jura que é tudo culpa minha
Porque você sabe, nós não somos iguais
Nós não somos iguais, oh, nós não somos iguais
Amigos que eram unidos
Nós escrevemos nossos nomes com sangue
Mas eu acho que você não consegue aceitar que a mudança é boa
É boa, é boa

Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho
Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho

A ignorância é a sua nova melhor amiga
A ignorância é a sua nova melhor amiga
A ignorância é a sua nova melhor amiga
A ignorância é a sua nova melhor amiga

Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho
Você me trata como um estranho
Bom... É um prazer conhecê-lo, senhor!
Eu acho que eu já vou
É melhor que eu vá embora pelo meu próprio caminho
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Marianne

Os anos se passaram e tudo dentro de mim congelou-se, mas por que choras olhos teimosos? O gelo que protegia o coração de repente derreteu-se? Talvez seja, toda essa água salgada a lavar essa horrível expressão, não passa da perca de força, perca de frieza e auto-suficiência.

Como pode um coração de carne quebrar-se como vidro? Porque dói, oh dor?
Em minha boca sinto gosto das águas do mar, talvez o oceano seja as lágrimas de uma Terra triste e solitária...
Eu falhei novamente?

O céu parece estar nublado ou será que não consigo enxergar o sol por detrás das nuvens?

Preciso estar sozinha... O convívio com os demais me rouba a identidade. Quero poder dividir bons pensamentos com quem sabe pensar.

Eu queria ter te falado que a melodia mais linda que já ouvi foi o pulsar do seu coração...

Mas agora é melhor abandonares sua Penélope em Ítaca e enfrentar a Guerra de Tróia, no caminho de volta ela irá reconhecer-te quando tu armares o seu arco novamente, pois ele é seu e ninguém mais o domina como você.
Marianne


Eu sou aquilo que perdi.

(Fernando Pessoa)
Marianne
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata!

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência. Acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las. Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta. Ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém. Saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto. Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai"?
Difícil é dizer "adeus". Principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só. Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar. E aprender a dar valor somente a quem te ama.

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos.

Carlos Drumond de Andrade



Marianne
Eu te desapontei ou te deixei triste?
Eu deveria me sentir culpada ou deixar os juízes
desaprovarem?
Porque eu vi o fim antes de começarmos, sim, eu vi, você estava enganado e eu sabia, eu havia ganho.
Então eu peguei o que é meu por direito eterno
Peguei sua alma durante a noite
E talvez isso tenha acabado, mas não vai parar aí
Eu estou aqui por você, se você apenas se importar
Você tocou meu coração, tocou minha alma.
Você mudou minha vida e meus objetivos
E o amor é cego e eu soube disso quando
Meu coração foi cegado por você.
Beijei seus lábios e segurei sua cabeça.
Compartilhei seus sonhos e a sua cama.
Te conheço bem, conheço o seu cheiro.
Eu estive viciada em você.

Adeus meu Amor.
Adeus meu amigo.
Você tem sido o único
Você tem sido o único para mim

Sou uma sonhadora, mas quando eu acordo,
Você não pode destruir meu espírito - são meus sonhos que você pega.
E quando você seguir em frente, lembre-se de mim
Lembre-se de nós e tudo que costumávamos ser.
Eu já te vi chorar, eu já te vi sorrir
Te observei dormindo por um instante
Eu seria a mãe do seu filho
Eu passaria uma vida inteira com você
Eu conheço seus medos e você conhece os meus
Nós tivemos nossas dúvidas, agora nós estamos bem
E eu t..., juro que é verdade
Eu não posso viver sem você.

Adeus meu amor.
Adeus meu amigo.
Você tem sido o único
Você tem sido o único para mim.

E ainda seguro sua mão na minha,
Quando estou dormindo
E eu irei agüentar minha alma no tempo,
Quando eu estiver ajoelhando aos seus pés
Adeus meu amor
Adeus meu amigo
Você tem sido o único
Você tem sido o único para mim
Estou tão vazia, querido, estou tão vazia
Estou tão, estou tão, estou tão vazia.

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Marianne
Hey Delilah
Como é Nova Iorque?
Eu estou a mil milhas longe
Mas menina esta noite você está tão bonita
Está sim
Time Square não consegue brilhar tanto quanto você
Eu juro que é verdade

Hey Delilah
Não se preocupe com a distância
Eu estou bem aí se você se sentir sozinha
Ouça esta música mais uma vez
Feche seus olhos
Escute minha voz ela é o meu disfarce
Eu estou ao seu lado

Oh é o que você faz comigo
(...)
O que você faz comigo

Hey Delilah
Eu sei que os tempos estao ficando dificeis
Mas apenas acredite em mim menina
Um dia eu pagarei as contas com este violão
Nós vamos ficar bem
Nós vamos ter a vida que sabíamos que teríamos
Minha palavra é de confiança

Hey Delilah
Eu ainda tenho tanto pra dizer
Se cada simples música que eu escrevi pra você
Pudesse tirar seu fôlego
Eu escreveria todas elas
Mais apaixonada por mim você ficaria
Nós teríamos tudo

Oh é o que você faz comigo
(...)

Mil milhas parecem bem longe
Mas eles tem aviões e trens e carros
Eu andaria até você se não tivesse outro jeito
Todos nossos amigos ririam de nós
Mas nós vamos rir junto porque nós sabemos
Que nenhum deles já se sentiu assim
Delilah eu posso te prometer
Que quando passarmos por tudo
O mundo nunca mais será o mesmo
E você é a responsável

Hey Delilah
Seja boa e não sinta minha falta
Mais dois anos e você terá terminado a escola
E eu estarei fazendo história como eu faço
Você sabe que é só por sua causa
Nós poderemos fazer o que quisermos
Hey Delilah aqui está pra você
Esta é pra você

Oh é o que você faz comigo
(...)
O que você faz comigo

(Música Plain: White T's - Ei Ai Delilah)
Marianne
Em determinado período de nossa vida, conforme somos submergidos por uma maré de experiências – geralmente dolorosas – redescobrimos os nossos valores, acabamos por entender sempre que há males que vêm para o nosso bem.

Estive analisando, o convívio social em certa altura, começa a se tornar uma seleção, você se torna aquele que você acompanha. Gostaria de colocar aqui uma questão para reflexão: Com quem você andou esses últimos tempos? Quem você se tornou? Será que não chegou o momento de começar a fazer essa seleção?

Percebi tarde, porém a tempo, certos costumes errôneos e triviais que em uma época não me pertenciam, passaram a manifestar-se em mim, passei por uma época em que todo momento era sobrepujado por atos falhos, nada mais, nada menos que ações e expressões expostas sem pensar. Se você mergulha em um rio você acaba sendo levado por ele e por suas torrentes, mas seguindo a simbologia, já que sempre somos levados pelas águas sociais, é melhor mergulhar em um rio de águas limpas e não em um rio sujo de tanta ignorância.

Somos considerados superiores a toda espécie por ter inteligência e consciência, consciência de que existimos, de que aquilo e aquele existem e é claro, a nossa percepção consciente de tudo ao nosso redor e de nós mesmos. Mas já reparou como há indivíduos que vivem como se não tivessem nada disso em si? E então me inundo de dúvidas, considerando as teorias de Darwin, me parece que o corpo de alguns evoluiu sim, passou pelas metamorfoses do tempo, mas o cérebro continua atrasado, mas na linguagem civilizada, dizemos apenas que está “alienado”.

A mídia! Entra então algo para colocarmos a culpa, afinal, se tem algo que eu considero ser realmente criado pelo homem é colocar a culpa em qualquer coisa ou em qualquer outro, então vamos colocar na mídia, afinal - há tantos afinais - é culpa da mídia (ironia!) o fato do ser humano ter a mentalidade de um primitivo e não ser capaz de controlar a si mesmo no consumo, na cópia, pois bem, esse fato da cópia me estimula nessa reflexão, já notaram como ninguém é como é? Sempre cópia de algo, sempre copiando algo, porque uma roupa deixou aquele ator (atriz) belo(a), as pessoas se alienam achando que se vestir a mesma roupa também ficará com a beleza deles; isso envolve tudo, cores e cortes, vamos copiar o que é belo mesmo sabendo que não somos belos!

Acredito que Oscar Wilde usou uma expressão da qual me recordo sempre, é a seguinte “vestir-se de si mesmo”, porque ninguém busca ser o que é, apenas tenta ser o que outro é?

O que mais vemos é tudo modelos iguais, lembro bem no primeiro curso que fiz na faculdade, as meninas da minha sala pareciam ser Xerox uma das outras, o mesmo modelinho americano que eu costumo chamar de “Barbie”, cabelo com chapinha e tingido de loiro, eu me confundia tanto com as cópias que não sabia quem era quem, tudo era o mesmo, mesma roupa, mesma maquiagem. Tinha também as alienadas no estilo fantasma, que seria a versão “dark” das “barbies”, cabelo preto com chapinha, parecia um jogo de xadrez no intervalo, peças iguais que mudavam somente as cores.

As pessoas recorrem aos meios estéticos pela infelicidade de ser o que é. Isso se verte em uma doença psicológica, e sabe o que é mais cômico nisso tudo? É a pessoa entrar em um estado que sabe que pode ter a consciência disso, mas nega, realmente a negação de si mesmo é tanto que preferem viver essa ilusão. O pior cego é aquele que não quer ver, ou melhor, o pior ignorante é aquele que nega a conhecer!

A sociedade se tornou um manicômio! Escolha que tipo de louco você quer acompanhar, eu pessoalmente prefiro os loucos intelectuais, cultos e que sabem comportar-se, ou melhor, os loucos que pensam e evitam agir como primitivos irracionais.

Aprenda a atuar na sociedade do espetáculo!
Marianne
Lá, no alto da montanha coberta de neve, há uma senhora dentro de uma casa de madeira, divide a sua sala com seus gatos, ouve todas as noites a mesma serenata que relembra os seus mortos.

Mas antes sai da sua prisão, contempla o sentimento inquestionável que o crepúsculo deixa no céu, seu coração chora para poupar o trabalho de seus olhos. De mansinho ela volta na sua cadeira de balanço, fecha os olhos e não sabe mais definir se ela tem a companhia da solidão ou se ela própria não é a mesma solidão.

Ela quer viver em paz e morrer no silêncio, viver com a multidão já não se tornou algo prazeroso, pessoas pensam diferente, pessoas a magoam, a excluem, oras, se sentes sozinha em companhia, melhor sentir-se sozinha consigo mesma! As pessoas só irão lembrar de ti quando precisar, diga não quando isso acontecer, ao menos você jamais será dominado por um sentimento de ingratidão de outrem.

É tempo de afastar-se de mentes diferentes, de pessoas que negam acordar, tempo de sair da alienação, tempo de caminhar sem olhar para trás. Cada um com os seus problemas, chega de altruísmo, chega de falsas amizades, acabou o tempo de bondade, houve somente um cristão e este foi pregado na cruz...

Pessoas vão e vêm, reclamam, desejam mudar e evoluir, mas a ignorância é tanta que se acomodam, acham que falar é o mesmo que fazer, se iludem, se acabam, se matam em si mesmos. Deixe que eles morram...

Somente peço... “Pai, afasta de mim esse cálice...”
Marianne

Olhando alguns sites pra matar o tédio existencial (ou vivê-lo mais), encontrei alguns poemas de Fernando Pessoa...

Chove. Nenhuma chuva cai...

Chove? Nenhuma chuva cai...
Então onde é que eu sinto um dia
Em que o ruído da chuva atrai
A minha inútil agonia?

Onde é que chove, que eu o ouço?
Onde é que é triste, ó claro céu?
eu quero sorrir-te, e não posso,
Ó céu azul, chamar-te de meu...

E o escuro ruído da chuva
É constante em meu pensamento.
Meu ser é a invisível curva
Traçada pelo som do vento...

E eis que ante o sol e o azul do dia,
Como se a hora me estorvasse,
Eu sofro... E a luz e a sua alegria
Cai aos meus pés como um disfarce.

Ah, na minha alma sempre chove.
Há sempre escuro dentro de mim.
Se escuto, alguém dentro de mim ouve
A chuva, como a voz de um fim...


Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo: "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa