Marianne
"Concordo plenamente com você", disse a Duquesa; "e a moral disso é 'Seja o que você parece ser'... ou, trocando em miúdos, 'Nunca imagine que você mesma não é outra coisa senão o que poderia parecer a outros do que o que você fosse ou poderia ter sido não fosse senão o que você tivesse sido teria parecido a eles ser de outra maneira'."

CARROLL, Lewis. Aventuras de Alice no País das Maravilhas. - RJ: Jorge Zahar Ed., 2009. (Pág. 106)
Marianne
Não se sabe bem ao certo onde esse conto foi contado, alguns falam que ocorreu no deserto da Espanha, outros afirmam que Espanha era apenas o apelido de uma jovem poetisa que era vazia e silenciosa com um coração deserto, já em outros povos há quem diga que ocorreu em um lugar onde havia muita neve e montanhas, mas no conto o espaço já não tinha importância e sim o tempo...


  *.¸¸. O CORVO, A CORUJA BRANCA E A SOLIDÃO .¸¸.*

 I
 

Havia um corvo selvagem que voava pelos lugares mais perigosos e não sentia medo de nada, o Corvo conversava com os espíritos da selva, do ar e dos mares e eles sempre o orientavam, mas o Corvo sentia que havia um tempo em seu espaço que ele deveria usar, esse tempo foi colocado em uma caixinha e jogado na sua árvore, logo o Corvo deduziu que independente se fosse ou não um presente pra ele, ele deveria abrir.

Então com o tempo em suas mãos, o Corvo voou na montanha para enxergar a selva inteira e ver onde ele usaria esse tempo, por acidente encontrou a Coruja Branca que adivinhava o futuro de qualquer um, a Coruja Branca vivia com a sua amiga Solidão, as duas sempre juntas. A Coruja Branca amava a Sabedoria, mas a Sabedoria morava tão longe dela, que ela tinha que se preparar para uma longa viagem, foi por causa disso que ela fez amizade com a Solidão, pois a Solidão era uma das melhores guia para levar qualquer um á amiga Sabedoria.

No topo da montanha a Coruja Branca sempre recebia a visita dos Ventos que moravam nos quatros cantos do mundo, os Ventos teceram com flocos de neves um lindo vestido para a Coruja Branca visitar a Sabedoria, a Solidão era um pouco anti-social, quando os quatros Ventos vinham, a Solidão saia caminhar em outras montanhas. E foi justamente quando a Solidão saiu caminhar e quando os quatro Ventos voltaram para os cantos do mundo que o Corvo apareceu.

- Quem é você? – Perguntou o Corvo para a Coruja Branca.
- Que pergunta mais difícil você me faz! – Respondeu a Coruja Branca – Porque não me perguntas quem eu não sou?
- Quem você não é? – Perguntou novamente o Corvo.
- Eu não sou um nome chamado Coruja Branca, nem sou um animal como a separação dos seres diz, não sou uma característica, não sou você, não sou nada do que não sou eu. Porque eu não sou os signos que me nomeiam.
- Entendo! Prazer, eu não sou um nome chamado Corvo, nem sou uma ave preta que corta os céus e os mares, não sou o que me classificam, não sou um aventureiro, não sou nada do que não sou.
- O prazer é todo meu Senhor Corvo! – Falou a Coruja.
- O que você faz? Continuou o Corvo.
- Eu me preparo á anos e anos para conhecer pessoalmente uma amiga, você deve ter ouvido muito sobre ela, a Sabedoria!
- Sim, sim! – Respondeu curioso o Corvo – Também pretendo visitá-la algum dia, mas no momento encontrei uma caixa que guarda o tempo e eu a abri, mas agora não sei como gastar esse tempo, porque esse tempo é diferente de todos os outros tempos, esse tempo são migalhas totalmente pequeninas de instantes!
- Oh, deixe-me ver! – Inclinou-se para a caixinha a Coruja Branca – Você tem razão, ele é bem curto!
- Me sinto sozinho e esse tempo é muito pequeno para que eu encontre a Sabedoria, preciso ser mais hábil, ser mais produtivo para a selva, pois a selva me dá pouco quando produzo pouco. – Falou o Corvo olhando para a selva ao seu redor.
- Sei como é – Suspirou a Coruja Branca – A selva me excluiu á algum tempo, pouco ela me dá, pois nada produzo a não ser meus pensamentos, mas pensamentos não mata a fome, porém se eu encontrar a Sabedoria ela irá me ajudar, sinto isso com tudo o que sou!
- Admiro sua coragem! – Falou o Corvo.
- Invejo sua liberdade... – Respondeu a Coruja.
- Venha comigo voar um pouco pela selva! – Convidou o Corvo.
- Oh, não sei bem se é certo, á muito tempo não vôo, posso me perder e depois não me encontrar mais! – Lamentou a Coruja Branca.
- Se você se perder eu te acho e te devolvo a ti! – Consolou o Corvo.

 ♘
 Então voaram juntos pela selva, mas a Coruja Branca esqueceu que seu vestido era de flocos de neve e então ela viu todo o véu gelado derreter de suas asas e notara que passou tanto tempo no topo da montanha que seu pequeno coração congelou com as visitas dos quatro Ventos e então ela não conseguia mais voar, pois seu coração estava quente demais para si mesma e o gelo que derretia saia pelos seus olhos, suas asas foi machucada pelos galhos das árvores devido a falta de habilidade que ela teve.

O Corvo desesperadamente a procurou, mas a Solidão visto que a Coruja Branca não estava no seu lugar de sempre, saiu desesperadamente e encontrou a Coruja Branca antes do Corvo e a levou de volta para a montanha. Os quatros Ventos voltaram preocupados com as feridas da Coruja Branca e visto que não poderia curar essas feridas, sopraram sobre elas para que congelasse e para que a dor não doesse, mas o que mais sangrava dentro de si era o seu coração, pois havia algo ali que a deixava fraca e frágil.

A Coruja Branca passou meses sem ver o Corvo e descobriu a ferida que dói e não se sente, desesperada ela pediu para que os Ventos tentassem novamente congelar seu coração, mas os Ventos acabaram trombando entre eles e nem seus furacões foram capazes de congelar aquele pequenino pedaço de carne que queimava como vulcões explodindo. Visto que não tinha solução pediu para a Solidão procurar o Corvo.

A Solidão toda silenciosa, descobriu que o Corvo entristeceu alguém e voltou correndo contar para a Coruja Branca.

- Coruja Branca, minha companheira de lágrimas e melancolias, fui buscar aquele que faz seu coração sangrar e queimar, descobri que há uma pequena donzela que cujo nome significa quase o meu nome, os gregos falaram que seu nome diz “sozinha e solitária”... A donzela sozinha e solitária não quer mais falar com o Corvo. Corvo machucou o coração da donzela.

- Obrigada Solidão, sempre soube que junto com a Sabedoria, você é a amiga mais fiel que sempre esteve por perto, lamento ter saído de perto de você sem avisar, eu me distraí um pouco com o Corvo que também buscava aquela que eu busco. Coruja Branca não tem medo de você, Coruja Branca conhece agora a dor do coração que sangra e não quer ver a donzela cujo nome é sozinha e solitária, chorar... – Sorriu falsamente para a Solidão – Diga ao Corvo que eu tenho você e que ele precisa cuidar da donzela sozinha e solitária e entregue a ele essa carta.

A Solidão saiu na selva cumprir seu dever, mas Coruja Branca não viu a Solidão voltar... Então a Coruja Branca decidiu que o topo da montanha gelada era seu lugar e embora seu coração não pudesse congelar de novo, ela podia fazer da dor lindos poemas melodramáticos e versos para inspirar aqueles que amam.

- Volte logo Solidão... – Falou baixinho para que os quatro Ventos não ouvissem. - Talvez eu não percebi, mas o Corvo gastou o tempo da caixinha feitos de instantes comigo...


Marianne

A vida é como uma vela queimando... Chore sua cera, antes que ela se apague.



Mari

Marianne

Pense em mim quando a chuva chorar em sua janela
Pense em mim quando as ondas quebrarem no mar
Pense em mim quando o sol iluminar seu quarto
Pense em mim quando sentar sozinho na frente da TV

Sete meses e uma frustração corroendo a alma morta
Três anos e uma inutilidade existencial afogando uma vida
Eu pensei que tudo poderia congelar como a imagem das fotos
Eu pensei que você pensaria em mim quando subisse para voar longe

Pense em mim quando ganhar seu primeiro salário que o fez sair daqui
Pense em mim quando se sentir satisfeito com seu deus de papel
Pense em mim quando achar que alguém te ama
Pense em mim quando pensar que ninguém pensa em você

Dezenove anos e um deserto a dois vivido em uma cidade
Vinte e cinco anos e o mundo parecia ser ao seu favor
Eu pensei que nossa aliança estava além do material
Eu pensei que você pensava em mim quando ninguém pensava

Pense em mim quando eu não pensar mais em você...
Marianne
Estou concluindo a leitura da obra de Kierkegaard, Migalhas Filosóficas, um ótimo livro com uma boa tradução da Editora Vozes. Pessoalmente, gostei muito do ponto de vista de Kierkegaard ao trabalhar com a relação entre mestre e aprendiz, é um dos livros que aconselho á quem gosta de uma boa filosofia detalhista.


A Editora Vozes apresenta nesta obra o pensamento de Sören Kierkegaard, um dos mais instigantes filósofos do pensamento contemporâneo, que resgata nesse livro (com pano de fundo os temas cristãos do pecado e da graça) a teoria socrática da reminiscência, construída com a tese de que o homem já está na verdade. Desta forma, o instante não tem mais importância fundamental, constituindo apenas a ocasião. Como alternativa, Kierkegaard monta um projeto teórico, onde o instante assume importância decisiva para a felicidade eterna.



ONDE ENCONTRAR:

Marianne
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BOTÕES DE ROSAS

Colham botões de rosas enquanto podem,
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.

O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.

Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.

Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.
Botões de Rosas
Colham botões de rosas enquanto podem,
O velho Tempo continua voando:
E essa mesma flor que hoje lhes sorri,
Amanhã estará expirando.

O glorioso sol, lume do céu,
Quanto mais alto eleva-se a brilhar,
Mais cedo encerrará sua jornada,
E mais perto estará de se apagar.

Melhor idade não há que a primeira,
Quando a juventude e o sangue pulsam quentes;
Mas quando passa, piores são os tempos
Que se sucedem e se arrastam inclementes.

Por isso, sem recato, usem o tempo,
E enquanto podem, vivam a festejar,
Pois depois de haver perdido os áureos anos,
Terão o tempo inteiro para repousar.

Autor Robert Herrick

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APROVEITA O DIA

Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos erros: o silêncio.
A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas crenças.
Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em um inferno.
Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se passe sem teres vivido...

Autor Walt Whitman

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Fui à floresta porque queria viver profundamente
e sugar a essência da vida,
eliminar tudo que não era vida,
e não, ao morrer,
descobrir que não vivi.

Autor Henri D. Thoreu

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Marianne
Não resisti e comprei o livro da Editora Zahar que vem com as duas obras de Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e o que Alice encontrou por lá, com ilustrações de John Tenniel. Muito bom, em breve posto alguns comentários a respeito da obra.

Marianne
Confesso que não sou muito adepta de ficar na frente de uma televisão ou com a cara atrás de um jornal, pra me manter 100% atualizada. A mídia se tornou o foco de toda sociedade, pois a sociedade em si é foco da mídia, como se fosse um espelho refletindo a imagem da coisa em si. Mas a divulgação dos acontecimentos sempre está na ponta da língua do povo, é inevitável fugir da mídia como é inevitável fugir da sociedade. Não é muito da minha índole comentar um fato, erguer a bandeira, vestir a camisa e sair por ai revolucionando com um pensamento, além do mais, o que refleti sobre isso não é nada novo.

O que me deixou pasma foi a brincadeira das pulseiras de silicone. No meu tempo (frase de velha) essas pulseirinhas eram moda, era em meados do ano de 2004 á 2005, mas não tinha um pingo de intenção atrás disso, e se alguém estourasse uma, saia briga (afinal, pagávamos R$ 0,25 por cada) e não sexo ou estupro.

Ironias a parte. Eu pessoalmente, como planejo ser educadora, professora e mãe, não posso deixar passar como um fato qualquer isso, pois é absurdo ver os adolescentes se submeterem á uma simples tirinha de silicone no braço, a escolha do sim e do não está na consciência, seja com ou sem uma porcaria de pulseira no braço. Então surge a questão e a afirmação, eles têm apenas treze anos, como fazer com que eles tenham a consciência disso? A partir do momento que entende muito bem sobre sexo, pode ter certeza que entendem muito mais do que imaginamos, o problema maior é que tratamos os jovens como se fossem crianças de quatro anos, evitamos dar uma educação mais rigorosa em termos de consciência e responsabilidade, do que ver que atualmente a mente de um jovem funciona como a de um adulto. Até quando vamos fugir para a desculpa de que “é perigoso sobrecarregar o psicológico de uma criança” com uma educação mais firme, achando que isso pode causar frustrações futuras nelas? Poxa, elas já são frustradas, ou uma adolescente de 13 anos estuprada por quatro jovens não é frustração? Se isso não frustra os jovens, eu fico frustrada por eles então!
O ruim é que na adolescência todos caminham onde a “massa” caminha, se a maioria fizer uso de tal acessório, o individuo também começa a fazer uso, ainda mais quando colocam uma intenção atrás do uso. Não que no mundo adulto seja muito diferente, mas a noção de causa e consequência é bem clara. O adolescente busca sempre ser o centro das atenções, penso que ao consumir a pulseira com uma intenção, ainda mais quando essa intenção envolve inúmeros fatores, sendo eles a estética e o sexual, torna-se um meio de “testar” essas atenções, pois o valor nessa idade está no “quão desejado você é”.

Proibir a venda do acessório não é a solução, pois a intenção permanece, os adolescentes são criativos demais, ainda mais quando se diz respeito aquilo tudo que eles aprendem que é proibido. Anula aqui - eles inventam outra ali.

A educação da sociedade atual se dirige tanto ao capitalismo que se esquece de dirigir o indivíduo á consciência de suas ações, é sempre mais fácil por a culpa em algo como um pedaço de plástico, do que assumir que há uma imensa lacuna na educação que deixa passar inúmeros acontecimentos que prejudica o indivíduo, refletindo que, a sociedade é feita pela soma desses indivíduos, então até onde essa sociedade irá caminhar com um bando de indivíduos que pensam pela massa e não por si mesmo? - Isso já nos leva a uma outra reflexão sobre massa e indivíduo.

Nos tempos não tão antigos assim, se alguém chegasse e falasse “quero te comer”, era um desrespeito moral e ético, agora isso virou sinônimo de elogio. Então, como atuar em uma sociedade em que o sexo sem responsabilidade já começa na infância? Ou tornamos nossas crianças conscientes das causas e conseqüências, ou sentamos em nosso sofá, ligamos nossa TV e ficamos assistindo o índice de impudor ao menor aumentando, seja dele mesmo ou de outrem.

Enfim, voltamos ao ditado que nossos pais sempre falavam “as brincadeiras acabam em brigas!”. Mas eu acredito que através da educação é possível diminuir essa lacuna que há na sociedade brasileira e nela própria como já mencionei, e digo sociedade brasileira porque temos que cuidar primeiro do nosso espaço, pra depois querer cuidar do espaço dos outros (dá-lhe Obama!). Logo, logo aparece mais uma “novidade assustadora” em nossos meio de comunicação.


Marianne
Navegando por alguns blogs, sendo um deles "Mors omnia solvit", achei um poema incrível de Augusto dos Anjos, roubei com o ctrl+c e colei aqui:


- Versos Íntimos -

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Marianne
TERCEIRA PARTE


"(...) porque não via no mundo nada que continuasse sempre no mesmo estado..."

"(...) caminhar sempre o mais reto possível para um mesmo lado, e não mudá-lo por quaisquer motivos, ainda que no início só o acaso talvez haja definido sua escolha..."

"E, assim como as ações da vida não suportam às vezes atraso algum, é uma verdade muito certa que, quando não está em nosso poder o distinguir as opiniões mais verdadeiras, devemos seguir as mais prováveis..."

"E, da mesma maneira que ocorre ao demolir uma velha casa, conservam-se comumente os entulhos para serem utilizados na construção de outra nova, assim, ao destruir todas as minhas opiniões que julgava mal alicerçadas, fazia diversas observações e adquiria muitas experiências, que me serviram mais tarde para estabelecer outras mais corretas."

"Porém, tendo o coração bastante brioso para não desejar que me tomassem por alguém que eu não era..."


PS: Terminando a leitura da Quarta Parte, já coloco as outras frases que gostei.
Marianne
SEGUNDA PARTE


"(...) não existe tanta perfeição nas obras formadas de várias peças, e feitas pela mão de diversos mestres, como naquelas em que um só trabalhou. Deste modo, nota-se que os edifícios projetados e concluídos por um só arquiteto costumam ser mais belos e mais bem estruturados do que aqueles que muitos quiseram reformar, utilizando-se de velhas paredes construídas para outras finalidades."

"O primeiro era o de nunca aceitar algo como verdadeiro que eu não conhecesse claramente como tal; ou seja, de evitar cuidadosamente a pressa e a prevenção, e de nada fazer constar de meus juízos que não se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito que eu não tivesse motivo algum de duvidar dele.
O segundo, o de repartir cada uma das dificuldades que eu analisasse em tantas parcelas quantas fossem possíveis e necessárias a fim de melhor solucioná-las.
O terceiro, o de conduzir por ordem meus pensamentos, iniciando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para elevar-me, pouco a pouco, como galgando degraus, até o conhecimento dos mais compostos, e presumindo até mesmo uma ordem entre os que não se precedem naturalmente uns aos outros.
E o último, o de efetuar em toda parte relações metódicas tão completas e revisões tão gerais nas quais eu tivesse a certeza de nada omitir."

"(...) existindo somente uma verdade de cada coisa, aquele que a encontrar conhece a seu respeito tanto quanto se pode conhecer."
Marianne
Lendo Discurso do Método de Descartes para a faculdade, algumas frases puxaram demais a minha atenção, estou gostando muito da obra, vou postar aqui alguns trechinhos:


PRIMEIRA PARTE

“(...) o poder de julgar de forma correta e discernir entre o verdadeiro e o falso, que é justamente o que é denominado bom senso ou razão, é igual em todos os homens...”

“As maiores almas são capazes dos maiores vícios, como também das maiores virtudes, e os que só andam muito devagar podem avançar bem mais, se continuarem sempre pelo caminho reto, do que aqueles que correm e dele se afastam.”

“Os que se aventuram a fornecer normas devem considerar-se mais hábeis do que aqueles a que as dão.”

“Contudo, quando gastamos excessivo tempo em viajar, acabamos tornando nos estrangeiros em nossa própria terra; e quando somos excessivamente curiosos das coisas que se realizavam nos séculos passados, ficamos geralmente muito ignorantes das que se realizam no presente.”

Marianne
No ponto mais alto dessa cidade deserta eu escalei
Só para abrir os braços e sentir o vento me diluir
Ainda respiro, ainda grito, eu ainda não pulei
Não há o que temer quando a vida é o caminho para a morte
Adrenalina, quero sentir medo, quero sentir seu terror
Quero queimar na sua febre mais fervorosa
Adrenalina, quero tirar essa pele que me separa de você
Quero ser o sangue a ferver na sua veia mais fina

Respirar, é só isso que precisamos, respirar...
Uma dose a mais, só para desligar o laço que me prende a realidade consciente
Onde estão as palavras sagradas que iria me libertar do inferno?
Pois eu já estou nele e não somos mais o centro do universo
Estamos caindo em uma espiral infinita, rodando, rodando, rodando para baixo...
Mas você mora no mesmo inferno que eu
Basta ter você e todo inferno se transforma em paraíso
Você é uma dose de metanfetamina misturada nas minhas artérias
Não há vontade de resistência, estou em minha redenção celestial
Buscando sentidos, buscando caminhos, buscando preencher os vazios
Adrenalina, só preciso de mais um pouco para dormir
Quero ser o seu pesadelo mais pesado e escuro essa noite
Adrenalina, só preciso de mais um pouco para desmaiar
Quero ser o disparar do seu coração mais próximo da morte
Me dilua na sua agulha para se enlouquecer de mim...
Marianne
A noite cai e as sombras procuram outras sombras para se esconderem
Eles não podem ver, eles não podem ouvir, eles não podem nos imaginar
E saber como nossas mãos se encaixa perfeitamente uma na outra
Eles não podem saber que somos as duas cartas perdidas do baralho
Porque estamos tão próximos do espaço e tão distantes do tempo
Estamos lançando os dados em um jogo que já está perdido
Estamos sem peças, mas ainda insistimos e eu não entendo mais nada
Porque eu olhei para o abismo dos seus olhos e ele olhou de volta para o abismo dos meus
Mergulhamos... Eu sinto que a onda vai quebrar...
Afogamos...


Marianne

Olhos de esmeralda iluminam a alma de quem vê
É irmã, mãe, amiga, nervosa, brava, mulher e sobre tudo é humana
Me ensinou a falar, ler e a escrever...
Me deixou na infância para percorrer o mundo que estava fora da porta de casa
E descobriu que o amor é ilimitado, caro, doloroso e sobre tudo é divino
Chora e ri fácil como uma criança
Batalha e vence dificilmente como um adulto
Buscou no céu e buscou no inferno a sua felicidade
E me mostrou que o mundo é maior que as pequenas cabanas de cobertor que fazíamos para nos esconder
Me defendeu e me agrediu
Me ofendeu e me elogiou
Me tirou e me deu
Me fez chorar e me fez rir muito mais
Já se fantasiou de árvore de natal, de coelhinho da páscoa, de mulher gata e de paquita
Ouviu disco de vinil comigo, incluindo Luiz Calda, Ney Mato Grosso e Xuxa!!!
Dançou lambada, ciranda, balé, country e me acompanhou nos barzinhos de rock
Encontrou seu canto onde menos imaginava
Imitou “Outkast” dançando “Hey Ya”, a ponto de me deixar sem ar de tanto rir
Já fez de tudo um pouco como fez do pouco o tudo
E daqui a pouco completa seus 25 anos, 25 anos bem vividos intensamente como a vida deve ser vivida
Na sua ausência senti o valor da sua presença
A casa está inundada por um vazio
Já não se houve seu belo canto de passarinho
Mas está tudo bem porque você está bem
E perto ou longe seus olhos de absinto brilha entre as paredes de casa
Porque seu sangue corre na minha veia
Porque eu sai do mesmo ventre que você esteve
Queira ou não queira, o que sou você é e o que você é eu também sou
Somos irmãs para sempre...