Marianne

Agora vou fazer todas as coisas da minha maneira
Se não for capaz de segurar a minha mão corte-a de seu pulso
Não criarei raiz nessas suas doces palavras
Quem você pensa que é pra me falar de amor?
Só mais uma noite e o tempo se congela em noites
Eu tenho olhado muito para meus objetivos
A sua neurose vem me empacando um pouco
Quero dizer-te tantas coisas boas, mas meu orgulho só quer te ofender...

Eles estão dizendo que não passo de uma criança fraca
Uma palidez de fantasma que nunca sorri
Enquanto eles falam, enquanto você inventa eu vou vivendo,
Porque só sonhar não tirou ninguém do lugar sem a ação
E já estou cansada de gritar que você precisa se mover
É você dentro do mundo e não o mundo dentro de você
Só mais uma noite e o tempo se congela em noites
Uma eterna despedida daquilo que não quer se despedir
Deixa eu te dizer o que todos não te dizem...

Só mais uma noite para matar algo que não existe
Você é a perfeição, mas não é o suficiente...
Estamos quebrados, porque nos chocamos um ao outro.
Só mais uma noite... e nunca falamos adeus.
Marianne

Chora em mim a sua lágrima e o meu silêncio é o seu maior barulho, afasta de mim esse olhar fútil, cale essas palavras doentias. Não me fale de paixão, não fale aos outros de amor, amor e paixão só os poetas entendem – não somos poetas, somos loucos e doentes. Você de tanto querer ser muitos, não nota que és um nada? Você é uma concha vazia que o mar rejeitou na areia, jogou pra fora de suas águas, é a árvore que cai e ali fica, porque ninguém vê, ninguém ouve. Você é um andarilho nessa vida, um corpo sem alma, um coração sem pulsação, um sorriso no escuro, um violino sem cordas... Você já não sabe mais o que é realidade e o que é fantasia. Você é a síntese de angústia e desespero, tudo em você é transmissível, é contagioso. Você é o tudo de um nada que eu nunca vou conhecer...
Marianne
PIERROT, cismarento:

Não... Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios... Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios, esse beijo que morre assim como um gemido, sem ter a sensação brutal de ser colhido...

Marianne
"Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre…
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…
Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar é sofrer; amar é sofrer mais"!
Marianne

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e, em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!
Marianne
Tinha esquecido o quanto gostava desse romance que eu assistia na época que eu ainda era uma colegial. O tempo corre muito... Achei os episódios para baixar e como tem muitos diálogos que eu sempre achei belo, vou deixar aqui, como lembrança e para quem gosta também.



Ajoelhada nos pés da cama, onde os dois amantes morreram, Anita diz:

- Essas paredes, as tábuas do chão, portas, janelas, tudo isso é testemunha do que aconteceu entre os dois amantes. E esse espelho, olha esse espelho – Diz Anita caminhando até o espelho - Ele refletiu toda cena de ciúmes, também a morte dos dois, já imaginou que fascinante conhecer o passado de um espelho? Entrar por dentro dele, como Alice? O que você está pensando?

- Que eu tenho que ir embora. – Diz Fernando.

- Assim de repente? Por quê?

- Foi como eu entrei, de repente!

- Volta amanhã...

- Quem sabe a gente se encontra outro dia... De qualquer maneira obrigado, eu estava chateado, deprimido, você salvou meu dia. Espero que não haja rejeição ao transplante! – Responde Fernando se referindo ao vaso de flor que caiu do sobrado de Anita.

- Eu acho que você se aborreceu comigo, eu juro que não sou louca, mas é que... Olha...

- Você está chorando?

- Eu fico emocionada sempre que eu falo na Cíntia.

- Cíntia? Quem é Cíntia?

- A moça que morava aqui, que foi assassinada pelo amante. Ele era Luciano, ela Cíntia.

- Eu usei o nome Cíntia em um conto que escrevi a muito tempo, incrível! No meu conto ela também era assassinada pelo amante... Coincidência...

- Nada é coincidência, tudo está escrito! Não acredita no destino? Acha que foi mesmo por acaso que você entrou aqui? Que a gente se conheceu? Tava escrito, assim como ta escrito que você vai voltar.

- Pode ser... Mas o que está escrito mesmo nesse momento é que eu tenho que ir embora. Tchau... Prazer mesmo!

Fernando termina seu cigarro e desce as escadas...
Marianne
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Freud, leitor de Nietzsche



Período: 16 e 30/08 - 20/09 - 04 e 25/10 - 29/11 - 13/12
19h30m as 21h30m
Local: Clínica de Psicanálise
Rua Prudente de Moraes, 1314 - Bairro Alto - Piracicaba/SP.
Vagas limitadas: 15
Custo: R$ 210,00 (em 3 parcelas)
Inscrição: mmariguela@gmail.com
Coordenação: Márcio Mariguela
Disete Devera


1. Objetivo

As aulas deste módulo de ensino e transmissão da psicanálise propõem uma
interlocução entre pontos específicos da obra de Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche:
- em nota de rodapé no livro O Ego e o Id [das Ich und das Es], publicado em 1923,
Freud destacou que usaria o pronome es para designar o inconsciente na segunda tópica do
funcionamento do aparelho psíquico. Desse modo, manteria o mesmo sentido gramatical
utilizado por Nietzsche para tudo o que é impessoal em nossa condição de animal falante.
- nos aforismos: 8 "Virtudes Inconscientes"; 333 "O que significa conhecer";
354 "Do gênio da espécie", publicados em 1882 no livro A Gaia Ciência, Nietzsche utiliza
o pronome es (pessoal do gênero neutro) para designar o inconsciente como tudo o que é
impessoal em nós, aquilo que nos é mais estranho e por isso mesmo o mais familiar.

2- Justificativas

Diferentes autores elegeram a relação Freud-Nietzsche como tema de investigação.
Paul-Laurent Assoun, por exemplo, comentou a estranha contemporaneidade entre Freud
e Nietzsche, citando a ata da Sessão de 01 de Abril de 1908 da Sociedade Psicanalítica de
Viena em que Freud afirmou não conhecer a obra de Nietzsche. Disse também que nunca
conseguiu estudá-lo e não conseguia ir além de meia dúzia de páginas nas poucas tentativas
de lê-lo. Assoun citou também duas outras ocasiões em que Freud disse ter recusado o
grande prazer proporcionado pela leitura de Nietzsche e ter evitado, por muito tempo, o
contato com sua escrita.
Michel Foucault também se interrogou sobre a estranha contemporaneidade entre
Freud e Nietzsche. Na conferência de 1964, alinhou Nietzsche, Freud e Marx para analisar
as rupturas que cada um, a seu modo, realizou na hermenêutica moderna: "No primeiro
volume do Capital, textos como o A Genealogia da Moral e a A Interpretação dos Sonhos,
situam-nos de novo diante de técnicas interpretativas. E o efeito do seu impacto, o gênero
de ferida que estas obras produziram no pensamento ocidental, deve-se provavelmente ao
fato de terem significado para nós o que o mesmo Marx qualificou de 'hieroglíficos'. O
que nos coloca numa posição incômoda, já que estas técnicas de interpretação nos dizem
respeito, e que nós, como intérpretes, temos que nos interpretar a partir destas técnicas".
Esta referência ao argumento de Foucault define também a perspectiva adotada
para o desenvolvimento das aulas: Nietzsche ocupa a função autor na obra de Freud. Na
literalidade é possível traçar - ou mesmo cartografar - um campo de investigação: o lugar
do estranho, da outra cena, do impessoal para designar o inconsciente. Dele se ocupou
Nietzsche e, como leitor de A Gaia Ciência, Freud deu ao inconsciente um novo estatuto:
estabelecendo assim, uma ruptura e descontinuidade com a função que o mesmo ocupava
na primeira tópica do aparelho psíquico: desde a Interpretação dos Sonhos em 1900 até o
Mais-Além do Princípio do Prazer, publicado em1920.

3 - Bibliografia Básica:

FREUD, Sigmund "O Eu e o Id" In: Escritos sobre psicologia do inconsciente.
Volume III Coordenação geral da tradução Luiz Alberto Hanns. Rio de
Janeiro: Imago, 2007.
FREUD, Sigmund "O Estranho" In: Coleção Standard das Obras Completas, vol. XVII,
Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, Sigmund "Conferência XXI - Dissecção da personalidade psíquica". In: Novas
Conferências Introdutórias Sobre Psicanálise - Coleção Standard das
Obras Completas, vol. XXII, Rio de Janeiro: Imago, 1994.
NIETZSCHE, Friedrich A Gaia Ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
ASSOUN, Paul-Laurent Freud & Nietzsche: semelhanças e dessemelhanças. São Paulo:
Brasiliense, 1989.
FOUCAULT, Michel "Nietzsche, Freud e Marx" In: Ditos & Escritos II – Arqueologia
das ciências e história dos sistemas de pensamento. Rio de Janeiro:
Forense Universitária, 2000.
GAY, Peter Freud, uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das
Letras, 1989.
LEFRANC, Jean Compreender Nietzsche. Petrópolis-RJ: Vozes, 2005.
MARIGUELA, M. "A função autor na instauração da discursividade" In:
Psicanálise e Surrealismo: Lacan o passador de Politzer. Piracicaba:
Jacintha Editores, 2007.
MARIGUELA, M. "Freud, Nietzshe y la genealogía de la civilización" In: Delito y
Sociedad - Revista de Ciências Sociales - Año 18, nº 27.
Argentina, 2009.
MARIGUELA, M. "Freud e Nietzsche: ontogênese e filogênese" In: Impulso -
Revista de Ciências Sociais e Humanas, volume 12, nº 28,
Piracicaba: Editora Unimep, 2001.
[artigos disponíveis em: www.marciomariguela.com.br/artigos/revistas]
Marianne
A complicada arte de ver - Rubem Alves


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.
Marianne
Todas as estações é outono, todas as estações é uma espera de um trem que oculta um passageiro inesperado, a vida corre, e em seus trilhos deixa a marca do peso de muitas vidas que ali escondia, e tudo aquilo que atrás ficava da passagem desse trem, era coberto por uma fumaça ofuscante, nebulosa.
Todos os meses é fevereiro, o fim de um carnaval que nem começou e um chão coberto por confetes que tentou colorir um ambiente cinza e frio, confetes fúteis que o vento levou e espalhou, separando as cores e voltando a deixar o cenário monótono, como a fumaça do trem que tudo deixou nebuloso desde então.
E essa árvore na frente da minha morada, é sempre mais bela em sua solidão, quando todas as folhas verdes trocam de roupas e se modelam de marrom. E seus galhos finos balançam como a delicadeza de um salto que trinca o chão nos pés de uma dançarina de tango, com um longo vestido vermelho que grita a dor da sua paixão.
E eu olhei para uma parede fria e branca que gotejava a chuva lá de fora, e eu pude ver dois escaravelhos buscando encontrar um esconderijo. Mas do nada, atrás de uma distância tão próxima, ouvi um silêncio de um choro, veio á mim como um tornado de fogo á queimar toda a frieza ensaiada por anos dentro de uma alma que se faz de viúva em um corpo adormecido em uma plataforma de um adeus repentino.
Noite traiçoeira, traz para mim aquele que me transforma em uma brincadeira, eu não choro, sou mais sangue do que lágrimas, mas eu fujo, fujo da covardia e da fraqueza de um valente que teme declarar que ama alguém, mesmo com uma responsabilidade que não é sua, olhos de escaravelho procura um galho fino de uma árvore que espera o outono, como uma nostalgia de um caminho em um deserto e um veneno de um escorpião que nega em matar, mas insiste em fazer sofrer, um corpo fraco que não consegue permanecer nem na vida nem na morte – até que a neutralidade nos separe. Assim seja.
Marianne
Hoje meu amigo Max me mandou essa notícia, achei muito curiosa, eis o link: Historiador desvenda código secreto de Platão.

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Marianne


Alguém belisque o meu braço, porque estou em um pesadelo e preciso sentir uma dor física para poder acordar da dor sentimental...

Sinto como se eu estivesse perambulando pelas estradas buscando algo que eu nem sei o que é, algo que se foi, algo que nunca existiu, algo que ainda está por ser... Eu espero encontrar no mínimo um caminho que não tenha curvas.
 
O vício de olhar para as pessoas e ver instrumentos em vez de indivíduos, faz com que eu sinta que eu também seja um instrumento que a todo tempo tentam usar, me usar. Você é percebido da maneira que você percebe, já sentiu isso? Paranóia... E um muro imenso se forma ao meu redor, tão sólido, tão resistente, que nenhum som parece ultrapassar, nem um terremoto parece conseguir balançar...

Não adianta me atingir com poemas, com versos, com rosas, com vinho, com canções, já conheço de cor a intenção por de trás de cada ação, se quer me atingir seja um monstro e então conseguirá chamar minha atenção para um jogo de poder.

Eu só queria vomitar todos vocês que estão travados no meu interior, tirar vocês das minhas lembranças, matar em memória como se mata em vida – com a certeza de que tudo chegou ao fim...
Marianne


Perdi o sono por uma bobagem que eu sabia ser uma bobagem. Mas não importa, tenho três linhas nas minhas mãos que se destacam e formam um M em cada, junto minhas palmas e a forma desses Ms é tão perfeita, tão igual, por isso fecho minhas mãos porque sei que isso ninguém irá me roubar...

Eu falei que a felicidade á dois não era um dote dado á mim por algum deus, porque eu não acredito em deuses, seres imaginários criados para estacar o buraco do desespero humano. Mas substituímos, substituímos as pessoas por dinheiro, por profissão, por fama, por diplomas e então irei substituir o máximo de pessoas que eu puder e lançarei elas em um nível mais baixo da minha vida, porque eu sei que eu nunca desço do degrau que eu acabei de subir, por nada nem por ninguém.

Eu não confio nas pessoas, conheci uma pessoa certa vez que namorava e traiu sua namorada com uma pessoa que ele nem conhecia, só de vista e é daí pra pior, amor para eu é respeito e respeito exige lealdade, se isso não é capaz de ser dado então não é amor, é interesse, é medo, é covardia, mas não é amor, “quem ama não despreza, não esnoba, não atira pela janela”... Eu tenho nojo disso, sinceramente, essas pessoas não deveriam existir.

Cada vez que vejo isso menos me interesso pela vida á dois.

É impossível confiar nas pessoas, porque são animais civilizados e como todo animal é cego de instinto, assim elas são...

Agora, nada melhor que um bom sono para apagar esse dia do meu presente.
Marianne
Lembrei de algo estranho hoje, após ver que passou um eclipse ontem de manhã...

28 de agosto de 2007

Nesse dia eu tinha escrito um e-mail, logo fiquei a madrugada toda assistindo esse fenômeno, estava frio, mas eu não saberia e nem sei ainda como explicar o que eu sentia naquela madrugada, mas de alguma maneira eu desejava algo e aquilo realmente realizou.




20 de fevereiro de 2008

Nesse dia eu recebi uma notícia amarga, uma decisão mútua que tinha que fazer, passei a madrugada observando o fenômeno semelhante, mas eu não pedi nada, eu me sentia anestesiada, então fiquei em silêncio e toda minha fé deixou de existir...




Em toda a minha vida, a imensa coincidência que ocorreu entre esses dois eclipses, será uma memória eterna e que jamais irá repetir, os eclipses talvez sim, a sombra, a lua, o sol, os planetas, por tempos longos que se mostram como infinitos, serão os mesmo, mas a história que eu vivi sumiu com a sombra que cobria a lua.
Marianne


Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!

Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.

Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.

Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa...
Marianne
L'assasymphonie
Mozart L'Opera Rock
[Letras Terra]

Cette nuit
Intenable insomnie
La folie me guette
Je suis ce que je fuis
Je subis
Cette cacophonie
Qui me scie la tête
Assommante harmonie

Elle me dit
Tu paieras tes délits
Quoi qu’il advienne
On traîne ses chaînes
Ses peines

Refrão
Je voue mes nuits
A l’assasymphonie
Aux requiems
Tuant par dépit
Ce que je sème
Je voue mes nuits
A l’assasymphonie
Et aux blasphèmes
J’avoue je maudis
Tout ceux qui s’aiment

L’ennemi
Tapi dans mon esprit
Fête mes défaites
Sans répit, me défie

Je renie
La fatale hérésie
Qui ronge mon être
Je veux renaître
Renaître

Refrão

Pleurent les violons de ma vie
La violence de mes envies
Siphonnée, symphonie.
Déconcertant concerto
Je joue sans toucher le beau
Mon talent sonne faux

Je noie mon ennuie
Dans la mélomanie
Je tue mes phobies
Dans la désharmonie

Refrão

Mozart L\\\'opera Rock - L\\\'assasymphonie Mp3
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