Marianne

Caminhamos buscando a beleza do sol, longe das nossas peles, deitando-se entre as montanhas como Afrodite em seu leito. Enquanto meus pés me arrastavam para frente, o chão era deixado para trás, em um simples passo criávamos um futuro sem nenhum objetivo material, apenas contemplar o céu de aquarela á nossa frente. Seus pés cansados do meu lado tropeçavam ás vezes, mas seguia junto de mim e isso eu chamei de felicidade. Chegamos em cima do pequeno morro e paramos nosso olhar para o horizonte e em apenas alguns minutos o nosso deus de fogo se escondeu deixando o cenário se apagar como uma vela já ao fim. Então pensei e comentei como seria se descobríssemos que nada disso existe e que somos somente uma sombra, o senhor se calou deixando sua alma voar no instante daquilo que acreditamos ser nossa existência. Depois de comentarmos algumas observações do cenário ao redor, viramos as costas para a montanha que o sol se escondeu e voltamos para casa em direção à lua que se enchia de si mesma á nossa frente.
Marianne


Não sei se as leis são justas ou injustas,
Nós que jazemos na prisão,
Tudo quanto sabemos é que é forte
Essa muralha que a circunda;
E que igual a um ano é cada dia,
Ano de dias infindáveis.

Mas o que sei é que todas as leis
Pelo Homem feitas para os Homens
Dês que o primeiro seu irmão matou
E deu início ao triste mundo,
O trigo espalham e retêm a palha
Com seu crivo de malefícios.

Eu sei também – e quão sábio seria
Que o mesmo cada qual soubesse –
Que é feita de tijolos de ignomínia
Toda prisão que os homens erguem,
Com grades para o Cristo não ver como
O Homem mutila seu irmão.

Essas grades a lua amável mancham
E escurecem o sol bondoso;
Bem fazem no esconder o seu Inferno
Pois nele coisas se praticam
Que nem Filho de Deus ou Filho de Homem
Jamais devia contemplar

(página 982)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
Marianne

E toda a angústia que o levou a dar
Aquele grito de amargura
E seus remorsos, seu suor de sangue,
Como eu ninguém os conhecia:
Pois quem vive mais de uma vida deve
Morrer também mais de uma morte
(página 978)

Pois quem peca segunda vez, acorda
Uma alma morta para a dor,
Tira-a de seu sudário maculado,
Fazendo-a de novo sangrar,
E a faz sangrar grandes gotas de sangue
E a faz sangrar inutilmente.
(página 979)

E todo o tempo a cal ardente come,
A carne e os ossos seus devora,
Come de noite os ossos quebradiços
De dia come a carne mole,
Por turno vai comendo a carne e os ossos,
Mas sem cessar o coração.
(página 980)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
Marianne

O que é um amigo? Eu não sei...
Quando as pessoas falam de amigos parece que estão falando de algo superior a tudo o que há, como se amigos nunca trouxessem mágoas, tristezas, só coisas boas. Basta ser um ser humano para ser imperfeito. Amigo ou amizade não é perfeição. Amigos são pessoas como nós, que nos dão motivos pra sorrir e para chorar, para amar e odiar, amigos não são para todas as horas, somente para as horas que lhe convém. Mas o que há de especial na amizade é a garantia de que ter alguém contigo na estrada da vida, faz com que o tempo passe mais rápido e que o espaço seja mais curto, ter um amigo é ter a garantia de que alguém gosta de você sem pedir nada em troca, alguém que gosta de você como um ser cheio de defeitos. Verdadeiros amigos te aceitarão como és, irá corrigir aquilo que em ti faz mal para si mesmo e para outrem, verdadeiros amigos lutam para que a amizade permaneça, se não lutam é porque não são amigos, muito menos verdadeiros. Abri mão de muitos amigos, porque antes mesmo de lutar por eles, descobri que a luta já estava perdida.

"O homem do conhecimento não só deve poder amar seus inimigos, deve também poder odiar seus amigos." (Nietzsche)
Marianne


Chore estrelas, pequena nebulosa, diante dos meus olhos vazios. O seu brilho é uma transa de néons, um oceano que minha alma mergulha apenas nesse instante de olhar; mas eu não te senti, duvido da sua existência como da existência dos anjos. Nebulosa, seu véu negro esconde o pesar que você carrega em suas costas, eu vejo, mas não sinto. A beleza do seu fenômeno é impossível registrar, nenhuma nebulosa é igual à outra, mesmo dentro de um universo infinito ao nosso conhecimento, você entende o quão única és? Brilhe, porque você é o berço dessas estrelas nenéns, eu quero seu brilho, a sua criação estampada no meio desses livros que guardam a alma de cada autor. É essa sua cor melancólica, esses tons mortos e florescente que há em sua palidez que tanto me hipnotiza, é essa ausência de tudo, essa loucura silenciada, esse vagar empoeirado, solitário, mesmo na companhia de trilhões de corpos celestes ao redor, é o seu vazio que é igual ao meu vazio, esse vazio que se faz de imã, fazendo com que as minhas estrelas se choquem com as suas estrelas, explodindo em faíscas de dores o nosso sentimento desprezado por nós mesmos...

Para meu amigo que diz que não existe... Sch.
Marianne


Haviam preparado para nós um jardim decorado pelo outono, mas com o perfume da primavera. Ali tinha um colchão de folhas e o céu estrelado era iluminado por estrelas de ouro. Nossa lua era de diamante e a brisa era composta por notas harmônicas jamais ouvidas. Era o lugar que adormecia nosso amor, um amor cuja existência foi preso no paraíso da nossa imaginação, sem nunca poder pertencer à realidade. Ele era, era, pois já não mais é; era tão grande que não cabia nesse universo, então matou a si mesmo com o fel da sua covardia, afogou a si mesmo no lago, como Narciso, deixando as águas cristalinas verterem em um vermelho jamais visto. E o céu de tão aflito cobriu com nuvens todas as estrelas para não deixá-las ver o horrível crime que acontecera embaixo de si. E a melodia da brisa chorava a despedida daquilo que a inspirava. Sem o nosso amor, o caos passou a deformar o cenário mitológico, até o próprio inverno cobriu de neve tudo o que viu, na tentativa de congelar o próprio tempo para que aquilo não agravasse mais. E abriu-se então um abismo, cuja existência é a ausência do amor morto, um abismo sem ponte, um abismo que não se atravessa, pois não há mar para navegar por baixo dele, nem um céu para voar. Na morte do amor, o que era se torna nada, o tudo é agora nada.
Marianne

Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura
Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte
E Ela era a minha estrela, o meu único Norte,
O grande Sol de afeto - o Sol que as almas doura!

Fugiu... e em si a Luz consoladora
Do amor - esse clarão eterno d'alma forte -
Astro da minha Paz, Sírius da minha Sorte
E da Noute da vida a Vênus Redentora.

Agora, oh! Minha Mágoa, agita as tuas asas,
Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas
E, num Pálio auroral de Luz deslumbradora,

Ascende à Claridade. Adeus oh! Dia escuro,
Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro;
Aurora morta, foge - eu busco a virgem loura!
Marianne
De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de lágrimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

De modo tal minha atenção desvias,
Com tal perícia meu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, mais ardor terias.

Olho-te: cega ao meu olhar te fazes ...
Falo-te - e com que fogo a voz levanto! -
Em vão... Finges-te surda às minhas frases...

Surda: e nem ouves meu amargo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!
Marianne


Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
Ao coração que sofre

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
Marianne

O amor amado por um único indivíduo é martírio, sofre a indiferença, a covardia do ser amado, que nega, fugindo, assumir o sentimento que permeia para ser saciado. Amo o amor, mas odeio o objeto amado. Eros não é Filia, muito menos Ágape, Eros é devastador, quer por que quer e não há razão no seu querer, se sua flecha é posta em nosso peito e ali ficar sem os cuidados do amante, inflama, trinca em mil feridas, até que a vítima morra sangrando o sangue de seus próprios sentimentos ignorados. Eros chora na soleira do templo dos corações que foram partidos, rasgados ao meio por seu arco. É viver no paraíso de Tártaros, sentir fome e não poder pegar o fruto desejado, sentir sede e não poder beber desse oásis, ser um fantasma no nirvana, estar ali e ao mesmo tempo não estar, ser só desejo e não ser corpo para saciá-lo. Assassino, ladrão, escrúpulo, aquele que desperta o amor sem querer correspondê-lo, ah como esses seres deveriam ser afogados pelas almas agonizantes que se perpetuam nas águas de Hades. Amar e não ter a coragem de viver esse amor, é o mesmo que massacrar uma carne, um corpo vivo sem matá-lo, é retirar toda a pele de um corpo de pedaço em pedaço e quando tornar-se somente músculos, recriar essa pele e começar a tortura novamente. O amor foi feito para ser amado e não rejeitado.
Marianne
“Há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”

Pablo Picasso


Marianne
 (...)

Contudo os homens matam o que amam
Seja por todos isto ouvido,
Alguns o fazem com acerbo olhar,
Outros com frases de lisonja,
O covarde assassina com um beijo,
O bravo mata com punhal!

Uns matam seu amor, quando são jovns,
Outros quando velhos estão;
Com as mãos do Desejo uns estrangulam
Outros do Ouro com as mãos;
Os de mais compaixão usam a faca,
O morto assim logo se esfria.

Uns amam pouco tempo, outros demais;
Este o amor compra, aquele o vende;
Uns matam a chorar, com muitas lágrimas,
Outros sem mesmo suspirar:
Porque cada um de nós mata o que ama,
Mas nem todos hão de morrer.

Duma morte infamante ele não morre
Num negro dia de desgraça,
Nem corrediço nó tem no pescoço,
Nem lhe cobrindo o rosto um pano,
Nem, faltando o soalho, os pés lhe caem
Pendentes no vazio espeço.

WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.

Marianne
"Blogueiros por um mundo melhor - nós fazemos a diferença"!

Espero estar fazendo certinho. Um bom amigo de blog e educador, Gilmar (Caminhar & Ruminar), me passou essa iniciativa, demorei um pouco pra refletir sobre o tema, mas segue:



UMA DAS CHAVES É A (RE)EDUCAÇÃO


Pensar em um mundo melhor é pensar em tantas coisas. Devido ao campo que estou de estudo, não tem como pensar nisso sem ter a influência dos grandes pensadores e escritores.

Penso que, educar de forma diferente a geração que está por vir e a que está crescendo, seria uma das maneiras de recriar um mundo melhor. Mas como? Observando todos os erros cometidos pelas gerações que se foram e pelas gerações que ainda estão aqui e corrigir, ou melhor, evitar que esses erros ocorram com nossas crianças. Teria muita coisa para analisar sobre isso, uma delas por exemplo seria educar indivíduos de maneira que não se acomodem no senso comum e nem sejam um bando de alienados nos vícios, sejam eles no consumo, nas drogas (farmacêuticas ou ilegais), enfim, em tudo.

Se eu fosse escrever uma longa reflexão sobre isso, eu usaria três grandes obras para refletir:

Emílio – Rousseau
Introdução ao Pensamento Complexo - Edgar Morin
Novum Organum – Francis Bacon

Em Emílio, Rosseau vai trabalhar com a educação de um indivíduo desde o instante do parto, a proposta que ele oferece é muito interessante, ele cria esse indivíduo até a maturidade. Óbvio, não tem como ter a absoluta certeza de que tal individuo irá seguir perfeitamente o que Rosseau sugere, principalmente porque a mente humana é imprevisível, mas tem muita coisa nessa obra que da pra aproveitar muito no trabalho da educação.

Na obra de Edgar Morin, ele vai estabelecer um pensamento que descarta o método cartesiano, mecanicista, de dividir uma coisa em partes para entender o todo, dois exemplo que posso citar, dividir o relógio em pedaçinhos para entender ele todo, até mesmo na medicina, cada doutor é especialista em uma parte do corpo, somos tão “doutrinados” a dividir tudo, que acabamos não dando atenção ao todo, enfim, mas o que isso tem a ver com educação e mundo melhor? Vejamos, não adianta trabalhar com indivíduos isolados na sociedade, temos que trabalhar com o individuo e com a sociedade, considerando que o individuo é uma parte e a sociedade é o todo. Pra não prolongar muito, eu recomendo essa obra, é muito interessante.

Em Novum Organum, Francis Bacon irá falar dos “ídolos”, os ídolos que temos que nos libertar, como estou escrevendo de cabeça, vou adotar o resumo da Wikipédia pra dar uma leve passagem sobre o que são esses ídolos:

"No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:

1) Idola Tribus (ídolos da tribo). Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana.
2) Idola Specus (ídolos da caverna). Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platônica;
3) Idola Fori (ídolos da vida pública). Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos;
4) Idola Theatri (ídolos da autoridade). Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro."

Acredito que nossa cultura está um tanto “poluída” de ilusões, de mentiras, de fantasias, que bloqueia nossa visão, não nos permite enxergar boas maneiras de convivência com outrem. A proposta de Bacon é muito interessante também.

O que eu gostaria de deixar, não é uma solução, mas uma nova visão, os antepassados deixaram tantos materiais no intuito de fazer com que as pessoas criassem consciência e percebesse os fenômenos que ocorrem ao nosso redor, mas todos estão tão ocupados investindo em bolsa de valores, em convencer a população a consumir, que pouco importam o quanto tem que explorar e destruir pra isso...

Para um mundo melhor eu indicaria uma reavaliação da nossa educação, um investimento na geração que está por vir, educação sem alienações, sem “ídolos”, sem fantasias, sem pressões, uma educação sadia e bons educadores que gostam do que faz e não o que vemos hoje - óbvio, não são todos, mas uma parcela quantitativa.

No mais, já prolonguei muito, mas gostei da iniciativa, se leram até aqui, obrigada pela paciência.

~ • ~
Eu indico:

Contra Correnteza

(...) A maioria dos que eu sigo eu indico.

~ • ~

As regras são as seguintes:

a - exibir, no blog, a imagem do selo e apoiar;
b - colocar o link do blog que lhe deu o selo;
c - indicar o número de blogs que quiser;
d - postar "algo" dizendo como se deseja que o mundo seja. Como esse mundo pode ser melhor.
Marianne
Pode falar o que quiser, mas eu gosto da escrita do Paulo Coelho. Fodam-se os críticos que se auto-rotulam intelectuais, donos da verdade. A importância do livro não está somente no conhecimento que nos é transmitido, mas no sentimento que nos é provocado. Bom, vou postar um post dele na coluna da globo, que eu adoro:

PAULO COELHO
Mensagem do Dia - Globo.com
(06/09/2008)

De destruir

No auge do sucesso como romancista e autor teatral, Oscar Wilde entrou na Justiça contra um marquês que falava mal dele. O marquês conseguiu inverter o processo, e Wilde foi parar na prisão.

Ali escreveu seu mais belo poema, onde procura entender porque o homem termina sendo seu próprio carrasco.

Estes são alguns versos de “A balada do cárcere de reading”:

A gente destrói aquilo que mais ama
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os covardes destroem com um beijo
os valentes destroem com a espada.
Mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama.

Marianne
Dashboard Confessional - The Best Deceptions

Ouvi sobre sua viagem
Ouvi sobre seus souvenirs
Ouvi sobre a brisa gelada, e as noites geladas, e os caras legais
Com quem você as passou.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.

Você não vê? Você não vê que a farsa acabou?
E todos os prêmios de "Melhores Decepções" e "Histórias Engenhosas"
Vão para você
Então me beije com força porque essa vai ser a última vez que eu vou deixar.
Você vai voltar um dia
E esse beijo estranho que fala sobre os lábios de outras pessoas
estarão fora de serviço,
para te manter longe.

Eu ouvi sobre seu arrependimento
Eu ouvi que você sente muito
Eu ouvi de alguém que você quer acertar as coisas entre nós.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.

Você não vê? Você não vê que a farsa acabou?
E todos os prêmios de "Melhores Decepções" e "Histórias Engenhosas"
Vão para você
Então me beije com força porque essa vai ser a última vez que eu vou deixar.
Você vai voltar um dia
E esse beijo estranho que fala sobre os lábios de outras pessoas
estarão fora de serviço,
para te manter longe.

Eu estou esperando o sangue correr para os meus dedos.
Eu ficarei bem quando minhas mãos esquentarem.
Ignorando o telefone, eu preferia não ter dito nada.
Preferia que você nunca tivesse ouvido minha voz.

Você está ligando tarde demais, tarde demais para ser gentil.
Você não merece longas despedidas
Você está ligando tarde demais.
Você está ligando tarde demais.
Você está ligando tarde demais.


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