Marianne

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Mário Quintana
Marianne


• Às vezes, quando uma pessoa está faltando, o mundo inteiro parece despovoado.

• Justo quando a lagarta pensou que o mundo tinha acabado, ela virou uma linda borboleta.

O que se resigna a rastejar como um verme, renuncia ao direito de protestar quando o esmagam.
Marianne

(I never loved you...)

 
Parte I
Jesus dos Subúrbios

Eu sou o filho do ódio e do amor
O Jesus dos Subúrbios
Da bíblia de "nenhum ancestral"
Numa dieta de
refrigerante e Ritalina
Ninguém nunca morreu por meus pecados no inferno
Tanto quanto eu posso dizer
Pelo menos com os quais eu escapei impune

E não há nada de errado comigo
É assim que eu suponho ser
Numa terra do faz de conta
Quem não acredita em mim

Pego minha televisão concertada
Sentado no meu crucifixo
A sala de estar, dentro no meu útero privado
Enquanto mamãe e padrasto não vem
Apaixonar-se e endividar-se
Com álcool, cigarros
E Mary Jane (Maconha)
Para me manter insão
usando a cocaína de alguém.

E não há nada de errado comigo
É assim que eu devo ser
Numa terra do faz de conta
Quem não acredita em mim

Parte II
Cidade dos Condenados

No centro da terra
No estacionamento
De 7-11 onde eu fui ensinado
O lema era uma mentira

Ele dizia: "Lar é onde o seu coração está"
Mas que vergonha
Porque os corações das pessoas
não batem iguais
Estão batendo fora de tempo

Cidade dos Mortos
No final de outra estrada perdida
Sinais guiando para lugar nenhum
Cidade dos Condenados
Crianças perdidas com rostos sujos hoje
Ninguém parece se importar

Eu li a pixação
Na parede do banheiro
Como sagradas escrituras em um shopping center
E parecia confessar

Ele não dizia muito
Mas confirmou que
O centro da terra
é o fim do mundo
E eu não deveria me preocupar

Cidade dos Mortos
No final de outra estrada perdida
Sinais guiando para lugar nenhum
Cidade dos Condenados
Crianças perdidas com rostos sujos hoje
Ninguém parece se importar

Parte III
Eu não me importo

Eu não me importo se você não
Eu não me importo se você não
Eu não me importo se você não se importa (4x)

Eu não me importo.....

Todo mundo é tão cheio de merda
Nascidos e criados por hipócritas
Corações reciclados porém nunca salvos
Do berço ao túmulo
Nós somos os filhos da guerra e da paz
De Anaheim ao Oriente Médio
Nós somos as histórias e os discípulos
Do Jesus dos Subúrbios

Terra do faz de conta
E que não acredita em mim
Terra do faz de conta
E eu não acredito
E não me importo! (5x)

Parte IV
Cara Amada

Cara amada, você está me ouvindo?
Não me lembro de uma só palavra que você disse
Somos dementes?
ou sou perturbado?
O espaço que está entre insanidade e a insegurança

Oh terapia, você pode por favor preencher o vazio?
Sou retardado
ou só estou muito alegre?
Ninguém é perfeito e eu sou acusado
Por falta de palavras, esta é minha melhor desculpa

Parte V
Contos de Outro Lar Despedaçado

Viver, e não respirar
É morrer, em tragédia
Correr, fugir para encontrar aquilo que acreditamos

E eu deixo para trás essa porra de furação de mentiras
Eu perco a minha fé com essa, essa cidade que não existe
Então eu corro, eu fujo
Para a luz dos masoquistas

E eu deixo para trás essa porra de furação de mentiras
E eu, andei nessa linha uma merda de um milhão de vezes
Mas não desta vez

Eu não sinto vergonha nenhuma, eu não vou pedir desculpas
Quando não existe em nenhum lugar que você possa ir

Fugindo da dor quando você tiver sido vitimado
Contos de outro lar quebrado

Você está indo embora...
Você está indo embora...
Você está indo embora...
Você está indo embora... de casa.
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Marianne


No fim da tarde resolvi arrumar minhas coisas para o início do período facultativo amanhã; então voltei a usar minha antiga maleta e minhas pastas, embora elas sejam mais pesadas que uma mochila, elas são boas para conservar os livros. Mas que importância há nesse detalhe? Não há uma importância, há uma nostalgia... Como todo começo de agosto, aquele frio gelado e um vento agitado começam anunciar mudanças; lembro do último ano do meu mestre na universidade, as noites em que eu ficava esperando a conclusão da aula dele para discutir novas idéias e atividades com os alunos, sempre insistia de uma forma ou de outra sobre a capacidade dele de escrever um livro, mas todos são tão egoístas, que mesmo que eu jurasse que um livro do mestre era algo valioso que eu poderia ter, parecia ser algo só da boca pra fora...


Mas me veio à tona o primeiro dia que conversamos... O senhor com uma fisionomia juvenil me fez duvidar da sua capacidade de ensino, depois dessa experiência aprendi a não julgar sem antes conhecer e conviver. Ouvia com toda atenção cada história e reflexão embaraçada que eu fazia, sempre me dando espaço para conversar e em seguida corrigia meus erros de forma tão discreta. Era também tão criticado, mas o que mais me deixava curiosa era a forma que agia diante disso e das pessoas que não gostavam de ti, era tão silencioso, tão formal e gentil, mas ao mesmo tempo parecia ser forte como uma rocha, inabalável, inatingível... Sempre ajudando quieto e não divulgava, não tinha necessidade de ser reconhecido.

As pessoas sempre viam maldade em tudo, até que entendi que a frase “a malícia está nos olhos de quem vê”, tem realmente algum sentido. Cada um que apontava, apontava na verdade para um espelho. Mas o senhor nunca foi leviano com ninguém, parecia nunca perder a paciência e isso deixava todos eles com a ira á mil, até que desistiam por não saberem agir... Para eles era como dar murro na parede e ficar com as próprias mãos machucadas.

O tempo que convivi com o senhor, pude compartilhar na presença de um mestre, a presença de um pai, de um irmão e sobre tudo – um grande amigo. Me ensinou a suportar os obstáculos, me ensinou a ter postura, me ensinou a respeitar o pequeno da mesma maneira que o grande, o fraco, o forte, o corajoso e o covarde, afinal, todos irão ter a mesma coisa, assim como tiveram a vida, também terão a morte, será igual para todo mundo...

Peguei aquela carta que o senhor entregou para os seus pupilos, todo início de semestre eu a releio, pois sei que sempre esqueço uma coisa ou outra que é importante para a minha formação, mas a frase de João Guimarães Rosa que ali deixaste sempre me faz criar animo para recomeçar ou para continuar.

Agora se faz ausente, nossos relógios giram em horários opostos, não deixou nem por perto a sua sombra e eu não consigo tempo para procurá-la, mas deixou o que era o necessário: um bom exemplo. E sabe o que me deixa ansiosa, é saber que nesse novo silêncio que o senhor lançou, há – embora não tão longe – um bom homem á escrever o seu próprio livro.

Como estarei ausente devido o aumento das responsabilidades, pensei em escrever algo antes de estacionar meu cantinho de escrita aqui e sem querer escrevi sobre a passagem de um bom mestre.

Obrigada por ter acreditado na minha capacidade, estou fazendo o meu melhor para dar conta. Acredito fortemente também na sua capacidade de escrever uma boa obra que venha a ajudar e influenciar mais uma geração daqueles que ainda fazem alguma coisa para mudar a educação de tantos indivíduos que nos rodeiam.

Enfim, a gente se encontra nos corredores da vida por ai!

Guten abend!
Marianne
 
Mudanças ocorrem!
Marianne
Não ter amigos é tão perigoso como fumar, aponta estudo

DA EFE

Não ter amigos pode ser tão perigoso para a saúde como fumar ou consumir álcool em excesso, diz um estudo de cientistas americanos publicado nesta quarta-feira no site da revista "PLoS Medicine".

Os especialistas asseguram que o isolamento é ruim para a saúde e, no entanto, essa é uma tendência cada vez maior em um mundo industrializado no qual "a quantidade e a qualidade das relações sociais estão diminuindo enormemente".

Estudos prévios demonstraram que as pessoas com menos relações sociais morrem antes daquelas que se relacionam mais com amigos, conhecidos e parentes. 

Fonte: Folha.com

Imagina só então quem fuma e se isola!?
Marianne


Peguei uma trilha deserta e resolvi caminhar para pensar em alguma coisa antes de agir. A ação não vem a priori do ato, por isso ser calculista é essencial. Andei pensando em todo nosso passado e como nossa história foi toda invertida, o que percebo é que a mentira é uma verdade escondida por aqueles que dominam... Não, não estou em uma febre de conspiração de Dan Brown, isso me provoca um pouco de risos isolados e abafados em quatro paredes... Esse mês começo a licenciar, então ando pensativa sobre que educação passar para uma geração mais jovem, visto que a adolescência é o período que irá determinar a maturidade de cada indivíduo ali, atrás daquelas mesas, digo com certeza pois passei muito por isso, então me peguei em um pensamento já desgastado, qual a diferença que pode ser feita?

Me perguntaram essa semana porque escolhi esse caminho, porque não continuei em Negócios Internacionais, embora o lucro seja baixo no que escolhi agora, mas, desde quando to me preocupando com lucro? Escolhi por puro egoísmo, narcisismo, além de me preparar para dominar e não ser dominada, ter bons argumentos de defesa e melhores argumentos para ataque! – Sim, isso é o que quero que vejam e não o que realmente vou fazer. Eu não fico olhando o erro dos outros diariamente e criticando, observo o comportamento das pessoas sim, para poder lidar com elas e a partir do momento que eu percebi que uma das coisas que contribuem na formação do indivíduo é a educação, resolvi ir por esse caminho. Ver aqueles jovens com aqueles olhares cheios de vitalidade e energia, querendo viver e dar presença á sua existência e a maneira como eles te olham com uma curiosidade, querendo saber de tudo e de todos, uma necessidade de conhecimento... É tão belo como os fenômenos mais intensos que se apresentam á minha frente.

É, isso vem me preocupando um tanto, visto que a responsabilidade de um educador exige muita dedicação e uma preparação ética valorativa, um professor é um exemplo, então que exemplo devo ser? A sociedade e os indivíduos que caem em seu jogo, não sabem lidar com pessoas indiferentes á ela, por isso dou ênfase nisso, ser indiferente para não ser dominada... Bom, seja como for, haverá muito trabalho pela frente, acredito que o próximo Decatlo Acadêmico, em agosto, onde começo meu trabalho na Iniciação Científica irá ser um bom começo para elaborar um esquema de ensino para uma boa formação de indivíduos mais conscientes e com o envolvimento na Comissão de Alunos, será também um bom trabalho á ser desenvolvido. Afinal, será essa geração que está sendo criada que irá ser o exemplo para os meus filhos... Tudo é como uma reação em cadeia, sem intervalo mesmo...

Quando caminho pela praça da minha cidade e em outros lugares também, vejo o diálogo das crianças, que já nem parecem mais crianças, uau, fico um tanto paralisada... Meus pais sempre me ensinaram a respeitar qualquer tipo de pessoa, até mesmo as que eu odeio, as que tentam me agredir fisicamente ou verbalmente, e juro, foi esse ensinamento que me ajudou nos momentos mais difíceis... A tarde quando caminho com meu pai para ver o pôr do sol, ele me diz que se você odeia uma pessoa, essa pessoa cria domínio total sobre você, pois seus sentimentos se voltam somente para ela, seu psicológico é destruído por ela... Não é certeza que o sol irá nascer amanhã, só porque ele nasceu todos os dias, mas é certeza que aquele pai já com seus cabelinhos brancos com sua vitalidade já no fim, que me chama para caminhar com ele, irá deixar de acordar bem antes do dia que o sol deixará de nascer. O amor começa no lar, quem não tem amor no lar ou não tem um lar, ainda tem a escola, embora somente a pública aceite todos os indivíduos, porque não começar por ela? Há muitos obstáculos no caminho, como o governo e tudo mais, que determinam o que devemos ensinar, mas eles não ficam na sala de aula para ver os indivíduos que estão desenvolvendo, então o governo é apenas uma pedrinha no sapato... É o que eu vou ensinar e como vou ensinar que irá determinar a papel daquele indivíduo na sociedade.

Mas meu pensamento não foge muito daquilo que escrevi na iniciativa dos “blogueiros” sobre Um Mundo Melhor. Logo eu que fui jogada pra ficar atrás de uma mesa controlando uma empresa, contrariei definitivamente a expectativa de muitos, mas não me julgo a ovelha negra da família, como eu falei certa vez, não pertenço a rebanhos de ovelha, talvez á uma matilha de lobos... brincadeira! Não minto, não vejo a hora de começar!!!
 
Eu gosto de procurar conhecer as pessoas com gênio mais forte e dificil, pois sei que nesse caminho vou encontrar muitos e preciso estar pronta para trabalhar com eles também.

Sabe quando falam “quer mudar o mundo, então comece por você mesmo”? Foi essa mudança que tive que fazer, agora que ela está quase concluída, logo estarei fazendo a minha parte para criar seres humanos dignos de serem amados com todos seus defeitos e qualidades. Só espero que essa empolgação não seja inicio da formação de um educador, pois não quero ser aqueles tipos de professores chatos que parecem que dão aula por obrigação e tratam seus alunos como um fardo e como clientes, se isso acontecer abandono minha profissão...

Resolvi escrever sobre isso para refletir melhor e colocar as idéias em ordem, talvez porque é algo que não paro de pensar ultimamente...


Marianne
Quanto mais observo esse espetáculo noto que:

Quando reclamamos muito - pouco fazemos.

O tempo que se perde reclamando é o mesmo tempo que poderíamos estar agindo, para diminuir essas reclamações.


Marianne

Eu realmente queria saber
O que você tinha guardado
Eu realmente não pude dizer
Talvez esteja tudo bem
Eu vim aqui com um sonho
E eu apenas tinha que ver
Se meu sonho iria voar
Eu bati em todas as portas

Toda sua vida estava escrita
Escrita ali dentro
A nova bíblia semanal
Seu moderno guia da tv
A cada noite ele olha para a tela

Um homem vê apenas o que ele quer ver
Quando ele está em sua mente
Onde ele está onde quer estar
Vivendo em um mundo onde ele está a salvo da realidade
Você não vai se arriscar esta noite
E siga-me
Você não vai me seguir?

Não preciso mais de super-heróis
Não preciso de estrelas de cinema
Não preciso de políticos
Em grandes e brilhantes carros
Não preciso de pastores
Que tem sua igreja na minha televisão

Um homem vê apenas o que ele quer ver
[...]

Uma vez foi um herói acabado
Do tipo que todos nós conhecemos
Do tipo que se esconde dentro de nós
Pois nós nunca mostramos
O tipo que nós dizemos que nunca seríamos

Toda sua vida estava escrita
Escrita ali dentro
A nova bíblia semanal
Seu moderno guia da tv
A cada noite ele olha para a tela

Um homem ve somente o que quer ver

(Música: Fallow me - Savatage)
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Marianne

Estou um tanto entediada; tédio a meu ver é quando nada que está próximo de você provoca algum prazer, então fazemos à única coisa que segundo os antigos, nos traz a consciência de que existimos: pensar. Pensar e pensar e pensar, porém o meu pensar é em boa parte egoísta – penso somente em mim, mas penso com sinceridade, penso no que gosto e no que não gosto, por exemplo.

Não gosto dos seres humanos, mas quando afirmo isso não estou querendo me apresentar como uma nervosinha e revoltada contra o sistema, já tem bastante trouxas disponíveis fazendo isso, e afinal, já passei da idade dessas percas de tempo. Não gosto dessa raça humana mesmo e o que me deixa mais com tédio é saber que pertenço á ela, que sou ela; um ser tão frágil, tão limitado, tão manipulado por um psicológico totalmente frouxo e cego por afeições desnecessárias. Tem tédio maior do que sentir sentimentos? Adoro leituras poéticas e tudo mais, pois na poesia valorizam um pouco a inutilidade de ser o que somos: pó e sopro. Depois falam sobre a “evolução” do homem e da sua tecnologia, mas eu penso “ta e daí?”, no final é o homem destruindo o próprio homem.

Minha ganância gostaria de ser Deus, mas minha preguiça me diz que isso deve dar uma enxaqueca maior das que a que sinto ouvindo um monte de gente falando.

O que me enjôo mais é todo mundo se achar o dono da verdade sem entender que cada um é doutor só na sua área, afinal estamos amarrados no raciocínio mecanicista, agora me vem os ignorantes de plantão querendo mostrar que sabe de tudo, quando não consegue explicar para si mesmo nem o que são. e nem o que querem.. Se algo que eu aprendi é não discordar dos ignorantes, deixe sempre eles acreditarem que te convenceu daquilo que para eles é uma realidade, pois dar murro em ponta de faca é muito cansativo e tentar ensinar o “abc” pra quem ainda não quer largar as fraldas, é um desperdício imenso. Não minto, às vezes é divertido brincar com essas pessoas, a maneira como elas agem quando querem exibir-se é bem curioso!

Pois bem... Estou com tédio de ficar por aqui também, vou pegar minha xícara de chá e ficar contanto as estrelas, não é nada útil, mas é uma distração de tempo, ao menos nesse cenário em cima da minha cabeça, meus olhos não enxergam nenhum ser humano.
Marianne

– Nem uma rosa vermelha em todo o meu jardim! – gritava o Estudante, cujos belos olhos se enchiam de lágrimas -. Ah! De que insignificantes coisas dependem a felicidade! Tenho tudo quanto escreveram os homens sábios e possuo todos os segredos da filosofia, mas minha vida se torna desditosa por falta de uma rosa.
– Eis aqui, pelo menos, um amante verdadeiro – disse o Rouxinol, tenho cantado, noite após noite, sem conhecê-lo. Noite após noite, tenho contado sua história às estrelas e agora o vejo. Seu cabelo é negro como a flor do jacinto e seus lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas a paixão tornou-lhe a face pálida como o marfim e a tristeza marcou-lhe a fronte com seu selo.

[...]

– Eis aqui, de fato, o amante verdadeiro – disse o Rouxinol –. Sofre o que dele canto; o que para mim é alegria, para ele é dor. O amor é realmente uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que esmeraldas e mais precioso que esplendidas opalas. Pérolas e granadas não podem comprá-lo, porque não se acha exposto nos mercados. Não pode ser comprado por mercadores, nem pesado na balança em que se pesa o ouro. (pág 239)

[...]

...pois o Amor é mais sábio do que a Filosofia, ainda que esta o seja, e mais forte do que o Poder, ainda que este o seja. Suas asas têm cor de chamas e seu corpo cor de fogo. Seus lábios são doces como o mel e seu hálito é como incenso. (pág 241)

[...]

– Tem estilo – disse a si mesmo, enquanto atravessava o bosque –. Não se lhe pode negar isto. Mas tem sentimento? Receio que não. É de fato como muitos artistas: é todo estilo, sem nenhuma sinceridade. Não se sacrificaria pelos outros. Pensa simplesmente em música e toda a gente sabe que as artes são egoístas. (pág 242)

[...]

– Que coisa estúpida é o Amor! – disse o Estudante, enquanto se retirava –. Não é nem a metade tão útil como a Lógica, pois não prova coisa alguma e está sempre falando de coisas que não sucederão e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdadeiras. Na verdade, não é nada prático e, como nesta época ser prático é tudo, voltarei à Filosofia e ao estudo da Metafísica. (pág. 243)

WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.


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Nota: Além do meu amor pela Filosofia, não nego minha paixão pela Literatura. Estou tentando ler a obra completa de Oscar Wilde, tenho uma grande admiração pela vida e pela obra desse escritor, principalmente quando é voltado á Estética. Pesquisando imagens encontrei esse conto completo, logo depois de ter copiado do meu livro, mas enfim, quem gostar nesse blog (Alexandre Leme) está disponível . Boa leitura!
Marianne
 O PRÍNCIPE FELIZ


Uma noite, voou sobre a cidade uma pequena Andorinha. Suas companheiras tinham partido para o Egito seis semanas antes, ela, porém, ficara para trás, pois se achava de amores com um Caniço. Vira-o logo no começo da primavera, quando voava sobre o rio, em perseguição a uma grande borboleta amarela, e sentira-se tão atraída pelo esbelto talhe dele que parara para dirigir-lhe a palavra.
– Deverei amá-lo? – disse a Andorinha, que gostava de entrar diretamente em assunto, e o Caniço fez-lhe uma profunda vênia. Pôs-se então a Andorinha a voar em redor dele, roçando a água com suas asas e fazendo tremulinas prateadas. Era sua maneira de fazer a corte e durou todo o verão.
– É uma paixão absurda – chirriavam as outras Andorinhas –. Ele não tem dinheiro e parentes não lhe faltam. (pág. 231)
[...]

– Queres vir comigo? – perguntou-lhe afinal, mas o Caniço abanou a cabeça. Era tão apegado a seu lar...
– Estivesse a zombar de mim – exclamou ela –. Parto para as Pirâmides. Adeus. (pág. 232)

[...]

– Uma vez que não tem mais beleza, não tem mais utilidade – Disse um Professor de Arte da Universidade. (pág. 238)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
Marianne
Estava "navegando" e encontrei em um site (Tópicos dos textos de Freud) um artigo sobre a obra de Freud "o Mal Estar na Civilização" muito interessante, tipo um "resumão" sobre alguns pontos:


Tópicos dos textos de Freud (Apostila – item B)

(Do livro: "O mal estar da civilização", de Freud e do livro "Freud e a Cultura, de Betty B. Fuks)

1. Sonhos: a realização de um desejo não-satisfeito que acontece através do conteúdo manifesto. No entanto o significado está nos pensamentos latentes ou pensamentos inconscientes. os pensamentos inconscientes do sonho se disfarçam no conteúdo manifesto

- formas de elaboração onírica: condensação (é caracterizada pela síntese: os sonhos se apresentam breves, concisos e lacônicos); deslocamento: se caracteriza por uma transferência de intensidades psíquicas. Um elemento sem valor psíquico retira a atenção de outro verdadeiramente importante em relação ao desejo do sujeito)

* Na vida onírica a criança prolonga, por assim dizer, sua existência no homem, , conservando todas as peculiaridades e aspirações, mesmo as que se tornam mais tarde inúteis.

* Nos sonhos o inconsciente se serve, especialmente para a representação de complexos sexuais, de certo simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas.

* objeção ao fato de entender o sonho como satisfação de desejos: Freud responde: "A ansiedade é uma das reações do ego contra desejos reprimidos violentos, e daí perfeitamente explicável a presença dela no sonho, quando a elaboração deste se pôs excessivamente a serviço da satisfação daqueles desejos reprimidos."

* Simbolismo: o inconsciente se serve nos sonhos de um "simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas."

1. Sentido da vida humana: Os homens buscam a felicidade. Há dois aspectos nesta busca: um positivo: a experiência de intensos sentimentos de prazer; negativo: a ausência de sofrimento e de desprazer.

* Em outras palavras, o propósito da vida humana é o princípio do prazer. Mas a sua efetivação plena é impossível. "As normas do universo são-lhe contrárias". "Só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas."

* Se a felicidade é mais difícil de experimentar o mesmo não se pode dizer da infelicidade.

* Somos ameaçados pelo sofrimento, pelo desprazer que vem de três fontes: de nosso próprio corpo (envelhecimento), do mundo externo e de nossos relacionamentos com os outros homens. "O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro."

* formas de evitar o sofrimento:

a) manter-se à distância de outras pessoas, isolar-se; sujeitar a natureza através da ciência;

b) influenciar o nosso próprio organismo: por exemplo pela intoxicação que pode se dar através de uma droga externa ou através de reações químicas internas) "O serviço prestado pelos veículos intoxicantes na luta pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão altamente apreciado como um benefício, que tanto indivíduos quanto povos lhes concederam um lugar permanente na economia de sua libido ( = É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. É uma palavra latina que significa desejo, vontade). Porém segundo Freud "Sabe-se igualmente que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos. São responsáveis, em certas circunstâncias, pelo desperdício de uma grande quota de energia que poderia ser empregada para o aperfeiçoamento do destino humano."

c) aniquilamento dos instintos

d) SUBLIMAÇÃO: "quando se consegue intensificar suficientemente a produção de prazer a partir das fontes do trabalho psíquico e intelectual" "A tarefa aqui consiste em reorientar os objetivos instintivos de maneira que eludam a frustração do mundo externo." Seu limite: ". Contudo, sua intensidade se revela muito tênue quando comparada com a que se origina da satisfação de impulsos instintivos grosseiros e primários; ela não convulsiona o nosso ser físico." Exemplo: no campo da arte que usa muito a imaginação, a fantasia.

e) rompimento com a realidade: mas a realidade é mais forte e o desprazer e sofrimento sempre estarão presentes.

f) tentativa de obter felicidade no relacionamento emocional com os outros: busca amar e ser amado. Fazer do amor o centro de tudo. Porém: "... nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor. Isso, porém, não liquida com a técnica de viver baseada no valor do amor como um meio de obter felicidade."

g) Fruição da beleza: "oferece muito pouca proteção contra a ameaça do sofrimento, embora possa compensá-lo bastante."

CONCLUSÃO: ."O programa de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, ..., não pode ser realizado; contudo, não devemos — na verdade, não podemos — abandonar nossos esforços de aproximá-lo da consecução, de uma maneira ou de outra." Os caminhos podem ser diferentes. Depende de cada um. "O homem predominantemente erótico dará preferência aos seus relacionamentos emocionais com outras pessoas; o narcisista que tende a ser auto-suficiente, buscará suas satisfações principais em seus processos mentais internos; o homem de ação nunca abandonará o mundo externo, onde pode testar sua força"

Mas Freud diz algo importantíssimos para a psicanálise: ". Qualquer escolha levada a um extremo condena o indivíduo a ser exposto a perigos, que surgem caso uma técnica de viver, escolhida como exclusiva, se mostre inadequada. Assim como o negociante cauteloso evita empregar todo seu capital num só negócio, assim também, talvez, a sabedoria popular nos aconselhe a não buscar a totalidade de nossa satisfação numa só aspiração."

1. RELIGIÃO: Freud vê nas religiões uma fonte de promessas ilusórias à situação de desamparo originário que marca a subjetividade humana. Apelar a o Pai (Deus) significa pedir proteção contra a castração e a morte em um mundo onde a castração e a morte já estão consumadas. Freud se aproxima do adágio marxista de que "a religião é o ópio do povo"

Porém (e isto é sumamente importante) Freud não teve o objetivo de depreciar a crença religiosa mas combate o discurso religioso que se propõe a rebaixar o valor da vida deformando de forma delirante a forma do mundo real e consequentemente intimidando a inteligência humana. "A psicanálise nos ensina que as instituições religiosas, em sua grande maioria, valem-se da fragilidade do homem diante de seu próprio desamparo para fortalecer suas bases políticas. Unificam os fiéis em torno de uma verdade única, desprezam toda e qualquer expressão subjetiva e impedem o equilíbrio necessário entre o desejo do sujeito e as reivindicações do grupo social" (pág. 33, Freud e a Cultura, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro,ano 2003)

Mas Freud reconhecia a importância da religião como "uma sublimação ideal da humanidade na conquista ética e nos fundamentos da alteridade dos mais diversos povos" (op. Cit. Pág. 34)

2. AMOR AO PRÓXIMO, AGRESSIVIDADE, REPRESSÃO DA SOCIEDADE:

* Há uma oposição entre a nossa libido que quer se restringir ao amor entre duas pessoas e a civilização que exige a extensão da libido a um número maior de pessoas. "Convoca a libido inibida em sua finalidade, de modo a fortalecer o vínculo comunal através das relações de amizade. Para que esses objetivos sejam realizados, faz-se inevitável uma restrição à vida sexual."

* Por isto a sociedade emprega "métodos destinados a incitar as pessoas a identificações e relacionamentos amorosos (este é o sentido do mandamentos de amar ao próximo e até os inimigos) porque segundo Freud "... os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade."

* O fim da propriedade privada com o comunismo é a solução para acabar com a agressividade humana? Freud não acredita nisto pois "a agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas ( com a única exceção, talvez, do relacionamento da mãe com seu filho homem).

* Exemplo desta agressividade indestrutível através : Narcisismo das pequenas diferenças

+ O "Narcisismo das pequenas diferenças" está na base da formação do "nós" e do "outro". Ocorre na tensão entre povos vizinhos (por exemplo nas rixas entre brasileiros e argentinos), entre indivíduos de estados diferentes de um mesmo país (exemplo: entre cariocas e paulistas). São pequenas diferenças reais que criam impedimento para que o outro seja um perfeito semelhante. Tal fato deixa claro que o ódio não nasce da distância mas da proximidade. "É sempre possível unir um considerável número de pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua agressividade." O grupo produz seu outro partir do qual forja sua própria identidade eliminando as diferenças internas, fabricando uma unidade fictícia com o objetivo de perpetuar sua dominação. Cria-se imaginariamente um EU IDEAL. Em nome do amor à unidade, ficam abolidas as vontades individuais. O eu ideal se liga com o pai ideal na figura do Fuhrer, cuja vontade se confunde com a lei. Como no estado religioso há a ilusão de que o "líder carismático tem o poder de salvar a todos do desamparo primordial e da angústia real" assegurando "as reivindicações narcísicas de cada membro". (op. Cit. Pág. 47)

Mas isto só será possível se se eliminar ódio no interior do grupo. Então ele é dirigido contra o estrangeiro e este ódio favorece a coesão da comunidade. Ou seja, reprime-se o ódio ao idêntico a quem se ama para direcioná-lo ao outro, à alteridade. "Em nome do amor entre os membros a quem abraça, uma organização permite e incita a todos que expressem intolerância e crueldade contra os estrangeiros, aqueles que não aderem à concepção de mundo e à ideologia que ela difunde."

CONCLUSÃO: o fenômeno do narcisismo das pequenas diferenças desemboca na segregação e no racismo. "A vontade de uniformização dos indivíduos manifestada pelo nazismo, pelo fascismo e pelo stalinismo se inscreve para além da tendência de apagar a diferença no interior do grupo e passá-la para fora. Ela propõe o pior a eliminação de qualquer diferença, mesmo quando fora do conjunto" (op. Cit. Pág. 51)

Em "O mal estar na civilização" Freud alude ao fato de não ter sido por mero acaso que o sonho de um império germânico universal tenha precisado criar o anti-semitismo como seu complemento. O Reich alemão logrou instalar a segregação e a intolerância como meio de garantir o sucesso de sua unidade política.

"Obrigando o sujeito a escolher seu objeto de amor no interior do grupo, ficava abolida, de imediato, a proibição simbólica do incesto. Essa estratégia de burlar a castração imposta pela lei paterna marca um revés fundamental: a organização social fica ordenada sob a égide de um regime plantado sobre a denegação da morte e do narcisismo ilimitado." "... Uma das características da modernidade é essa tentativa de restabelecer uma figura de excesso que, oferecendo ás massas a quimera de protegê-la da castração e da morte, desenvolve em troca um poder ilimitado exercido paradigmaticamente nos regimes totalitários. Trata-se, na verdade, de uma estratégia de poder fixada na infantilização do sujeito, em sua dominação real que gera em escala coletiva a destruição e a morte" (op. Cit. Pág. 51)
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Marianne

Vago lentamente nessas folhas pálidas que refletem minha face, e um suspiro inesperado parece sussurrar o seu nome; como você, eu finjo que não sou eu, finjo que sou qualquer coisa para aliviar a culpa dos meus erros. Sabe, quando Antoine de Saint-Exupéry escreveu sobre a Rosa do Pequeno Príncipe e a crueldade do comportamento frio dela, eu compreendi que algumas mulheres são frágeis, não tem mais que dois ou três espinhos para se defender, e toda a agressão verbal e orgulho é para substituir a força física e sentimental que faltam nelas. Afinal, como aprendemos, pra ferir uma pessoa não basta um tapa no rosto, a dor do tapa passa... Atinja o psicológico dessa pessoa com poucas palavras e pra sempre ela ficará ferida... As palavras se tornam uma arma na boca de pessoas maliciosas e manipuladores não é mesmo?
Eu posso escrever também que compreendi os sentimentos de Dorian Gray quando ele conversava com Lorde Henry e este comenta que “a única diferença que há entre um capricho e uma paixão eterna, é que o capricho dura um pouco mais”, e Dorian falou que queria que a amizade deles fosse um capricho... Tudo o que consideramos bom, mesmo não sendo, queremos que dure sempre mais e mais...
Mas é tudo um tédio, pensei que você fosse o rei desse tabuleiro, que levaria um xeque-mate com mais dignidade, mas foi só mais um peão a ser lançado pra fora...
Não queria voltar a jogar com você e medir poder, mas você insiste em fazer disso um campo de batalha e sabe o que pode desagradar? Eu realmente não me satisfaço com a paz quando o jogo é contra você.
Marianne


Não queria ter acordado tão cedo, o meu leito era a minha fuga emergencial, mas algo que há em algum lugar dentro de mim grita, não sei onde, não sei, visto que tudo o que sinto vem da visão, não sei se o que expresso também sai dela. Há um rio com águas correntes que fica entre meu peito e meus olhos, eu o engulo seco na garganta, não posso deixá-lo afogar minha face. Há um demônio que sempre que se aproxima de mim traz consigo o inferno, o inferno da sua existência.