Marianne


Este instante exige silêncio, e por isso nenhuma reflexão
deve vir perturbá-lo, nenhum ruído de paixão quebrá-lo.
É como se eu estivesse ausente e, contudo,
é precisamente a minha presença que se encontra na
base da sua surpresa contemplativa.
As nossas naturezas estão em harmonia;
é em tal situação que uma jovem, tal como certas
divindades, é adorada no silêncio.

(Kierkegaard)

Do Blog da Mariana Klein
Marianne
Já é uma admiração e gosto infantil, adoro felinos e a natureza deles, vivo tirando fotos dos meus gatos (Nana, Nike e Branco), mas as vezes são tão orgulhosos que não param quietos! Vale a pena reler o que Freud escreveu sobre os gatos e seus donos: Professor Sabichano (para ler clique aqui)

Eis minhas crianças:

(Nike)

(Branco)

(Eu e o Nike - Olha o desprezo)

(Enfim Nana e seu olhar de "me deixa em paz!")
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Marianne
Devido ao ataque de riso surpresa que o dono desse blog me fez rir, ao modificar minha foto e colocar um sorriso nela, fica aqui como memória a imagem e a divulgação do blog (é sério, não consigo parar de rir). Ao menos minha dificuldade em rir em fotos tem solução agora, não é? hahaha



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Marianne

Amizade estelar. – Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos nos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois barcos que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol, parecendo haver chegado a seu destino e ter tido um só destino. Mas então a toda-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é a lei acima de nós: justamente por isso devemos nos tornar também mais veneráveis um para o outro! Justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos – elevemos-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade. – E assim vamos crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001.  (pag. 189-190)
Marianne

Faltam dois dias para setembro e noves dias para a data que sempre perturba minha mente, é a data cuja madrugada eu acordo, pego uma garrafa de vinho que comprei no dia anterior, especialmente para esse dia, desço ao quintal, me cubro com uma manta, estendo minhas pernas em um pequeno banquinho e degusto do gosto doce de uma data amarga. E se estou só, fumo um cigarro, como uma atitude da qual você desaprovaria... Vejo cada estrela sumir com a vinda do sol, e não consigo pensar em nada, apenas que há um silêncio perturbador em mim, fora de mim, em tudo o que há.

É o segundo ano que comemoro sozinha uma memória e seria o terceiro ano que talvez eu estaria comemorando contigo se você não escapasse pelos meus dedos, como escapou, viajando para um país ao qual eu não tinha capacidade de ir. Não gostaria de abrir mão de tudo o que conquistei depois da sua ida, também seria cômico se eu fosse atrás de você como um cão, com uma mão na frente e outra atrás, apenas um bicho de estimação sendo alimentado pelo seu dono, com um inglês que na época servia ao máximo para comprar uma água ou perguntar onde ficava o toalete...

Não sei se te amo ainda, depois de tantas coisas estudadas, entre elas filosofia da linguagem, semiótica, signos, psicanálise, a palavra “amor” já não tem o mesmo significado como quando eu era apenas uma criança que dormia no colo de seu noivo como se fosse um pai, que protegia de todo o mal, um delírio, um complexo de Édipo invertido talvez. Talvez eu sofria desse complexo... Mas afinal, quem não cria suas projeções?

Eu gostaria de saber como você está, éramos dois nerds se descobrindo, e isso era tão engraçado, embora você fosse quase dez anos mais velho que eu, você era tão cavalheiro, que às vezes fazia papel de criança para que eu não me sentisse infantil do seu lado, devido à diferença de idade. Entende o que tinha de especial em você? Essa humildade, como o dia que você veio visitar minha casa, que comparada a sua não era lá grande coisa, e eu falei pra você não reparar e você me respondeu que não namorava minha casa, nem beijava tijolos, que você namorava eu e isso era importante para você.

Um dia sei que você passará por aqui, e quando esse dia chegar, quero que leia apenas um pequeno texto que encontrei ao acaso no meio dos meus livros, tal texto trouxe a nossa situação como um furacão devastador... Sabe M. talvez eu não te ame, amor é algo forte demais, é muito romantismo, muita ilusão quando você sofre uma “lavagem cerebral” de conceitos.

Eu te contemplo, isso eu confesso, e contemplar é apenas olhar, não mexer, não alterar, apenas olhar, observar, nada, além disso... Contemplo-te numa febre, num delírio... Sabe, gostaria de ter nascido na mesma religião que a sua, mas essas coisas não escolhemos não é mesmo? Sei que sua família não me aceitou por causa disso, seus amigos me contaram... Mas não te culpo, nem culpo a eles, afinal, cada um tem sua realidade, não tenho direito algum de querer modificar isso.

Gosto de registrar alguns detalhes da nossa história, tenho uma memória péssima e sinto que tudo o que vivemos juntos está sumindo e tenho medo. Vou te guardar nessas linhas, nessas palavras, nesse texto melodramático e chato de ser lido até mesmo pelo próprio escritor...

O post á cima desse estará o texto que dedico com carinho a você, alguém que me ajudou a crescer como sujeito e a aprender perceber os objetos ao meu redor e defini-los com mais racionalidade... Bom, acho que isso é tudo que gostaria de expressar, sem intenção alguma, apenas escrever pra distrair um pouco... Não consigo finalizar isso de forma objetiva, desculpa.
Marianne

Traz-se dedicação, e pela navalha do desgosto e do descontentamento do que se ama o coração é dilacerado.

-Por que me feres?
-Porque te amo.
-Por que me amas?
-Porque és minha promessa de completude.
-Por que te completo?
-Por não ser o que sou.
-O que tu és?
-Forte.
-E o que sou?
-Frágil e fraco.
-Por que sou fraco?
-Porque me amas.
-Por que te amo?
-Porque te firo.
-Por que me feres?
-Por que te amo.


Retirado do Blog: Night Heaven



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Marianne
 
Relendo “A Gaia Ciência” de Nietzsche, na tradução de Paulo César de Souza, acidentalmente abri em uma página [93] e um tema me deixou curiosa, que na leitura anterior não havia chamado minha atenção como agora, segue:

O desejo de sofrer. – Se penso no desejo de fazer algo, que incessantemente agita e estimula milhões de jovens europeus, incapazes de suportar o tédio e a si mesmos – compreendo que neles deve existir uma ânsia de sofrer algo, a fim de retirar do sofrimento uma razão provável para agira, para a ação. A aflição é necessária! Daí o clamor dos políticos, daí as muitas “crises” falsas, inventadas, exageradas, de todas as classes possíveis, e a cega propensão a acreditar nelas. Essa juventude requer que venha de fora ou se torne visível – não a felicidade, digamos, mas a infelicidade; e sua fantasia já se ocupa antecipadamente em formar um monstro a partir dela, para que depois possa combater um monstro. Se tais sequiosos de aflição sentissem dentro de si a força de interiormente fazer bem a si próprios, de fazer violência a si próprios, eles saberiam também criar interiormente uma aflição própria, pessoal. Então suas invenções poderiam ser mais refinadas e seus contentamentos poderiam soar como boa música: enquanto agora enche o mundo de seus gritos de aflição e muitas vezes, em conseqüência, do sentimento de aflição! Não sabem o que fazer de si mesmos – e desenham, portanto, a infelicidade de outros na parede: sempre necessitam de outros! E ainda e sempre de mais outros! – perdão, meus amigos, eu ousei desenhar minha felicidade na parede.

NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
Marianne
 [Imagem: Filme Lolita de Adrian Lyne do romance de Vladimir Vladimirovich Nabokov]

She's got a halo around her finger
Around you
(...)
She's not broken
She's just a baby
But her boyfriend's like her dad
Just like a dad
(...)
Don't wanna kiss
Don't wanna touch
Just smoke my cigarette and hush

Música: Alejandro
Cantora: Lady Gaga
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Marianne

Meu professor de Filosofia e História, o mesmo que foi de Antropologia Filosófica, Márcio Mariguela, deu ênfase nesse texto, então resolvi reler e deixar como memória aqui no blog, é muito belo:

Quem chegou, ainda que apenas em certa medida, à liberdade da razão, não pode sentir-se sobre a Terra senão como andarilho — embora não como viajante em direção a um alvo último: pois este não há. Mas bem que ele quer ver e ter os olhos abertos para tudo o que propriamente se passa no mundo; por isso não pode prender seu coração com demasiada firmeza a nada de singular; tem de haver nele próprio algo de errante, que encontra sua alegria na mudança e na transitoriedade. Sem dúvida sobrevêm a um tal homem noites más, em que ele está cansado e encontra fechada a porta da cidade que deveria oferecer-lhe pousada; talvez, além disso, como no Oriente, o deserto chegue até a porta, os animais de presa uivem ora mais longe ora mais perto, um vento mais forte se levante, ladrões lhe levem embora seus animais de tiro. E então que cai para ele a noite pavorosa, como um segundo deserto sobre o deserto, e seu coração se cansa da andança. Se então surge para ele o sol da manhã, incandescente como uma divindade da ira, se a cidade se abre, ele vê nos rostos dos quais aqui moram, talvez ainda mais deserto, sujeira, engano, insegurança, do que fora das portas — e o dia é quase pior que a noite. Bem pode ser que isso aconteça às vezes ao andarilho; mas então vêm, como recompensa, as deliciosas manhãs de outras regiões e dias, em que já no alvorecer da luz ele vê, na névoa da montanha, os enxames de musas passarem dançando perto de si, em que mais tarde, quando ele, tranqüilo, no equilíbrio da alma de antes do meio-dia, passeia entre árvores, lhe são atiradas de suas frondes e dos recessos da folhagem somente coisas boas e claras, os presentes de todos aqueles espíritos livres, que na montanha, floresta e solidão estão em casa e que, iguais a ele, em sua maneira ora gaiata ora meditativa, são andarilhos e filósofos. Nascidos dos segredos da manhã, meditam sobre como pode o dia, entre a décima e a décima segunda badalada, ter um rosto tão puro, translúcido, transfiguradamente sereno: — buscam a filosofia de antes do meio-dia.
Marianne

Não era mais que um indivíduo de seis anos de idade, pouco se sabia do real e das projeções psicológicas, todas aquelas imagens aparecendo junto com o som, nas badaladas do sino da igreja central, na pequena cidade povoada por italianos “sangue quente”. O som ressonava pelos ares e as crianças acordavam, e aquele indivíduo via, nos corredores de baixa luz, pessoas a caminharem pela sua casa. São assaltantes? Invasores? Passava as mãos entre a imagem incógnita que assombrava e então desaparecia. Permeava diariamente em sua mente a tentativa de significar o fato, o objeto, a cena, e a resposta ninguém conseguia conceber. Os livros, os livros não são bons ou ruins, mas bem ou mal interpretados... Misticismo, uma leitura mal feita arrasta tal indivíduo de meio metro de altura aos primeiros passos de um mundo insano, mas um mundo em que a loucura é a chave para abrir a porta que escondia todas as respostas, respostas essas que são certas e erradas, depende dos olhos que lêem, depende da percepção pessoal, depende da cultura, dos fatores externos, internos, dependência de tudo o que rodeia o sujeito e de tudo o que o sujeito rodeia. E assim nossa personagem continua e os dias passam como os segundos e de seis anos já se vê com doze e sua curiosidade a arrasta da teoria á prática e a loucura já se tornam parte do indivíduo, como um membro anatômico, a loucura pertence ao ser, assim como o ser a pertence. Dos doze anos já estamos aos dezesseis, nesse intervalo a mente insana já não armazenava nada do que era real, pois a dúvida da sua existência era a única coisa que para si parecia realmente existir, somente a dúvida, nada mais. Então ajudar a si mesmo já não era possível para nosso indivíduo, busca a ciência, os profissionais da psique, e apenas com alguns garranchos o profissional descreve, significa, define, cria e determina, esse sujeito é esquizofrênico; o uso de drogas é de emergência. O mal estar na civilização é lido perfeitamente nesse caso consumado. Um louco é uma ameaça para a sociedade, os entorpecentes denominados permitidos, legais perante a lei já não dissipam no organismo deteriorado pelos testes dos doutores da psique, esse indivíduo foi apenas uma cobaia que eles queriam sedar, mas falhou... Falha, a ciência não pode falhar, é o orgulho que está em jogo, carta, vamos para a carta, carta para uma clínica especializada em loucos, lugar em que qualquer louco se torna o além do louco, e o sadio vira suicida, o indivíduo já não responde por si mesmo, ele vegeta, sua voz não sai, dopado, sofre com o desequilíbrio da dopamina e serotonina. EFEITO, está sofrendo um efeito, de uma CAUSA, uma causa que não consegue encontrar, então tem que retornar ao passado para poder viver o presente e sobreviver projetando um futuro. Não, não deixaremos o manicômio entrar na rotina do indivíduo... Máscaras, há uma coleção de máscaras escondida dentro de cada um, o indivíduo encontra e aprende a usar e então ele se encaixa novamente na sociedade e a sociedade o aceita, mas as feridas não foram cicatrizadas, as frustrações não foram superadas e a loucura caminha ainda do seu lado, sussurrando ações prazerosas, ações banais, intui nosso indivíduo e ele finge de surdo, mas a loucura ainda está ali, esperando uma trinca na parede para invadir novamente, a loucura quer ação, quer reação... Eles negam, renunciam, rejeitam o fato, porque o único doutor da psique desse indivíduo e de tantos os outros é a própria loucura, que eles tanto faz para adormecê-la, pois não é capaz de matá-la. 

 Uma fábula sobre um pierrot contemporâneo...
Marianne




Próxima Sessão3C - Cinema, Conceito e Crítica que ocorrerá no dia 17 de setembro às 19h30 no bloco 2, auditório verde da Unimep - Piracicaba. Neste dia exibiremos o filme "O Enigma de Kasper Hauser" do cineasta alemão Werner Herzog e teremos a temática, "Entre a natureza e a Cultura", discutida pelos Professores: Nilton Júlio de Faria, Doutor em Psicologia Social e coordenador do curso "A subjetividade vista pelo cinema" na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC) e Josiane Maria de Souza, Doutora em Teoria Literária e Coordenadora do Curso de Letras - Licenciatura em Português da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).

Por Natalia Puke - Aluna do Curso de Filosofia e Coordenadora do Projeto Sessão3C.
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Marianne


“Não importa o quanto seja longa a jornada ou quão profunda a descida, no fim, só é preciso de um último passo. Um passo... Entre eu e a loucura. Entre a dor e o nada. Um único e pequeno passo...”. - Helen

“O que lembro é uma sensação que a realidade é fina. Acho que é fina, sabe. Fina como o gelo do lago após um desgelo. E preenchemos as nossas vidas com ruídos, luz e movimento, para esconder a finura de nós mesmos.” – Mathilda

“Estava preparada para lutar.
Não estava preparada para perder.” - Helen
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Observando o céu escurecer pela janela, enquanto o café esfria em minha xícara, tento elaborar alguma projeção, mas minha mente parece ser uma folha em branco, acabou o nanquim da minha caneta e eu esqueci de comprar, essa é a desculpa da vez.

Parece ser tão errado parar um pouco para ter um momento existencial... Quando há tanto a se fazer, mas ai então nessa sonolência a mente que nada produz, começa a dar reviravoltas no passado e a atenção vai justamente naquele caso mal resolvido, na frustração não superada, no adeus dado pela metade, na felicidade que só foi possível viver no instante.

Vidas distantes, caminhos complexos, conquistas impossíveis, há quem diga que as quedas nos proporcionam a chance de se reerguer, mas há quem vive estirado no chão que caiu...
Marianne
Olha, venha devagar para espionar esses cenários, mas não precisa vir em silêncio, afinal só estamos observando, não fazemos parte da história, não, não, não confunda-se com as personagens por causa das semelhanças de hábito.

Está vendo aquela casa, lá dentro é quentinho, vamos entrar, cheia de sofás, eletrodomésticos, geladeira e armários fartos de alimentos, alguns estão até estragando já, mas vamos mais á frente. Vê aquele quarto? Olha que guarda roupa cheio das melhores roupas, veja que cama macia, olha quantos cobertores, brinquedos, perfumes! Venha mais próximo, abra aquele baú, há bastante remédios não é mesmo? Há um indivíduo sentado na pequena poltrona mais á direita, esse indivíduo está angustiado, veja, veja, ele já corre para o seu baú, pega primeiramente um pouco de Ritalina LA, bebe a água que ele já havia colocado as 40 gotas de escitalopram, porém ainda seu organismo não está satisfeito, veja, agora ele está engolindo duas amitriptilina, um nortriptilina, alguns valium, lexotan e venlafaxina, agora está tudo bem, seu coração parece explodir no peito, mas foi possível fugir da realidade, deixe esse indivíduo deitar em seu leito, olha como ele pensa que está dormindo mesmo com os olhos abertos e suas pupilas dilatadas.

Agora vamos para outro lugar, naquelas casas amontoadas umas nas outras, algumas feitas até mesmo de papelão, latão, qualquer material que proteja do vento frio do inverno. Vamos entrar nesse aqui, parece uma caixa de fósforo, mas cabe 5 pessoas, porém só há uma nesse momento, um outro indivíduo, os olhos dele são bem vermelhos, seu corpo bem magro, ele está com medo de alguma coisa, anda nervoso desde que se mudou para essa comunidade, ele não tem baú, joga todas as coisas do lado de um colchão velho em que dorme com seu irmão; ele amarra seu braço e com uma seringa toda suja aplica algo, depois desenha uma cruz branca no chão e inala com os olhos bem fechados. Bom, não faltou muito para ele ver o teto girar, mas antes que os homens venham cobrar o que ele deve, ele já estará em outra dimensão, não sentirá frio e nem preocupações.

Então meu companheiro, o que há de diferente entre a elite e a plebe? E o que há de semelhança? Os engravatados bebem do mesmo pó posto na água dos que sujam o chinelo! Os engravatados sujam as mãos de sangue da mesma maneira que esses que usam a mesma camisa velha e rasgada. É só outro baile de mascarados... 

No fim do baile, ao tirar as máscaras, todos estarão desesperados tentando fugir de si mesmo. Não há diferença no desespero, apenas diferença na tentativa de matá-lo.



Marianne
Para quem é da area ou para quem não é, mas tem interesse no assunto, terá na USP um evento que será muito interessante e para mim de grande importância também... Fica aí o convite, irei no dia 24/08 apenas, para ver:

• Roberto Machado (UFRJ)
Deleuze e a alegria na Ética de Espinosa.

• Marilena Chauí (USP)
Os conceitos de intensivo e extensivo na Ética de Espinosa.

Mais informações: Filosofia USP

(Clique na imagem para ampliar)
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