Marianne

"Eu sei que nunca mais encontrarei ninguém que inspire uma paixão. Você sabe, não é tarefa fácil amar alguém. É preciso ter uma energia, uma generosidade, uma cegueira. Há até um momento, bem no início, em que é preciso saltar por cima de um precipício: se refletirmos, não o fazemos. Sei que nunca mais o farei"

(Sartre)
Marianne
Eu sinto que nesta estação do ano que se passou,
aquela pessoa preciosa pra mim
Olhou para trás, em minha direção,
com aqueles olhos que suspiravam suavemente...

Blurry Eyes - L'Arc en Ciel
Marianne

Tudo bem, tudo bem, tudo bem
As estações estão mudando
e as ondas se quebrando
e as estrelas estão caindo todas por nós
Os dias aumentam e as noites diminuem
Eu posso te mostrar que serei o primeiro

(...)

Por que você é, você é, meu verdadeiro amor, de todo meu coração
Por favor, não o jogue fora
Por que eu estou aqui por você
Por favor não se vá
Por favor diga que você vai ficar, ficar

Me use como você quiser
Me persua sutilmente só por emoção
E eu sei que ficarei bem
Embora meus céus se tornem cinza


Your Guardian Angel
The Red Jumpsuit Apparatus
Marianne
Estou me equilibrando sobre uma linha fina que liga minha lucidez com a minha insanidade. Minhas lágrimas são soltas no rio que corre e se perdem por lá como eu me perco pensando em você.

E você conseguiu seu troféu, você “chegou lá”, todos os aplausos são para ti e todas as incertezas e o gosto de “será que ele lembra de mim” ou coisas como “converse comigo” quando olho para o seu “nick”... Coisas inúteis ficaram para mim... Somos coisas tão inúteis!

Estou vendo por detrás dessa cortina, você realmente não me amava, você só queria um brinquedinho para suas horas de tédio... Você voltou então... Porque não me procuras? Um certo “oi, tudo bem?” faz uma diferença tão intensa vinda de você... Mas você não sabe disso...

Você nunca soube de nada! O troféu de desprezível vai para você!

Te amo mas te odeio tanto...
Marianne

O amor é misterioso.
No seu coração ele não tem forma nem peso.
E não se pode calcular seu tamanho e profundidade.
Apesar de nunca ninguém ter visto sua verdadeira forma, ele machuca... e só reage aquela pessoa.

Do Anime "Karekano" ou Kareshi Kanojo no Jijō
Marianne
Os céus resolvem chorar e lavar as ruas
Mas os caminhos nunca estão límpidos
Os guarda-chuvas escondem as faces
E um comentário qualquer sobre o tempo seco
Quebra o silêncio da delicadeza das gotas pingando
“Ainda estamos de luto” ― sussurra uma voz fina por debaixo dos guarda-chuvas
Esse comentário é o necessário pra silenciar e deixar somente as gotas fazerem seu barulho novamente
Ninguém quer falar sobre isso ― entenda
Marianne
O que há com esse sorriso que não mais sorri?
Porque sua fronte está gelada?
Seus olhos não querem abrir
Eles descansam em um sono profundo
Não quero que te levem, fique aqui um pouco mais
Quero aquecer suas mãos
Quero brincar só mais uma vez com seus cabelos
Sua voz se faz silêncio agora
Ela respeita a cena que tudo congelou
Como um retrato imóvel sobre a mesa
Traz lembranças de tudo o que se deixou
Marianne

[...] te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em todos de novo, que leve para longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, de derrota sem nobreza, não tem jeito, companheiro, nos perdemos no meio da estrada e nunca tivemos mapa algum, ninguém dá mais carona e a noite já vem chegando.

Caio Fernando Abreu
Marianne

Para M.... K.

[...] deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço...

Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

[...] acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas...

Caio Fernando Abreu
Marianne
Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra.

Caio F. Abreu em Fragmentos - 8 histórias & 1 conto inédito