Marianne

Eu sou egoísta, sou egoísta na minha vaidade, no meu orgulho e nas minhas síndromes, na minha solidão e melancolia.

Eu levo sempre as coisas para o lado pessoal, quando alguém comenta sobre algum defeito, eu aceito, me afeto, quando isso acontece, eu sou o centro das atenções, mesmo com a consciência de que a pessoa não está falando realmente de mim, mas dela própria, porque quando acusam um individuo é porque viram nele uma imagem deles próprios refletindo no individuo. Quando dizem que uma pessoa é fofoqueira, o verdadeiro fofoqueiro é quem pronunciou - afinal quem está apontando quem?

Se aceito o que uma pessoa diz sobre mim é porque aceito me tornar o que falam..

Se eu não aceito o que falam sobre mim, é porque atingi uma sabedoria e reconheci que sou aquilo que falo dos outros, da mesma maneira que eu sou aquilo que eu acuso outra pessoa ser. Somos todos os filhos do mesmo útero, estamos ligados e somos uma única massa, se eu acuso um ser, estou acusando á mim própria, porque mesmo que com os olhos da tolice eu não seja capaz de me ver no próximo, eu continuo sendo ele.

Sou egoísta porque me sinto o centro das atenções quando ando na rua, porque acho que todos os olhares estão direcionados somente á mim, aos meus defeitos, porque acho sempre que os comentários e as risadas irônicas são todas para mim... Sou egoísta na minha própria desgraça.

Se levo para o lado pessoal é porque estou concordando com a opinião dos que me apontam. Sou a expressão máxima do meu egoísmo, acho que tudo é sobre mim!

O que as pessoas dizem são venenos, cabe á mim decidir se devo ou não bebe-lo.

Como diz a sabedoria dos Toltecas (Aquilo tudo que ainda vou aprender):

Não levo as coisas para o lado pessoal. O que quer que você pense, como quer que se sinta, sei que é problema seu, e não meu. É a forma como você vê o mundo. Não se trata de nada pessoal, pois você está lidando consigo mesmo, não comigo. Os outros vão ter outra opinião, de acordo com seu sistema de crenças; portanto, nada do que pensem sobre mim corresponde a mim, mas a eles.
Marianne
Postado por Paulo Coelho em 25 de abril de 2009 às 00:15

Você não é o que aparenta ser nos momentos de tristeza. É muito mais que isso.

Ouça seu coração.

Lembre-se das pequenas lutas travadas em todos os dias de sua vida: você sobreviveu a elas. Só isto já é motivo de orgulho.

Enquanto muitos já se foram, por razões que nunca compreendamos, você continua aqui. Por que Deus levou pessoas tão incríveis, e deixou você? Porque sua vida ainda tem um sentido. Mesmo que não lhe seja claro.

Neste momento, milhões de pessoas já desistiram: não se aborrecem, não choram, não fazem mais nada. Apenas esperam o tempo passar.

Perderam toda e qualquer capacidade de reação.

Você, porém, está triste. Se ainda tem esta capacidade, é porque sua alma continua viva. E se sua alma continua viva, o Paraíso é possível.
Marianne

Três mil anos atrás, havia um ser humano,como eu e você, que vivia perto de uma cidade cercada de montanhas. O ser humano estudava para tornar-se xamã, para aprender a sabedoria de seus ancestrais, mas não concordava completamente com tudo aquilo que aprendia. Em seu coração, sentia que existia algo mais.

Um dia, enquanto dormia numa caverna, sonhou que viu o próprio corpo dormindo. Saiu da caverna numa noite de lua nova.

O céu estava claro, e ele enxergou milhares de estrelas. Então algo aconteceu dentro dele que transformou sua vida para sempre. Olhou para suas mãos, sentiu seu corpo e escutou sua própria voz dizendo:

"Sou feito de luz; sou feito de estrelas".

Olhou novamente para as estrelas e percebeu que não eram as estrelas que criavam a luz, mas antes a luz que criava as estrelas. "Tudo é feito de luz", acrescentou ele, "e o espaço no meio não é vazio." E ele soube tudo o que existe num ser vivo, e que a luz é a mensageira da vida, porque está viva e contém todas as informações.

Então compreendeu que embora fosse feito de estrelas, ele não era essas estrelas. "Sou o que existe entre as estrelas" pensou. Então chamou as estrelas de tonal e a luz entre as estrelas, de nagual, e soube que o que criava a harmonia e espaço entre os dois é a Vida ou intenção. Sem a Vida, o tonal e o nagual não poderiam existir. A Vida é a força do absoluto, do supremo, do Criador que cria tudo.

Foi isso o que ele descobriu: tudo o que existe é uma manifestação do ser que denominamos Deus. Tudo é Deus. E ele chegou à conclusão de que a percepção humana é apenas a luz que percebe a luz. Também viu que a matéria é um espelho - tudo é um espelho que reflete a luz e cria imagens dessa luz - e o mundo da ilusão, o Sonho, é apenas fumaça que não permite que enxerguemos quem realmente somos. "O verdadeiro nós é puro amor, pura luz", disse ele.

Essa compreensão mudou sua vida. Uma vez que ele soube quem realmente era, olhou ao redor para os outros seres humanos e para o restante da natureza e ficou surpreso com o que viu. Viu a ele mesmo em tudo - em cada ser humano, em cada animal, em cada árvore, na água, na chuva, nas nuvens, na terra. E viu que a Vida misturava o tonal e o nagual de formas diferentes para criar bilhões de manifestações da Vida.

Naqueles poucos momentos ele compreendeu tudo. Ficou muito excitado, e seu coração encheu-se de paz. Mal podia esperar para contar ao seu povo o que descobrira. Mas não havia palavras para explicar. Tentou falar com os outros mas eles não conseguiam entender. Eles perceberam que o homem havia mudado, que algo bonito se irradiava dos olhos e da voz dele. Repararam que ele não julgava mais as coisas e as pessoas. Ele não era mais como os outros.
Ele entendia os outros muito bem, mas ninguém conseguia entendê-lo. Acreditavam que ele fosse a encarnação viva de Deus, e ele sorriu quando escutou isso, e lhes disse: É verdade. Sou Deus.

Mas vocês também são Deus. Somos o mesmo, vocês e eu. Somos imagens de luz. Somos Deus". Mesmo assim, as pessoas não o entenderam.

Havia descoberto que era um espelho para as outras pessoas, um espelho no qual podia observar a si mesmo. "Todo mundo é um espelho, disse ele. Viu a si mesmo em todos,mas ninguém o viu como eles mesmos. Então compreendeu que todos estavam sonhando, mas sem consciência, sem saber o que realmente eram. Não podiam enxergá-lo como eles mesmos porque havia uma parede de nevoeiro entre os espelhos. E essa parede era construída pela interpretação das imagens de luz - o Sonho dos seres humanos.

Então ele percebeu que logo iria esquecer tudo o que aprendera. Queria lembrar-se de todas as visões que tivera; portanto, decidiu chamar a si mesmo de Espelho Enevoado, para que sempre soubesse que a matéria é um espelho e que a névoa do meio é o que nos impede de saber quem somos. Ele disse: "Sou o Espelho Enevoado, porque estou vendo a mim mesmo em todos vocês, mas nós não reconhecemos um ao outro por causa do nevoeiro entre nós. Esse nevoeiro é o Sonho, e o espelho é você, o sonhador". Espelho Enevoado, para que sempre soubesse que a matéria é um espelho e que a névoa do meio é o que nos impede de saber quem somos. Ele disse: "Sou o Espelho Enevoado, porque estou vendo a mim mesmo em todos vocês, mas nós não reconhecemos um ao outro por causa do nevoeiro entre nós. Esse nevoeiro é o Sonho, e o espelho é você, o sonhador".
Marianne

Então a jovem com aparência de um poltergeist, se vê diante de uma situação que ela mais odeia - a situação da paixão.

Resolve escrever uma carta, mas não encontra em si o mesmo romantismo que tinha, antes de conhecer o que seus livros velhos e cheios de poeira ensinavam, então teimou em continuar, mas achou rídiculas todas as suas palavras, porque ela entendeu que não escrevia para o ser amado, mas para si mesma.

Eis um trecho da decepção própria:


Caro G.,

[...]

Você não desperta o que é erótico, mas o que é essência. Talvez porque eu não confio na luxúria, nem sou dela uma escrava, para os praticantes sou menos humana por minha escolha, mas para mim – o ser mais importante no meu total egoísmo – me torno menos animal na ausência desse pecado. Por essa escolha ser uma luta individual, ela é travada desde o momento em que acordo, no momento que me dirijo ao leito e ela não se intervala nem nos sonhos quando durmo, o ser que domina seus próprios impulsos é um ser forte, eu chamo isso de virtude.

O amor é a essência da vida, somente quando ele existe em pureza e não pede por mutualidade, mas rapidamente sendo ele correspondido deixa de ser amor e se transforma em altruísmo, morre em si mesmo. Um amor silencioso dura uma vida e se deleita com o ser na cova; um amor livre é o tipo que todos desejam para si, mas não para outrem, por isso adoece; tem o amor santificado também que poucos conseguem explicar, como de um pelicano que sacrifica á si mesmo para satisfazer a fome de seus filhotes, ele é belo pelo simples fato de permanecer sendo amor, mesmo com atitudes altruístas, isso se torna um tanto cômico, como pode um amor tão incrível pertencer á classe dos animais também? Isso me deixa em dúvida da classificação humana, talvez instintos não devam ser tão negados assim, mas eu não coloco mais minhas mãos para queimar nesse tipo de fogo.
[...]
Com carinho R.M.
Marianne

O desespero surge quando estamos vivenciando uma determinada etapa da vida, da qual não nos agrada, quando estamos em uma situação oposta da qual queremos estar.

Se estou triste, eu não aceito tal tristeza, busco insaciavelmente uma maneira de anular ou diminuir tal sentimento, porém na maioria das vezes, essa tentativa em busca de resultados foge-me por entre os dedos, com esse efeito provoco em mim mesma mais sentimentos de tristeza e melancolia, o que me arrasta ao desespero.

Por não conseguir aceitar o momento atual, eu acabo por alimentar mais ainda o sentimento. Única maneira que encontro é aceitar tal sentimento, até que ele cesse em si mesmo, até que sua fase passe e as coisas voltem á estabilidade.

Como definimos o que é um bom sentimento e o que é um mau sentimento? Se estamos melancólicos quem pode acusar que tal comportamento seja ruim? A melancolia nos isola dos demais, andamos na rua, entre as multidões, mas nossa mente fica em um universo paralelo do qual o nosso corpo está; isso nos arrasta ao individualismo, por tal motivo de exclusão por decisão própria, o sentimento é julgado ruim por não ser algo que traga gratificações á ninguém, e o silêncio da melancolia é incômodo para os que estão do lado de fora de mim.

Até mesmo o amor, quando nos encontramos em um estado de paixão, mas racionalmente, pelas circunstâncias, pelas conseqüências e causas, sabemos que tal sentimento não irá nos fazer bem, por não termos tempo de nos dedicar ao amante ou nem ele á nós, tentamos ignorar o sentimento, fugindo de nós mesmo, mas quando mais tentamos evitar, mais aquele sentimento cresce, provocando o desespero interno, e em uma série de outros sentimentos nos arrasta á situações desagradáveis que nos marcam por longos tempos. Mas se aceitamos o que sentimento e deixamos o sentimento ali manifestando da maneira que está, ele se mantém, basta não tomar ação alguma para satisfazê-lo, apenas dar o espaço para ele existir, porque cedo ou tarde irá morrer.

Resumindo, se temos um sentimento, quando resistimos á ele e tentamos anulá-lo, ele cresce em vez de diminuir e inconscientemente nos arrasta á cometer ações ilícitas, mas se o deixamos manifestar dentro de nós, não estamos alimentando-o e nem tentando matá-lo de fome, simplesmente ele se cessa com o tempo, desde que não tomemos nenhuma ação para satisfazê-lo. Todo sentimento pode ser excluído, desde que não damos atenção e nem ação para ele reagir dentro de nós.
Marianne

Do frio e do quente, eu sou o morno;
Do preto e do branco, eu sou o cinza;
Do Amor e do Ódio, eu sou a racionalidade;
Do Sim e do Não, eu sou o silêncio;

Agora me perguntam, sou meio termo ou um termo inteiro? Eu digo, ainda não sou! Pois:

- Escolho, logo existo.
Marianne

"Somos donos de nossos atos,
Mas não somos donos de
nossos sentimentos;
Somos culpados
pelo que fazemos,
Mas não somos culpados
pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Não podemos prometer
sentimentos...
Atos são pássaros
engaiolados,
Sentimentos
são pássaros em vôo".
Marianne

Die eine ist verliebt gar sehr;
Die andre wäre es gerne.

Uma está muito apaixonada,
A outra gostaria também de estar.



O Diário do Sedutor
Kierkegaard, Søren Aabye, 1813-1855
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

Eu não nasci para ser jovem, minha juventude foi anulada pela minha sede do saber, eu deixei de ser criança e me tornei diretamente uma adulta.
Marianne

Um ataque de síndrome de pensamentos acelerados pega minha mente desprevenida, eu demoro para montar minha defesa, mesmo quando só três de meus homens estão vivos dentro dessa guerra eu anulo o ataque do inimigo.

Se eu pudesse falar aonde encontrei o inferno, diria que ele está nas avenidas dos meus medos, na esquina da minha mente, dentro do meu próprio pensamento, me infeccionando, absolvendo as energias que acumulo durante meu miserável dia.

Agora quando a noite cobre o céu, uma tristeza e um vazio inundam com ondas vagas o meu interior, porque amanhã será como foi hoje, a luta perdida contra esse humor bipolar com seus espinhos virados para todos que me amam, com arames farpados enrolando o meu próprio corpo, esses arames de timidez que afastam todos de mim sem dar a chance de mostrar quem eu sou...

Essa cerca elétrica de fobia social é ligada na força da síndrome do pânico. Eu sei que a chave desse cadeado está escondida em algum bolso dentro da minha mente, mas é tudo tão escuro, meus olhos não vêem e o tempo não me deixa procurar!

E quando todas aquelas pessoas me cercam, quando sinto a respiração de cada um passando por perto, quando sinto o calor queimando na pele de tanta juventude, minha respiração trava, eu converso com meu inconsciente, faço ele me responder ao consciente, mas ele se faz de mudo... Então perco minha cartela de balas brancas, recorro e escondo meu rosto na proteção dos meus braços, formando assim meu escudo...

Eu equilibrei meus pecados com minhas virtudes, são tantas qualidades úteis escondidas por debaixo dessa capa preta, elas recusam a sair e se expor em público. Posso controlar qualquer instinto mental e sentimental, mas porque minha mente fica preta quando luto contra ela?

E todos esses transtornos resolvem atacar quando preciso ser só eu dentro de mim mesma...

Talvez isso tudo seja um pesadelo de repetição, que garantia posso ter em saber que esse ar realmente é útil para meus pulmões?

Preciso destrancar algumas portas...
Marianne

Apenas se é tímido na medida em que se é visto, mas só se é visto na medida em que se vê.


O Diário do Sedutor
Kierkegaard, Søren Aabye, 1813-1855
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

Ele não pertencia à realidadee, no entanto, tinha muito a ver com ela. Passava sempre a cima da realidade, e mesmo quando mais se lhe entregava, estava longe dela.


O Diário do Sedutor
Kierkegaard, Søren Aabye, 1813-1855
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

O Amor é o sentimento mais irracional que se manifesta dentro dos indivíduos, sejam eles fortes ou fracos.

O Amor desperta a estética, a necessidade de se manter belo para atrair a sua caça, o belo é a arma fundamental e primordial para uma conquista.

Existem milhares formas e talvez até mais que isso de Amor, mas o tipo de Amor que estou refletindo é o Amor que nos provoca uma necessidade e um hábito de irracionalmente nos fazer focar a atenção em um único indivíduo, com tal intenção de fazê-lo ver em ti um ídolo, um centro, uma fonte de todas as coisas á qual o alvo irá desejar por longos dias, como uma droga, o desejo de se transformar em um tipo de “Mary Jane” sendo á única a trazer calma, de fazer surgir aquele modelo de mal do tipo: - quanto mais tem, mais quer.

Mas o Amor em si é de total egoísmo, não acredito em um Amor altruísta sem nenhuma intenção de beneficio, todo o Amor tem a sua intenção, mesmo camuflada em lindos poemas e buquês de rosas!

O Amor causa inferioridade, todo ser que ama, busca atingir uma perfeição intelectual, estética e física, essas três fontes nada mais são que uma rede á fim de pescar o ser amado, que uma vez presa nela, não se livrará tão fácil.

O Amor é a reação e a ação trabalhando constantemente dentro de um ser, é um desequilíbrio interior, é um cavalo selvagem que jamais deve sofrer com a prisão das rédeas.

O Amor é um monstro? O Pior dos sentimentos? Não! Jamais! É o mau uso do Amor que o torna tão terrivelmente e temível para os que já fizeram mau uso – como eu mesma.

Como dizia o Raul em sua música “As Maçãs”: O Amor só dura em liberdade [...]

Eis a chave mestra do Amor: - A LIBERDADE!

Muitos sofrem, muitos fazem sofrer, muitos morrem de pouco em pouco e matam de pouco em pouco, porque não aceitam e não sabe deixar livre aquilo que ama para fazer o uso do Livre Arbítrio.

O Amor é o Paraíso para quem o dele assim faz, porém pode se tornar o Inferno para quem não souber entender.

O Amor é uma máquina que só um especialista conseguirá manuseá-lo, de maneira correta, sem se machucar, mas nisso entra uma pequena contradição, esse maquinário só se torna especialista e capaz de amar, após machucar diversas partes de si mesmo nessa máquina sem manual de instruções.
Marianne

"No início, era o Verbo": todos nós conhecemos esta frase da Bíblia. O mais interessante é que Deus não é comparado com uma figura, um efeito da natureza, e sim com uma expressão gramatical. No meu ofício de escritor, sou obrigado a concentrar-me na importância das palavras, mas creio que todo ser humano deva sempre prestar atenção ao que diz e ao que ouve.

Precisamos dividir. Mesmo que sejam informações que todos já saibam, é importante não se deixar levar pelo pensamento egoísta de chegar sozinho ao fim da jornada. Quem faz isto, descobre um paraíso vazio, sem qualquer interesse especial – e em breve estará morrendo de tédio.

Não podemos pegar as luzes que iluminam o caminho e carregar conosco. Se agirmos assim, vamos encher nossas mochilas com lanternas, e teremos que nos livrar do alimento que nos dá força para seguir adiante: amor.

Precisamos receber estímulos, conselhos, informações. Mas às vezes, por insegurança, interrompemos uma conversa no meio, com medo de mostrar ao nosso interlocutor que desconhecemos aquele assunto. Qual o problema de aprender? Por que nos sentimos humilhados quando alguém toca em temas que desconhecemos? Ninguém tem obrigação de conhecer tudo.

Disse Albert Einstein: "Cem vezes por dia eu me lembro que minha vida interior e minha vida exterior dependem do trabalho que outros homens estão fazendo agora. Por causa disso, preciso me esforçar para retribuir pelo menos uma parte desta generosidade – e não posso deixar nenhum minuto vazio."

E, enquanto não inventarem um novo processo de comunicação mais direto que a palavra, teremos que nos contentar com ela, mesmo que às vezes seja pobre demais para descrever o que sentimos. O poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade diz, em uma carta ao seu neto:

"Admiro que ame nos vegetais a carga de silêncio, Luis Maurício / Mas há que tentar o diálogo, quando a solidão é um vício."

Conheço pessoas que não dão importância à palavra. Mas conheço também pessoas que têm medo das palavras.

Sim, é verdade que às vezes dizemos: "Puxa, faz tempo que não discuto com fulano"; ou "nunca mais tive uma gripe". De repente, no dia seguinte, pegamos uma gripe ou discutimos com fulano.

Então concluímos: se comentarmos as coisas boas que acontecem conosco, isto trará má sorte.

Nada disso. Na verdade, antes de qualquer problema, a Alma do Mundo nos mostra quanto tempo ficamos sem nos aborrecer com determinada coisa. Ela quer nos dizer como a vida tem sido generosa até aquele momento – e continuará sendo, se superarmos com bravura o obstáculo.

Fale. Dialogue. Participe. Nada mais desprezível que o "observador" acomodado e covarde. Sua coragem em expressar opiniões vai lhe ajudar a crescer em qualquer dificuldade. Fale das coisas boas da sua vida para todos que quiserem ouvir: a Alma do Mundo precisa muito de sua alegria; Deus ficará contente ao ver seu sorriso. Fale dos momentos difíceis que pode estar vivendo: dê uma chance aos outros de dar aquilo que você precisa, nem que seja apenas uma frase de conforto.

A palavra é poder. As palavras transformam o mundo e o homem. Os vencedores falam com orgulho dos milagres de suas vidas. Quanto mais energia positiva ao seu redor, mais energia positiva será atraída, e mais alegres vão ficar aqueles que lhe querem bem. Quanto aos invejosos, aos derrotados – estes só poderão lhe causar algum dano se você lhes der este poder.

"Minha dança, minha bebida, e meu canto, são o colchão onde minha alma repousará, quando voltar ao mundo dos espíritos", diz um sábio indonésio.

Portanto, use verbos, sujeitos, predicados, e cante suas alegrias e tristezas, mas cante todos os
dias de sua vida.
Marianne

Desde as noites dos tempos, os homens se reunião em torno das fogueiras e contavam suas histórias de batalhas, suas histórias de conquistas as emoções que eles tinham passado pela vida...

Foi pensando justamente nisso e pensando que a historia é a melhor maneira de se transmitir um conhecimento porque ela fala a alma e o coração, que eu resolvi aqui em casa gravar algumas histórias que marcaram minha vida.

Todos nós precisamos de amor, o amor faz parte da natureza humana, como faz parte da natureza humana comer, beber e dormir.

Já aconteceu com todos nós de contemplar um belo pôr de sol, ta numa bela paisagem, fazer uma linda viagem, mas como a gente ta sozinho, a gente não tem quem compartilhar aquilo, toda essa beleza se torna opressora, nos faz ficar menores, mais amargos porque dá vontade de ter alguém do lado e dizer olha que bonito fulano(a) e no entanto não tem ninguém ali.

Nesse momento então, a gente deve se perguntar quantas vezes nos pediram amor e nós simplesmente viramos o rosto pro outro lado. Quantas vezes a gente teve medo de se aproximar de alguém e dizer com todas as letras que estávamos apaixonados.

A solidão é muito perigosa, as pessoas acham que a solidão é confortável, porque ela nos evita sofrer. Carlos Drumon de Andrade tem uma linda poesia e nessa linda poesia ele tem um verso que diz o seguinte: “Admiro nos vegetais a carga de silêncio, Luís Maurício / Mas há que tentar o diálogo, quando a solidão é um vício.”

Eu conheço muita gente que com medo de sofrer escolhem a solidão, e ai quando as pessoas falam ou comentam qualquer coisa e dizem: não, não isso foi escolha minha.

Ora bolas duvido que a solidão seja a melhor escolha, às vezes é bom ta sozinho
Mais escolher ficar apenas sozinho, é preciso ter muito cuidado porque a solidão vicia tanto quanto as drogas mais perigosas!

Se na sua vida o pôr do sol começa a aparecer não ter mais sentido seja humilde e vá em busca de amor. Saiba que você vai evidentemente passar por algumas rejeições, vai ouvir uns não, vai ouvir certos comentários maliciosos, mas vale à pena lutar, vale a pena porque o amor como todos os outros bens espirituais ele vem em quantidade, quanto mais você dá, mais você recebe em troca.
Marianne

No início de Outono, os sentimentos são dominados por uma melancolia espiritual, o Outono é a velhice do tempo, da natureza, ele nos ensina mais do que devemos aprender e por causa disso uma criança se tornou adulta e escreveu uma carta de Adeus:

Hoje resolvi abrir mão de você, não por covardia ou desamor, mas porque simplesmente não compensa lutar uma luta que já está perdida...

Pensei muito, bebi mais que o necessário para conseguir falar para mim mesma: - ele não é mais um abrigo seguro.

Você é livre como um pássaro, sempre muda de lugar, nunca tem raiz... Sabe, isso era o que me atraia em você, a falta de dependência que tinha em nós juntos, admirei você pela sua liberdade pessoal e sentimental.

Acabei entendendo que não posso interferir na busca pessoal de ninguém, principalmente dos que foram importantes para mim, devo deixar você realizar seus sonhos mesmo que todos eles sejam na verdade grandes pesadelos.

Você abraçou a mim – o ser mais incompleto que existe... Eu reconheço, nunca fui inteira para poder completar a parte que te faltava, eu mal preenchia metade do que eu era o seu vazio sempre foi maior que o meu... Nunca fomos o suficiente para o outro, vamos ser sinceros...

Depois disso criei dúvidas sobe o amor, não interpreto mais essa onda de sentimentos como uma coisa divina e sagrada, hoje vejo tudo isto como um jogo complexo.

Se eu te tocasse hoje todo o seu veneno iria me poluir, a distancia foi a melhor cura para a nossa doença, amor doentio e desgraçado.

Eu nunca vou ser capaz de fazer a sua agonia desaparecer... Também não vou ser capaz de permitir que alguém faça a minha agonia sumir, mesmo quando pessoas incríveis me procuram eu penso que não vale a pena tentar mais nada, o final desse jogo é sempre o mesmo, um dos lados sempre perde...
Marianne

Ás vezes no fim da noite, quando o sono parece ter dito adeus para mim, fico na companhia dos meus pensamentos, alguns vêem como uma luz e outros como uma escuridão...

Sem notar me peguei pensando na minha própria solidão.

Notei que quando se vive á dois, você anula metade do seu ser, metade das suas opiniões, do seu caráter, da sua própria identidade... Não que isso seja mal, ás vezes acho isso completamente lindo, mas quando você é pouco, anular sua metade é se apagar por completo.

Não lamento pelo meu estado, acredito que estou experimentando a felicidade por mim mesma, sozinha, sem ninguém para me apressar, consigo fazer tudo no meu devido tempo, não sou triste com meu corpo, mal de mulher é isso, vive engordando e emagrecendo para agradar o parceiro, ter que viver sem essa regra faz com que aproveite todo instante com toda intensidade do que sou e pela primeira vez nunca me senti tão feliz com minha estrutura delicada e magra. Às vezes alteramos o cabelo, pintamos de cores que odiamos para chamar mais atenção, esquecemos que cada pessoa tem por natureza a cor ideal e bela que combinam com seu próprio corpo e personalidade, alterar isso é como negar a si mesmo, não que seja errado, mas só vale a pena mudar por si mesma e não para agradar as pessoas.

Meus dias fazem eu me senti com várias fases, as vezes sinto que tenho minha adolescência presente, posso me revoltar com o sistema e como todo jovem – não fazer nada para modificar.

Ás vezes sinto que minha velhice chegou antes da hora, toda experiência adquirida em tão pouco tempo, junto de filosofias e reflexões. É como viver absorvendo toda a gota da vida sem deixar uma raspa no fundo da panela.

Eu sei que não sou uma ilha e exatamente por isso acredito que as pessoas estão tão ligadas a mim como todo continente, não preciso de ninguém pra chamar de “meu” quando isso já está ligado a mim por natureza.

A liberdade para mim está sendo a benção maior de toda existência, viver sem a corrente de relacionamentos me faz sentir com imensas asas que me permitem e me levam a voa para novos céus e novos horizontes, onde sozinha sou feliz simplesmente por fazer parte da existência da vida.

Acredito mais ainda que toda energia que é criada não pode ser destruída, somos energias criadas e nada poderá destruir a nossa existência.

Deus é um Gênio!
Marianne

Em determinada etapa de nossas vidas, quando começamos a entender o mundo com maturidade, racionalidade e lógica, notamos que as coisas se tornam mais fáceis e acessíveis quando você passa a dar valor ao pouco que tem e a ter ação e decisão para tomar posse do muito que há por vir.

Nesse caminho tudo ao redor fica vazio, passamos a encarar nós mesmos como ímpar e a solidão se torna a única companhia agradável... Pode haver controvérsias sobre minha afirmação, mas a solidão vem por falta de opção mesmo.

Evoluímos e queremos trazer para junto de nós pessoas queridas, mas nunca sabemos se elas querem vir e concluímos que realmente existem pessoas que não estão muito animadas a seguir esse caminho, principalmente quando é denominado na área profissional.

Então nos encontramos lançados ao mundo da mesma maneira que viemos – sozinhos.

Acho que aprendi que cada idade tem suas estações, não devemos acelerar esse andamento por mais bem que venha a fazer futuramente, estaríamos interrompendo os ciclos que cada pessoa deve encerrar com suas próprias mãos, mas se insistimos demais nisso o resultado é sempre o mesmo: você se magoa com suas próprias ações quando nota que não é uma boa influencia psicológica para algumas pessoas; estaríamos fazendo mais pressão do que ajudando.

Uma mente jovem tem mais facilidade para ser moldada com aspectos ruins do que progressividade, por mais que nós com a experiência adquirida tentamos mostrar para as pessoas que tal caminho nunca foi e nem será seguro, jamais vão entender, aceitar e seguir tal conselho se eles por eles mesmo não caírem no poço que caímos para entender o grau da profundidade e perigo. Alguém só entende a dor da queimação que o fogo provoca quando se é queimado por ele.

Ás vezes acho que todo homem é um torrão de areia formando ilhas e continentes, ligados um ao outro, mas ao mesmo tempo me decepciono por perceber que todo homem tenta ser apenas uma ilha – sozinho em si mesmo.
Marianne

Essa paissagem na porta do meu trabalho me tras uma nostalgia toda hora...

Todas essas árvores que permaneceram, mesmo com o cenário todo a sua volta mudando sempre e sempre...

Retiram algo e colocam outra coisa para substituir o vazio, mas elas não podem ser substituídas, a não ser que esperem uns 100 anos... As coisas são mesmo assim, leve 10 ou 1000 anos, tudo acaba tento sua possibilidade de substituição...

Sentimentos as vezes são substituídos também ou trocados, algumas vezes o carinho muda para saudades, saudades em dor, dor em mágoa, mágoa em arrependimento, arrependimento em rendenção, mas no final, tudo vira memórias, lembranças, que em dias de sol nos fazem abrir um sorriso bobo e em dias chuvosos, olhos em lágrimas... é bom chorar com a chuva...

Ás vezes me questiono se algumas pessoas queridas serão substituídas também na minha vida; passado sempre é um livro que com o tempo consome suas próprias letras...

Ontem ergui minha mão em direção ao céu, numa impressão de ótica, as nuvens se encaixaram perfeitamente na minha mão, será que sonhos, planos e futuro sejam algo semelhante também? Será que tudo o que estou lutando e seguindo seja na realidade apenas uma impressão ou ilusão?

Não sei... só saberei quando alcançar, quando eu fechar minha mãos terei a resposta se o que meus olhos vêm é o que minhas mãos podem segurar...
Marianne

Do átomo dirigivel às substancias mortas

Parada aqui, mas olhando, através dos olhos de quem partiu, pra alguém que ficou... Não seguiu as suas próprias regras. Eu tinha diante de mim um mar que se chama solidão, que me chamava viver com ele este estado bipolar de tédio e euforia barata. Um mar cujas vagas vinham me beijar e afundavam meus pés na beira da praia, isso sempre me deu medo. Quanto desencontro ainda haverá nessa nossa vida? Mas antes de mentir eu procurei te dizer a verdade, só que tu não quiseste ouvir, agora é contigo, escolha no que acreditar; uma mentira contada com sinceridade ou uma verdade absolutamente duvidável. Se o pouco que tem, ainda tiver algum sentido então ainda há muito que fazer, até por que agora não há mais alternativa, nem onde se esconder é preciso trabalhar. A vida é um mapa de palavras cruzadas, um criptograma onde nada se encaixa e as pistas eram as letras ‘M’ e ‘A’, o resto eu apaguei sem ler. Eu te ofereço abrigo e carinhos pras feridas com as quais o tempo te presenteou. Confesso que eu mesmo ainda estou me recuperando de tudo, mas isso não é empecilho. Também posso cuidar de ti. Lembra quando este caos era só uma possibilidade, e a insegurança era só uma fraca sombra? Hoje eles têm peso, substância e malícia. Agora estamos longe de onde gostaríamos de estar embora aqui seja um lugar quase tranqüilo, quase livre, quase romântico... Que mal há em acertar as contas com o tempo? Ontem encontrei com alguns dos nossos antigos amigos, me perguntaram por que não atendo mais meu telefone, por que eu não respondo e-mails e por que eu desapareci... Gargalhei alto pra mudar de assunto e não dizer no que ando pensando. Garanto-te que eu não vou rir de tudo isso..
Marianne

Admiro á mim mesma pela CAPACIDADE de ter ido tão longe por uma ÚNICA pessoa que não teve a capacidade de vir tão perto por mim...
Marianne

Não me peça companhia por que no momento me tornei uma egoísta.
Não tente ganhar meu reconhecimento, não sei dar algo que nunca recebi.
Não conte com meu apoio na caminhada, eu sou um ser humano, não um pilar.
Não empreste meu colo para chorar, eu já estou usando ele para derramar minhas próprias lágrimas.
Não lute por mim, eu sou um ser sem raiz, não tenho lugar fixo, talvez eu não esteja no topo da torre que você quer chegar.
Não tenha paciência comigo, sempre vou acabar aproveitando da sua boa vontade para descontar todas as minhas raivas.
Não tenha medo de mim, você precisa me irritar por cinco anos para receber alguma reação agressiva.
Mas não se tranqüilize na minha paciência eu possuo instintos e instintos ás vezes nos roubam a lógica e a racionalidade. Hoje gosto de você, amanhã posso não gostar.
Eu vejo o mundo se acabando aos poucos, vejo que sozinha não posso mudar nada então me acomodo e sei que todo mundo pensa assim por isso o mundo não agüentará por muito tempo.
Às vezes talvez eu seja mesmo algo morno, então se isso não agradar seu paladar, por favor, me vomite.
Marianne

01. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.
02. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.
03. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.
04. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.
05. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.
06. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.
07. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.
08. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro.
09. Porque o poder é limitado pela necessidade.
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões.
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos.
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for.
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora.
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas.
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo.
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.
37. Evita todas as coisas que causarão inveja.
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.
43. Pergunta: "Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?"
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração.
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina.
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.
49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes.
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina.
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.
69. Avalia bem todas as coisas,
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter.
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.
Marianne

Era, por vezes, de tal modo intelectual que eu me sentia reduzida a nada como mulher, e noutras tão selvagem e apaixonado, cheio de tantos desejos, que quase me fazia estremecer. Umas vezes eu era para ele como uma estranha, outras abandonava-se inteiramente; mas se, num destes últimos momentos, lhe lançasse os braços ao pescoço, tudo podia mudar num só instante e o que eu abraçava era apenas uma nuvem. Antes de o encontrar conhecia j
á esta expressão, mas foi com ele que eu aprendi o verdadeiro sentido; penso sempre nele cada vez que a utilizo, e é também a ele que devo cada um dos meus pensamentos. Sempre gostei de música. Ele era um incomparável instrumento, sempre vibrante e com uma amplitude que nenhum outro poderá alcançar; ele era a soma de todos os sentimentos, de todos os estados de espírito; para ele nenhum pensamento era demasiado elevado, ou desesperado; podia rugir como uma tempestade de outono, ou sussurrar como uma brisa estival. Não perdia uma só palavra que eu dissesse e, no entanto, nunca podia estar certa de que as minhas palavras alcançavam o efeito pretendido, pois sempre desconhecia qual seria esse efeito. Escutava aquela música que eu própria fazia acontecer. E era com uma inexprimível angustia, mas misteriosa, feliz e inefável, que eu escutava essa música que eu própria provocava e, ao mesmo tempo, não provocava, mas era sempre harmoniosa. E ele continuava a enredar-me nas malhas do encanto.


Bilhete de Cordélia (Diário do Sedutor)

Kierkegaard, Søren Aabye, 1813-1855
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978



Marianne

Sabe Deus, deitada aqui nesse quarto que parece ser tão vazio, fico imaginando como as coisas estão lá fora... Eu estava pensando, eu acho que gosto da escuridão, não que isso seja algo diabólico, graças à escuridão as pessoas desejam muito a luz.

Ás vezes me pergunto se eu estou preenchendo o vazio desse quarto com a minha presença, talvez você também se pergunta se está preenchendo esse vazio interior que sinto com a sua presença, mas talvez todo o vazio que os seres sentem tem algum objetivo, alguma lógica desconhecida... No inicio tudo era vácuo, era nada e do nada se fez tudo... será que esse nada dentro de mim está me pedindo para se transformar em tudo, assim como aconteceu contigo no inicio da existência?

Sou um pedaço de você Deus, que criou uma forma, uma consciência, uma inteligência, ás vezes sinto vontade de voltar no seu útero e ficar ali dormindo quietinha como quando eu ainda era uma substância ainda informe... Mas não tem como voltar atrás, não é mesmo? Uma vez que experimentamos a vida, que sentimos o sangue correr por nossas veias, que sentimos um coração pulsar por naturalidade, existir sem poder viver é doloroso.

Sabe Deus eu sou quem gostaria de fazer a diferença, esse mundo que você me colocou é mais grande do que eu imaginava, existem outros pedaços de você que eu gosto, ainda mais por saber que fazem parte de mim mesma e que de certa forma dividiu o mesmo útero comigo, esses pedaçinhos estão longes e eu sinto um pouco a falta deles, mas não é algo insuportável... Será que esse vazio é o que as pessoas chamam de solidão?

Seus planos são estranhos e imprevisíveis Deus, mas eu gosto deles pra ser sincera, por mais que as vezes eu sinta que sou apenas uma peça de xadrez no seu tabuleiro, eu não me importo, de qualquer maneira estamos nessa juntos não é?

Nós comemos a mesma carne e bebemos o mesmo sangue... Acho que esse laço nunca se romperá...

Obrigada Deus por ter me manifestado na sua existência e criação...
Marianne

Postado por Paulo Coelho em 08 de abril de 2009 às 05:48

Uma vez, terminada a conferência em Brisbane, Austrália, saí do auditório para assinar os exemplares de meus livros. Como estava um lindo entardecer, os organizadores colocaram a mesa de autógrafos ao lado de fora do prédio da biblioteca.

As pessoas se aproximavam, conversavam, e mesmo tão distante de casa não me senti um estrangeiro: meus livros haviam chegado antes de mim, mostrando minhas emoções e sentimentos.

De repente, uma garota de 22 anos se aproxima, fura a fila de autógrafos e me encara:

“Cheguei atrasada para a palestra”, disse. “Mas gostaria de lhe dizer algumas coisas importantes.”

“Vai ser impossível”, respondo. “Devo ficar autografando os livros por mais uma hora, depois tenho um jantar”.

“Não vai ser impossível”, responde. “Meu nome é Kerry Lee Olditch. O que tenho a dizer posso fazê-lo aqui e agora, enquanto você assina”.

E antes que eu pudesse reagir, tirou de sua mochila um violino. Começou a tocar.

Continuei autografando por mais de uma hora, ao som da música de Kerry Lee. As pessoas não iam embora: ficavam assistindo àquele concerto inesperado, entendendo o que ela precisava me dizer, e que estava sendo muito bem dito.

Quando terminei, ela parou de tocar.

Não houve aplausos, nada: apenas um silêncio quase palpável.

“Obrigado”, eu disse.

“Tudo nesta vida é uma questão de dividir almas”, respondeu Kerry Lee.

E assim como chegou, foi embora.

P.S.
Naquela mesma noite, Kerry Lee apareceu no hotel com um grupo de amigos e seus instrumentos musicais. Fomos para a beira do rio que corta Brisbane. Passamos uma noite deliciosa, que terminou se transformando numa grande, mas distante, amizade entre a menina e o escritor. No dia 17 de março de 2001, recebi um e-mail de Andréa, amiga de Kerry Lee, dizendo que haviam descoberto seu corpo no meio do deserto australiano. Diagnóstico da morte: suicídio por overdose de pílulas para dormir. Andréa complementou o e-mail: “nunca a entenderam direito. Às vezes os anjos sentem-se demasiadamente solitários e desistem de continuar na Terra”.
Marianne

A noite chegou, o trabalho acabou, é hora de voltar para casa. Lar, doce lar? Mas a casa está escura, a televisão apagada e tudo é silêncio. Ninguém para abrir a porta, ninguém à espera. Você está só. Vem a tristeza da solidão... O que mais você deseja é não estar em solidão...

Mas deixa que eu lhe diga: sua tristeza não vem da solidão. Vem das fantasias que surgem na solidão. Lembro-me de um jovem que amava a solidão: ficar sozinho, ler, ouvir, música... Assim, aos sábados, ele se preparava para uma noite de solidão feliz. Mas bastava que ele se assentasse para que as fantasias surgissem. Cenas. De um lado, amigos em festas felizes, em meio ao falatório, os risos, a cervejinha. Aí a cena se alterava: ele, sozinho naquela sala. Com certeza ninguém estava se lembrando dele. Naquela festa feliz, quem se lembraria dele? E aí a tristeza entrava e ele não mais podia curtir a sua amiga solidão. O remédio era sair, encontrar-se com a turma para encontrar a alegria da festa. Vestia-se, saía, ia para a festa... Mas na festa ele percebia que festas reais não são iguais às festas imaginadas. Era um desencontro, uma impossibilidade de compartilhar as coisas da sua solidão... A noite estava perdida.

Faço-lhe uma sugestão: leia o livro A chama de uma vela, de Bachelard. É um dos livros mais solitários e mais bonitos que jamais li. A chama de uma vela, por oposição às luzes das lâmpadas elétricas, é sempre solitária. A chama de uma vela cria, ao seu redor, um círculo de claridade mansa que se perde nas sombras. Bachelard medita diante da chama solitária de uma vela. Ao seu redor, as sombras e o silêncio. Nenhum falatório bobo ou riso fácil para perturbar a verdade da sua alma. Lendo o livro solitário de Bachelard eu encontrei comunhão. Sempre encontro comunhão quando o leio. As grandes comunhões não acontecem em meio aos risos da festa. Elas acontecem, paradoxalmente, na ausência do outro. Quem ama sabe disso. É precisamente na ausência que a proximidade é maior. Bachelard, ausente: eu o abracei agradecido por ele assim me entender tão bem. Como ele observa, “parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxoleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis“. A vela solitária de Bachelard iluminou meus cantos sombrios, fez-me ver os objetos que se escondem quando há mais gente na cena. E ele faz uma pergunta que julgo fundamental e que proponho a você, como motivo de meditação: “Como se comporta a Sua Solidão?“ Minha solidão? Há uma solidão que é minha, diferente das solidões dos outros? A solidão se comporta? Se a minha solidão se comporta, ela não é apenas uma realidade bruta e morta. Ela tem vida.

Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, essa é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você.“ Pare. Leia de novo. E pense. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim.

Como é que a sua solidão se comporta? Ou, talvez, dando um giro na pergunta: Como você se comporta com a sua solidão? O que é que você está fazendo com a sua solidão? Quando você a lamenta, você está dizendo que gostaria de se livrar dela, que ela é um sofrimento, uma doença, uma inimiga... Aprenda isso: as coisas são os nomes que lhe damos. Se chamo minha solidão de inimiga, ela será minha inimiga. Mas será possível chamá-la de amiga? Drummond acha que sim:

“Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.!“

Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões da saúde. Incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em comunhão com a natureza. Elas não vêem as árvores, nem as flores, nem as nuvens e nem sentem o vento. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo falatório vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um artifício para evitar o contato conosco mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno é o outro.“ Sobre isso, quem sabe, conversaremos outro dia... Mas, voltando a Nietzsche, eis o que ele escreveu sobre a sua solidão:

“Ó solidão! Solidão, meu lar!... Tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estás, ali as coisas são abertas e luminosas. E até mesmo as horas caminham com pés saltitantes.

Ali as palavras e os tempos
poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim a falar.“

E o Vinícius? Você se lembra do seu poema O operário em construção? Vivia o operário em meio a muita gente, trabalhando, falando. E enquanto ele trabalhava e falava ele nada via, nada compreendia. Mas aconteceu que, “certo dia, à mesa, ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção ao constatar assombrado que tudo naquela casa – garrafa, prato, facão – era ele que os fazia, ele, um humilde operário, um operário em construção (...) Ah! Homens de pensamento, não sabereis nunca o quando aquele humilde operário soube naquele momento! Naquela casa vazia que ele mesmo levantara, um mundo novo nascia de que nem sequer suspeitava. O operário emocionado olhou sua própria mão, sua rude mão de operário, e olhando bem para ela teve um segundo a impressão de que não havia no mundo coisa que fosse mais bela. Foi dentro da compreensão desse instante solitário que, tal sua construção, cresceu também o operário. (...) E o operário adquiriu uma nova dimensão: a dimensão da poesia.“

Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita.“ É na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta.

E me lembro também de Cecília Meireles, tão lindamente descrita por Drummond:

“...Não me parecia criatura inquestionavelmente real; e por mais que aferisse os traços positivos de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos... Distância, exílio e viagem transpareciam no seu sorriso benevolente? Por onde erraria a verdadeira Cecília...“

Sim, lá estava ela delicadamente entre os outros, participando de um jogo de relações gregárias que a delicadeza a obrigava a jogar. Mas a verdadeira Cecília estava longe, muito longe, num lugar onde ela estava irremediavelmente sozinha.

O primeiro filósofo que li, o dinamarquês Soeren Kiekeggard, um solitário que me faz companhia até hoje, observou que o início da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria carne. Foi quando eu, menino caipira de uma cidadezinha do interior de Minas, me mudei para o Rio de Janeiro, que conheci a infelicidade. Comparei-me com eles: cariocas, espertos, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca fui convidado a ir à casa de qualquer um deles. Nunca convidei nenhum deles a ir à minha casa. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. E nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a música clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão...

A sua infelicidade com a solidão: não se deriva ela, em parte, das comparações? Você compara a cena de você, só, na casa vazia, com a cena (fantasiada ) dos outros, em celebrações cheias de risos... Essa comparação é destrutiva porque nasce da inveja. Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. Dói uma dor da qual pode nascer a beleza. Mas não sofra a dor da comparação. Ela não é verdadeira.

Mas essa conversa não acabou: vou falar depois sobre os companheiros que fazem minha solidão feliz.

(Correio Popular, 30/06/2002)
Marianne

As pessoas sentem medo de diversas coisas externas e internas porque imaginam.

A Imaginação é a fonte de todos os sentimentos, a imaginação desperta paixões intensas, fúrias mortais, luxúrias incontroláveis, inveja, tristeza, incerteza, etc.

As pessoas imaginam coisas porque não conseguem compreendê-las.
Marianne

“[...] o Bem abstrato e sobrenatural nada consegue realizar, só o próprio homem é criador de sua liberdade.”

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

“O valor da vida é o sentido que cada homem escolhe para si mesmo."

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

“O que está na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser.”

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

“A consciência é, estruturalmente, intencional e, portanto, relação com o mundo; o corpo exprime a imersão no mundo, característica da existência humana. O corpo é um centro, em relação ao qual se ordenam as coisas do mundo e, por isso, constitui uma estrutura permanente que torna possível a consciência. Sartre vai mais longe em sua interpretação, dizendo que o corpo é a própria condição da liberdade. Não existe liberdade sem escolha e o corpo é precisamente a necessidade de que haja escolha, isto é, de que o homem não seja imediatamente a totalidade do ser. O corpo é, por conseguinte, tanto a condição da consciência como consciência do mundo, quanto fundamento da consciência enquanto liberdade.”

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

Em 1964, surpreende seus admiradores com As Palavras, análise do significado psicológico e existencial de sua infância. No mesmo ano é-lhe atribuído o Prêmio Nobel de Literatura, mas ele o recusa. Receber a honraria significaria reconhecer a autoridade dos juízes, o que considera inadmissível concessão.

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

Na Escola Normal, Sartre conheceu Simone de Beauvoir, “uma moça bem comportada” que lhe afirmou: “A partir de agora, eu tomo conta de você”. Desde então, nunca mais se separaram.

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978
Marianne

“Comecei minha vida como hei de acabá-la, sem dúvida: no meio dos livros.”

Sartre, Jean Paul, 1905-1980
Os Pensadores
Abril Cultural, 1978