Marianne
 
Mudanças ocorrem!
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Não ter amigos é tão perigoso como fumar, aponta estudo

DA EFE

Não ter amigos pode ser tão perigoso para a saúde como fumar ou consumir álcool em excesso, diz um estudo de cientistas americanos publicado nesta quarta-feira no site da revista "PLoS Medicine".

Os especialistas asseguram que o isolamento é ruim para a saúde e, no entanto, essa é uma tendência cada vez maior em um mundo industrializado no qual "a quantidade e a qualidade das relações sociais estão diminuindo enormemente".

Estudos prévios demonstraram que as pessoas com menos relações sociais morrem antes daquelas que se relacionam mais com amigos, conhecidos e parentes. 

Fonte: Folha.com

Imagina só então quem fuma e se isola!?
Marianne


Peguei uma trilha deserta e resolvi caminhar para pensar em alguma coisa antes de agir. A ação não vem a priori do ato, por isso ser calculista é essencial. Andei pensando em todo nosso passado e como nossa história foi toda invertida, o que percebo é que a mentira é uma verdade escondida por aqueles que dominam... Não, não estou em uma febre de conspiração de Dan Brown, isso me provoca um pouco de risos isolados e abafados em quatro paredes... Esse mês começo a licenciar, então ando pensativa sobre que educação passar para uma geração mais jovem, visto que a adolescência é o período que irá determinar a maturidade de cada indivíduo ali, atrás daquelas mesas, digo com certeza pois passei muito por isso, então me peguei em um pensamento já desgastado, qual a diferença que pode ser feita?

Me perguntaram essa semana porque escolhi esse caminho, porque não continuei em Negócios Internacionais, embora o lucro seja baixo no que escolhi agora, mas, desde quando to me preocupando com lucro? Escolhi por puro egoísmo, narcisismo, além de me preparar para dominar e não ser dominada, ter bons argumentos de defesa e melhores argumentos para ataque! – Sim, isso é o que quero que vejam e não o que realmente vou fazer. Eu não fico olhando o erro dos outros diariamente e criticando, observo o comportamento das pessoas sim, para poder lidar com elas e a partir do momento que eu percebi que uma das coisas que contribuem na formação do indivíduo é a educação, resolvi ir por esse caminho. Ver aqueles jovens com aqueles olhares cheios de vitalidade e energia, querendo viver e dar presença á sua existência e a maneira como eles te olham com uma curiosidade, querendo saber de tudo e de todos, uma necessidade de conhecimento... É tão belo como os fenômenos mais intensos que se apresentam á minha frente.

É, isso vem me preocupando um tanto, visto que a responsabilidade de um educador exige muita dedicação e uma preparação ética valorativa, um professor é um exemplo, então que exemplo devo ser? A sociedade e os indivíduos que caem em seu jogo, não sabem lidar com pessoas indiferentes á ela, por isso dou ênfase nisso, ser indiferente para não ser dominada... Bom, seja como for, haverá muito trabalho pela frente, acredito que o próximo Decatlo Acadêmico, em agosto, onde começo meu trabalho na Iniciação Científica irá ser um bom começo para elaborar um esquema de ensino para uma boa formação de indivíduos mais conscientes e com o envolvimento na Comissão de Alunos, será também um bom trabalho á ser desenvolvido. Afinal, será essa geração que está sendo criada que irá ser o exemplo para os meus filhos... Tudo é como uma reação em cadeia, sem intervalo mesmo...

Quando caminho pela praça da minha cidade e em outros lugares também, vejo o diálogo das crianças, que já nem parecem mais crianças, uau, fico um tanto paralisada... Meus pais sempre me ensinaram a respeitar qualquer tipo de pessoa, até mesmo as que eu odeio, as que tentam me agredir fisicamente ou verbalmente, e juro, foi esse ensinamento que me ajudou nos momentos mais difíceis... A tarde quando caminho com meu pai para ver o pôr do sol, ele me diz que se você odeia uma pessoa, essa pessoa cria domínio total sobre você, pois seus sentimentos se voltam somente para ela, seu psicológico é destruído por ela... Não é certeza que o sol irá nascer amanhã, só porque ele nasceu todos os dias, mas é certeza que aquele pai já com seus cabelinhos brancos com sua vitalidade já no fim, que me chama para caminhar com ele, irá deixar de acordar bem antes do dia que o sol deixará de nascer. O amor começa no lar, quem não tem amor no lar ou não tem um lar, ainda tem a escola, embora somente a pública aceite todos os indivíduos, porque não começar por ela? Há muitos obstáculos no caminho, como o governo e tudo mais, que determinam o que devemos ensinar, mas eles não ficam na sala de aula para ver os indivíduos que estão desenvolvendo, então o governo é apenas uma pedrinha no sapato... É o que eu vou ensinar e como vou ensinar que irá determinar a papel daquele indivíduo na sociedade.

Mas meu pensamento não foge muito daquilo que escrevi na iniciativa dos “blogueiros” sobre Um Mundo Melhor. Logo eu que fui jogada pra ficar atrás de uma mesa controlando uma empresa, contrariei definitivamente a expectativa de muitos, mas não me julgo a ovelha negra da família, como eu falei certa vez, não pertenço a rebanhos de ovelha, talvez á uma matilha de lobos... brincadeira! Não minto, não vejo a hora de começar!!!
 
Eu gosto de procurar conhecer as pessoas com gênio mais forte e dificil, pois sei que nesse caminho vou encontrar muitos e preciso estar pronta para trabalhar com eles também.

Sabe quando falam “quer mudar o mundo, então comece por você mesmo”? Foi essa mudança que tive que fazer, agora que ela está quase concluída, logo estarei fazendo a minha parte para criar seres humanos dignos de serem amados com todos seus defeitos e qualidades. Só espero que essa empolgação não seja inicio da formação de um educador, pois não quero ser aqueles tipos de professores chatos que parecem que dão aula por obrigação e tratam seus alunos como um fardo e como clientes, se isso acontecer abandono minha profissão...

Resolvi escrever sobre isso para refletir melhor e colocar as idéias em ordem, talvez porque é algo que não paro de pensar ultimamente...


Marianne
Quanto mais observo esse espetáculo noto que:

Quando reclamamos muito - pouco fazemos.

O tempo que se perde reclamando é o mesmo tempo que poderíamos estar agindo, para diminuir essas reclamações.


Marianne

Eu realmente queria saber
O que você tinha guardado
Eu realmente não pude dizer
Talvez esteja tudo bem
Eu vim aqui com um sonho
E eu apenas tinha que ver
Se meu sonho iria voar
Eu bati em todas as portas

Toda sua vida estava escrita
Escrita ali dentro
A nova bíblia semanal
Seu moderno guia da tv
A cada noite ele olha para a tela

Um homem vê apenas o que ele quer ver
Quando ele está em sua mente
Onde ele está onde quer estar
Vivendo em um mundo onde ele está a salvo da realidade
Você não vai se arriscar esta noite
E siga-me
Você não vai me seguir?

Não preciso mais de super-heróis
Não preciso de estrelas de cinema
Não preciso de políticos
Em grandes e brilhantes carros
Não preciso de pastores
Que tem sua igreja na minha televisão

Um homem vê apenas o que ele quer ver
[...]

Uma vez foi um herói acabado
Do tipo que todos nós conhecemos
Do tipo que se esconde dentro de nós
Pois nós nunca mostramos
O tipo que nós dizemos que nunca seríamos

Toda sua vida estava escrita
Escrita ali dentro
A nova bíblia semanal
Seu moderno guia da tv
A cada noite ele olha para a tela

Um homem ve somente o que quer ver

(Música: Fallow me - Savatage)
Marianne

Estou um tanto entediada; tédio a meu ver é quando nada que está próximo de você provoca algum prazer, então fazemos à única coisa que segundo os antigos, nos traz a consciência de que existimos: pensar. Pensar e pensar e pensar, porém o meu pensar é em boa parte egoísta – penso somente em mim, mas penso com sinceridade, penso no que gosto e no que não gosto, por exemplo.

Não gosto dos seres humanos, mas quando afirmo isso não estou querendo me apresentar como uma nervosinha e revoltada contra o sistema, já tem bastante trouxas disponíveis fazendo isso, e afinal, já passei da idade dessas percas de tempo. Não gosto dessa raça humana mesmo e o que me deixa mais com tédio é saber que pertenço á ela, que sou ela; um ser tão frágil, tão limitado, tão manipulado por um psicológico totalmente frouxo e cego por afeições desnecessárias. Tem tédio maior do que sentir sentimentos? Adoro leituras poéticas e tudo mais, pois na poesia valorizam um pouco a inutilidade de ser o que somos: pó e sopro. Depois falam sobre a “evolução” do homem e da sua tecnologia, mas eu penso “ta e daí?”, no final é o homem destruindo o próprio homem.

Minha ganância gostaria de ser Deus, mas minha preguiça me diz que isso deve dar uma enxaqueca maior das que a que sinto ouvindo um monte de gente falando.

O que me enjôo mais é todo mundo se achar o dono da verdade sem entender que cada um é doutor só na sua área, afinal estamos amarrados no raciocínio mecanicista, agora me vem os ignorantes de plantão querendo mostrar que sabe de tudo, quando não consegue explicar para si mesmo nem o que são. e nem o que querem.. Se algo que eu aprendi é não discordar dos ignorantes, deixe sempre eles acreditarem que te convenceu daquilo que para eles é uma realidade, pois dar murro em ponta de faca é muito cansativo e tentar ensinar o “abc” pra quem ainda não quer largar as fraldas, é um desperdício imenso. Não minto, às vezes é divertido brincar com essas pessoas, a maneira como elas agem quando querem exibir-se é bem curioso!

Pois bem... Estou com tédio de ficar por aqui também, vou pegar minha xícara de chá e ficar contanto as estrelas, não é nada útil, mas é uma distração de tempo, ao menos nesse cenário em cima da minha cabeça, meus olhos não enxergam nenhum ser humano.
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– Nem uma rosa vermelha em todo o meu jardim! – gritava o Estudante, cujos belos olhos se enchiam de lágrimas -. Ah! De que insignificantes coisas dependem a felicidade! Tenho tudo quanto escreveram os homens sábios e possuo todos os segredos da filosofia, mas minha vida se torna desditosa por falta de uma rosa.
– Eis aqui, pelo menos, um amante verdadeiro – disse o Rouxinol, tenho cantado, noite após noite, sem conhecê-lo. Noite após noite, tenho contado sua história às estrelas e agora o vejo. Seu cabelo é negro como a flor do jacinto e seus lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas a paixão tornou-lhe a face pálida como o marfim e a tristeza marcou-lhe a fronte com seu selo.

[...]

– Eis aqui, de fato, o amante verdadeiro – disse o Rouxinol –. Sofre o que dele canto; o que para mim é alegria, para ele é dor. O amor é realmente uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que esmeraldas e mais precioso que esplendidas opalas. Pérolas e granadas não podem comprá-lo, porque não se acha exposto nos mercados. Não pode ser comprado por mercadores, nem pesado na balança em que se pesa o ouro. (pág 239)

[...]

...pois o Amor é mais sábio do que a Filosofia, ainda que esta o seja, e mais forte do que o Poder, ainda que este o seja. Suas asas têm cor de chamas e seu corpo cor de fogo. Seus lábios são doces como o mel e seu hálito é como incenso. (pág 241)

[...]

– Tem estilo – disse a si mesmo, enquanto atravessava o bosque –. Não se lhe pode negar isto. Mas tem sentimento? Receio que não. É de fato como muitos artistas: é todo estilo, sem nenhuma sinceridade. Não se sacrificaria pelos outros. Pensa simplesmente em música e toda a gente sabe que as artes são egoístas. (pág 242)

[...]

– Que coisa estúpida é o Amor! – disse o Estudante, enquanto se retirava –. Não é nem a metade tão útil como a Lógica, pois não prova coisa alguma e está sempre falando de coisas que não sucederão e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdadeiras. Na verdade, não é nada prático e, como nesta época ser prático é tudo, voltarei à Filosofia e ao estudo da Metafísica. (pág. 243)

WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.


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Nota: Além do meu amor pela Filosofia, não nego minha paixão pela Literatura. Estou tentando ler a obra completa de Oscar Wilde, tenho uma grande admiração pela vida e pela obra desse escritor, principalmente quando é voltado á Estética. Pesquisando imagens encontrei esse conto completo, logo depois de ter copiado do meu livro, mas enfim, quem gostar nesse blog (Alexandre Leme) está disponível . Boa leitura!
Marianne
 O PRÍNCIPE FELIZ


Uma noite, voou sobre a cidade uma pequena Andorinha. Suas companheiras tinham partido para o Egito seis semanas antes, ela, porém, ficara para trás, pois se achava de amores com um Caniço. Vira-o logo no começo da primavera, quando voava sobre o rio, em perseguição a uma grande borboleta amarela, e sentira-se tão atraída pelo esbelto talhe dele que parara para dirigir-lhe a palavra.
– Deverei amá-lo? – disse a Andorinha, que gostava de entrar diretamente em assunto, e o Caniço fez-lhe uma profunda vênia. Pôs-se então a Andorinha a voar em redor dele, roçando a água com suas asas e fazendo tremulinas prateadas. Era sua maneira de fazer a corte e durou todo o verão.
– É uma paixão absurda – chirriavam as outras Andorinhas –. Ele não tem dinheiro e parentes não lhe faltam. (pág. 231)
[...]

– Queres vir comigo? – perguntou-lhe afinal, mas o Caniço abanou a cabeça. Era tão apegado a seu lar...
– Estivesse a zombar de mim – exclamou ela –. Parto para as Pirâmides. Adeus. (pág. 232)

[...]

– Uma vez que não tem mais beleza, não tem mais utilidade – Disse um Professor de Arte da Universidade. (pág. 238)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
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Estava "navegando" e encontrei em um site (Tópicos dos textos de Freud) um artigo sobre a obra de Freud "o Mal Estar na Civilização" muito interessante, tipo um "resumão" sobre alguns pontos:


Tópicos dos textos de Freud (Apostila – item B)

(Do livro: "O mal estar da civilização", de Freud e do livro "Freud e a Cultura, de Betty B. Fuks)

1. Sonhos: a realização de um desejo não-satisfeito que acontece através do conteúdo manifesto. No entanto o significado está nos pensamentos latentes ou pensamentos inconscientes. os pensamentos inconscientes do sonho se disfarçam no conteúdo manifesto

- formas de elaboração onírica: condensação (é caracterizada pela síntese: os sonhos se apresentam breves, concisos e lacônicos); deslocamento: se caracteriza por uma transferência de intensidades psíquicas. Um elemento sem valor psíquico retira a atenção de outro verdadeiramente importante em relação ao desejo do sujeito)

* Na vida onírica a criança prolonga, por assim dizer, sua existência no homem, , conservando todas as peculiaridades e aspirações, mesmo as que se tornam mais tarde inúteis.

* Nos sonhos o inconsciente se serve, especialmente para a representação de complexos sexuais, de certo simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas.

* objeção ao fato de entender o sonho como satisfação de desejos: Freud responde: "A ansiedade é uma das reações do ego contra desejos reprimidos violentos, e daí perfeitamente explicável a presença dela no sonho, quando a elaboração deste se pôs excessivamente a serviço da satisfação daqueles desejos reprimidos."

* Simbolismo: o inconsciente se serve nos sonhos de um "simbolismo, em parte variável individualmente e em parte tipicamente fixo, que parece coincidir com o que conjeturamos por detrás dos nossos mitos e lendas."

1. Sentido da vida humana: Os homens buscam a felicidade. Há dois aspectos nesta busca: um positivo: a experiência de intensos sentimentos de prazer; negativo: a ausência de sofrimento e de desprazer.

* Em outras palavras, o propósito da vida humana é o princípio do prazer. Mas a sua efetivação plena é impossível. "As normas do universo são-lhe contrárias". "Só podermos derivar prazer intenso de um contraste, e muito pouco de um determinado estado de coisas."

* Se a felicidade é mais difícil de experimentar o mesmo não se pode dizer da infelicidade.

* Somos ameaçados pelo sofrimento, pelo desprazer que vem de três fontes: de nosso próprio corpo (envelhecimento), do mundo externo e de nossos relacionamentos com os outros homens. "O sofrimento que provém dessa última fonte talvez nos seja mais penoso do que qualquer outro."

* formas de evitar o sofrimento:

a) manter-se à distância de outras pessoas, isolar-se; sujeitar a natureza através da ciência;

b) influenciar o nosso próprio organismo: por exemplo pela intoxicação que pode se dar através de uma droga externa ou através de reações químicas internas) "O serviço prestado pelos veículos intoxicantes na luta pela felicidade e no afastamento da desgraça é tão altamente apreciado como um benefício, que tanto indivíduos quanto povos lhes concederam um lugar permanente na economia de sua libido ( = É a energia inerente aos movimentos e transformações dos impulsos sexuais. É uma palavra latina que significa desejo, vontade). Porém segundo Freud "Sabe-se igualmente que é exatamente essa propriedade dos intoxicantes que determina o seu perigo e a sua capacidade de causar danos. São responsáveis, em certas circunstâncias, pelo desperdício de uma grande quota de energia que poderia ser empregada para o aperfeiçoamento do destino humano."

c) aniquilamento dos instintos

d) SUBLIMAÇÃO: "quando se consegue intensificar suficientemente a produção de prazer a partir das fontes do trabalho psíquico e intelectual" "A tarefa aqui consiste em reorientar os objetivos instintivos de maneira que eludam a frustração do mundo externo." Seu limite: ". Contudo, sua intensidade se revela muito tênue quando comparada com a que se origina da satisfação de impulsos instintivos grosseiros e primários; ela não convulsiona o nosso ser físico." Exemplo: no campo da arte que usa muito a imaginação, a fantasia.

e) rompimento com a realidade: mas a realidade é mais forte e o desprazer e sofrimento sempre estarão presentes.

f) tentativa de obter felicidade no relacionamento emocional com os outros: busca amar e ser amado. Fazer do amor o centro de tudo. Porém: "... nunca nos achamos tão indefesos contra o sofrimento como quando amamos, nunca tão desamparadamente infelizes como quando perdemos o nosso objeto amado ou o seu amor. Isso, porém, não liquida com a técnica de viver baseada no valor do amor como um meio de obter felicidade."

g) Fruição da beleza: "oferece muito pouca proteção contra a ameaça do sofrimento, embora possa compensá-lo bastante."

CONCLUSÃO: ."O programa de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, ..., não pode ser realizado; contudo, não devemos — na verdade, não podemos — abandonar nossos esforços de aproximá-lo da consecução, de uma maneira ou de outra." Os caminhos podem ser diferentes. Depende de cada um. "O homem predominantemente erótico dará preferência aos seus relacionamentos emocionais com outras pessoas; o narcisista que tende a ser auto-suficiente, buscará suas satisfações principais em seus processos mentais internos; o homem de ação nunca abandonará o mundo externo, onde pode testar sua força"

Mas Freud diz algo importantíssimos para a psicanálise: ". Qualquer escolha levada a um extremo condena o indivíduo a ser exposto a perigos, que surgem caso uma técnica de viver, escolhida como exclusiva, se mostre inadequada. Assim como o negociante cauteloso evita empregar todo seu capital num só negócio, assim também, talvez, a sabedoria popular nos aconselhe a não buscar a totalidade de nossa satisfação numa só aspiração."

1. RELIGIÃO: Freud vê nas religiões uma fonte de promessas ilusórias à situação de desamparo originário que marca a subjetividade humana. Apelar a o Pai (Deus) significa pedir proteção contra a castração e a morte em um mundo onde a castração e a morte já estão consumadas. Freud se aproxima do adágio marxista de que "a religião é o ópio do povo"

Porém (e isto é sumamente importante) Freud não teve o objetivo de depreciar a crença religiosa mas combate o discurso religioso que se propõe a rebaixar o valor da vida deformando de forma delirante a forma do mundo real e consequentemente intimidando a inteligência humana. "A psicanálise nos ensina que as instituições religiosas, em sua grande maioria, valem-se da fragilidade do homem diante de seu próprio desamparo para fortalecer suas bases políticas. Unificam os fiéis em torno de uma verdade única, desprezam toda e qualquer expressão subjetiva e impedem o equilíbrio necessário entre o desejo do sujeito e as reivindicações do grupo social" (pág. 33, Freud e a Cultura, Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro,ano 2003)

Mas Freud reconhecia a importância da religião como "uma sublimação ideal da humanidade na conquista ética e nos fundamentos da alteridade dos mais diversos povos" (op. Cit. Pág. 34)

2. AMOR AO PRÓXIMO, AGRESSIVIDADE, REPRESSÃO DA SOCIEDADE:

* Há uma oposição entre a nossa libido que quer se restringir ao amor entre duas pessoas e a civilização que exige a extensão da libido a um número maior de pessoas. "Convoca a libido inibida em sua finalidade, de modo a fortalecer o vínculo comunal através das relações de amizade. Para que esses objetivos sejam realizados, faz-se inevitável uma restrição à vida sexual."

* Por isto a sociedade emprega "métodos destinados a incitar as pessoas a identificações e relacionamentos amorosos (este é o sentido do mandamentos de amar ao próximo e até os inimigos) porque segundo Freud "... os homens não são criaturas gentis que desejam ser amadas e que, no máximo, podem defender-se quando atacadas; pelo contrário, são criaturas entre cujos dotes instintivos deve-se levar em conta uma poderosa quota de agressividade."

* O fim da propriedade privada com o comunismo é a solução para acabar com a agressividade humana? Freud não acredita nisto pois "a agressividade não foi criada pela propriedade. Reinou quase sem limites nos tempos primitivos, quando a propriedade ainda era muito escassa, e já se apresenta no quarto das crianças, quase antes que a propriedade tenha abandonado sua forma anal e primária; constitui a base de toda relação de afeto e amor entre pessoas ( com a única exceção, talvez, do relacionamento da mãe com seu filho homem).

* Exemplo desta agressividade indestrutível através : Narcisismo das pequenas diferenças

+ O "Narcisismo das pequenas diferenças" está na base da formação do "nós" e do "outro". Ocorre na tensão entre povos vizinhos (por exemplo nas rixas entre brasileiros e argentinos), entre indivíduos de estados diferentes de um mesmo país (exemplo: entre cariocas e paulistas). São pequenas diferenças reais que criam impedimento para que o outro seja um perfeito semelhante. Tal fato deixa claro que o ódio não nasce da distância mas da proximidade. "É sempre possível unir um considerável número de pessoas no amor, enquanto sobrarem outras pessoas para receberem as manifestações de sua agressividade." O grupo produz seu outro partir do qual forja sua própria identidade eliminando as diferenças internas, fabricando uma unidade fictícia com o objetivo de perpetuar sua dominação. Cria-se imaginariamente um EU IDEAL. Em nome do amor à unidade, ficam abolidas as vontades individuais. O eu ideal se liga com o pai ideal na figura do Fuhrer, cuja vontade se confunde com a lei. Como no estado religioso há a ilusão de que o "líder carismático tem o poder de salvar a todos do desamparo primordial e da angústia real" assegurando "as reivindicações narcísicas de cada membro". (op. Cit. Pág. 47)

Mas isto só será possível se se eliminar ódio no interior do grupo. Então ele é dirigido contra o estrangeiro e este ódio favorece a coesão da comunidade. Ou seja, reprime-se o ódio ao idêntico a quem se ama para direcioná-lo ao outro, à alteridade. "Em nome do amor entre os membros a quem abraça, uma organização permite e incita a todos que expressem intolerância e crueldade contra os estrangeiros, aqueles que não aderem à concepção de mundo e à ideologia que ela difunde."

CONCLUSÃO: o fenômeno do narcisismo das pequenas diferenças desemboca na segregação e no racismo. "A vontade de uniformização dos indivíduos manifestada pelo nazismo, pelo fascismo e pelo stalinismo se inscreve para além da tendência de apagar a diferença no interior do grupo e passá-la para fora. Ela propõe o pior a eliminação de qualquer diferença, mesmo quando fora do conjunto" (op. Cit. Pág. 51)

Em "O mal estar na civilização" Freud alude ao fato de não ter sido por mero acaso que o sonho de um império germânico universal tenha precisado criar o anti-semitismo como seu complemento. O Reich alemão logrou instalar a segregação e a intolerância como meio de garantir o sucesso de sua unidade política.

"Obrigando o sujeito a escolher seu objeto de amor no interior do grupo, ficava abolida, de imediato, a proibição simbólica do incesto. Essa estratégia de burlar a castração imposta pela lei paterna marca um revés fundamental: a organização social fica ordenada sob a égide de um regime plantado sobre a denegação da morte e do narcisismo ilimitado." "... Uma das características da modernidade é essa tentativa de restabelecer uma figura de excesso que, oferecendo ás massas a quimera de protegê-la da castração e da morte, desenvolve em troca um poder ilimitado exercido paradigmaticamente nos regimes totalitários. Trata-se, na verdade, de uma estratégia de poder fixada na infantilização do sujeito, em sua dominação real que gera em escala coletiva a destruição e a morte" (op. Cit. Pág. 51)
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Vago lentamente nessas folhas pálidas que refletem minha face, e um suspiro inesperado parece sussurrar o seu nome; como você, eu finjo que não sou eu, finjo que sou qualquer coisa para aliviar a culpa dos meus erros. Sabe, quando Antoine de Saint-Exupéry escreveu sobre a Rosa do Pequeno Príncipe e a crueldade do comportamento frio dela, eu compreendi que algumas mulheres são frágeis, não tem mais que dois ou três espinhos para se defender, e toda a agressão verbal e orgulho é para substituir a força física e sentimental que faltam nelas. Afinal, como aprendemos, pra ferir uma pessoa não basta um tapa no rosto, a dor do tapa passa... Atinja o psicológico dessa pessoa com poucas palavras e pra sempre ela ficará ferida... As palavras se tornam uma arma na boca de pessoas maliciosas e manipuladores não é mesmo?
Eu posso escrever também que compreendi os sentimentos de Dorian Gray quando ele conversava com Lorde Henry e este comenta que “a única diferença que há entre um capricho e uma paixão eterna, é que o capricho dura um pouco mais”, e Dorian falou que queria que a amizade deles fosse um capricho... Tudo o que consideramos bom, mesmo não sendo, queremos que dure sempre mais e mais...
Mas é tudo um tédio, pensei que você fosse o rei desse tabuleiro, que levaria um xeque-mate com mais dignidade, mas foi só mais um peão a ser lançado pra fora...
Não queria voltar a jogar com você e medir poder, mas você insiste em fazer disso um campo de batalha e sabe o que pode desagradar? Eu realmente não me satisfaço com a paz quando o jogo é contra você.
Marianne


Não queria ter acordado tão cedo, o meu leito era a minha fuga emergencial, mas algo que há em algum lugar dentro de mim grita, não sei onde, não sei, visto que tudo o que sinto vem da visão, não sei se o que expresso também sai dela. Há um rio com águas correntes que fica entre meu peito e meus olhos, eu o engulo seco na garganta, não posso deixá-lo afogar minha face. Há um demônio que sempre que se aproxima de mim traz consigo o inferno, o inferno da sua existência.
Marianne

Caminhamos buscando a beleza do sol, longe das nossas peles, deitando-se entre as montanhas como Afrodite em seu leito. Enquanto meus pés me arrastavam para frente, o chão era deixado para trás, em um simples passo criávamos um futuro sem nenhum objetivo material, apenas contemplar o céu de aquarela á nossa frente. Seus pés cansados do meu lado tropeçavam ás vezes, mas seguia junto de mim e isso eu chamei de felicidade. Chegamos em cima do pequeno morro e paramos nosso olhar para o horizonte e em apenas alguns minutos o nosso deus de fogo se escondeu deixando o cenário se apagar como uma vela já ao fim. Então pensei e comentei como seria se descobríssemos que nada disso existe e que somos somente uma sombra, o senhor se calou deixando sua alma voar no instante daquilo que acreditamos ser nossa existência. Depois de comentarmos algumas observações do cenário ao redor, viramos as costas para a montanha que o sol se escondeu e voltamos para casa em direção à lua que se enchia de si mesma á nossa frente.
Marianne


Não sei se as leis são justas ou injustas,
Nós que jazemos na prisão,
Tudo quanto sabemos é que é forte
Essa muralha que a circunda;
E que igual a um ano é cada dia,
Ano de dias infindáveis.

Mas o que sei é que todas as leis
Pelo Homem feitas para os Homens
Dês que o primeiro seu irmão matou
E deu início ao triste mundo,
O trigo espalham e retêm a palha
Com seu crivo de malefícios.

Eu sei também – e quão sábio seria
Que o mesmo cada qual soubesse –
Que é feita de tijolos de ignomínia
Toda prisão que os homens erguem,
Com grades para o Cristo não ver como
O Homem mutila seu irmão.

Essas grades a lua amável mancham
E escurecem o sol bondoso;
Bem fazem no esconder o seu Inferno
Pois nele coisas se praticam
Que nem Filho de Deus ou Filho de Homem
Jamais devia contemplar

(página 982)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
Marianne

E toda a angústia que o levou a dar
Aquele grito de amargura
E seus remorsos, seu suor de sangue,
Como eu ninguém os conhecia:
Pois quem vive mais de uma vida deve
Morrer também mais de uma morte
(página 978)

Pois quem peca segunda vez, acorda
Uma alma morta para a dor,
Tira-a de seu sudário maculado,
Fazendo-a de novo sangrar,
E a faz sangrar grandes gotas de sangue
E a faz sangrar inutilmente.
(página 979)

E todo o tempo a cal ardente come,
A carne e os ossos seus devora,
Come de noite os ossos quebradiços
De dia come a carne mole,
Por turno vai comendo a carne e os ossos,
Mas sem cessar o coração.
(página 980)


WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.
Marianne

O que é um amigo? Eu não sei...
Quando as pessoas falam de amigos parece que estão falando de algo superior a tudo o que há, como se amigos nunca trouxessem mágoas, tristezas, só coisas boas. Basta ser um ser humano para ser imperfeito. Amigo ou amizade não é perfeição. Amigos são pessoas como nós, que nos dão motivos pra sorrir e para chorar, para amar e odiar, amigos não são para todas as horas, somente para as horas que lhe convém. Mas o que há de especial na amizade é a garantia de que ter alguém contigo na estrada da vida, faz com que o tempo passe mais rápido e que o espaço seja mais curto, ter um amigo é ter a garantia de que alguém gosta de você sem pedir nada em troca, alguém que gosta de você como um ser cheio de defeitos. Verdadeiros amigos te aceitarão como és, irá corrigir aquilo que em ti faz mal para si mesmo e para outrem, verdadeiros amigos lutam para que a amizade permaneça, se não lutam é porque não são amigos, muito menos verdadeiros. Abri mão de muitos amigos, porque antes mesmo de lutar por eles, descobri que a luta já estava perdida.

"O homem do conhecimento não só deve poder amar seus inimigos, deve também poder odiar seus amigos." (Nietzsche)
Marianne


Chore estrelas, pequena nebulosa, diante dos meus olhos vazios. O seu brilho é uma transa de néons, um oceano que minha alma mergulha apenas nesse instante de olhar; mas eu não te senti, duvido da sua existência como da existência dos anjos. Nebulosa, seu véu negro esconde o pesar que você carrega em suas costas, eu vejo, mas não sinto. A beleza do seu fenômeno é impossível registrar, nenhuma nebulosa é igual à outra, mesmo dentro de um universo infinito ao nosso conhecimento, você entende o quão única és? Brilhe, porque você é o berço dessas estrelas nenéns, eu quero seu brilho, a sua criação estampada no meio desses livros que guardam a alma de cada autor. É essa sua cor melancólica, esses tons mortos e florescente que há em sua palidez que tanto me hipnotiza, é essa ausência de tudo, essa loucura silenciada, esse vagar empoeirado, solitário, mesmo na companhia de trilhões de corpos celestes ao redor, é o seu vazio que é igual ao meu vazio, esse vazio que se faz de imã, fazendo com que as minhas estrelas se choquem com as suas estrelas, explodindo em faíscas de dores o nosso sentimento desprezado por nós mesmos...

Para meu amigo que diz que não existe... Sch.
Marianne


Haviam preparado para nós um jardim decorado pelo outono, mas com o perfume da primavera. Ali tinha um colchão de folhas e o céu estrelado era iluminado por estrelas de ouro. Nossa lua era de diamante e a brisa era composta por notas harmônicas jamais ouvidas. Era o lugar que adormecia nosso amor, um amor cuja existência foi preso no paraíso da nossa imaginação, sem nunca poder pertencer à realidade. Ele era, era, pois já não mais é; era tão grande que não cabia nesse universo, então matou a si mesmo com o fel da sua covardia, afogou a si mesmo no lago, como Narciso, deixando as águas cristalinas verterem em um vermelho jamais visto. E o céu de tão aflito cobriu com nuvens todas as estrelas para não deixá-las ver o horrível crime que acontecera embaixo de si. E a melodia da brisa chorava a despedida daquilo que a inspirava. Sem o nosso amor, o caos passou a deformar o cenário mitológico, até o próprio inverno cobriu de neve tudo o que viu, na tentativa de congelar o próprio tempo para que aquilo não agravasse mais. E abriu-se então um abismo, cuja existência é a ausência do amor morto, um abismo sem ponte, um abismo que não se atravessa, pois não há mar para navegar por baixo dele, nem um céu para voar. Na morte do amor, o que era se torna nada, o tudo é agora nada.
Marianne

Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura
Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte
E Ela era a minha estrela, o meu único Norte,
O grande Sol de afeto - o Sol que as almas doura!

Fugiu... e em si a Luz consoladora
Do amor - esse clarão eterno d'alma forte -
Astro da minha Paz, Sírius da minha Sorte
E da Noute da vida a Vênus Redentora.

Agora, oh! Minha Mágoa, agita as tuas asas,
Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas
E, num Pálio auroral de Luz deslumbradora,

Ascende à Claridade. Adeus oh! Dia escuro,
Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro;
Aurora morta, foge - eu busco a virgem loura!
Marianne
De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de lágrimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

De modo tal minha atenção desvias,
Com tal perícia meu engano teces,
Que, se gelado o coração tivesses,
Certo, querida, mais ardor terias.

Olho-te: cega ao meu olhar te fazes ...
Falo-te - e com que fogo a voz levanto! -
Em vão... Finges-te surda às minhas frases...

Surda: e nem ouves meu amargo pranto!
Cega: e nem vês a nova dor que trazes
À dor antiga que doía tanto!
Marianne


Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

Não me basta saber que sou amado,
Nem só desejo o teu amor: desejo
Ter nos braços teu corpo delicado,
Ter na boca a doçura de teu beijo.
Ao coração que sofre

E as justas ambições que me consomem
Não me envergonham: pois maior baixeza
Não há que a terra pelo céu trocar;

E mais eleva o coração de um homem
Ser de homem sempre e, na maior pureza,
Ficar na terra e humanamente amar.
Marianne

O amor amado por um único indivíduo é martírio, sofre a indiferença, a covardia do ser amado, que nega, fugindo, assumir o sentimento que permeia para ser saciado. Amo o amor, mas odeio o objeto amado. Eros não é Filia, muito menos Ágape, Eros é devastador, quer por que quer e não há razão no seu querer, se sua flecha é posta em nosso peito e ali ficar sem os cuidados do amante, inflama, trinca em mil feridas, até que a vítima morra sangrando o sangue de seus próprios sentimentos ignorados. Eros chora na soleira do templo dos corações que foram partidos, rasgados ao meio por seu arco. É viver no paraíso de Tártaros, sentir fome e não poder pegar o fruto desejado, sentir sede e não poder beber desse oásis, ser um fantasma no nirvana, estar ali e ao mesmo tempo não estar, ser só desejo e não ser corpo para saciá-lo. Assassino, ladrão, escrúpulo, aquele que desperta o amor sem querer correspondê-lo, ah como esses seres deveriam ser afogados pelas almas agonizantes que se perpetuam nas águas de Hades. Amar e não ter a coragem de viver esse amor, é o mesmo que massacrar uma carne, um corpo vivo sem matá-lo, é retirar toda a pele de um corpo de pedaço em pedaço e quando tornar-se somente músculos, recriar essa pele e começar a tortura novamente. O amor foi feito para ser amado e não rejeitado.
Marianne
“Há pessoas que transformam o sol em uma pequena mancha amarela, porém há também as que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol.”

Pablo Picasso


Marianne
 (...)

Contudo os homens matam o que amam
Seja por todos isto ouvido,
Alguns o fazem com acerbo olhar,
Outros com frases de lisonja,
O covarde assassina com um beijo,
O bravo mata com punhal!

Uns matam seu amor, quando são jovns,
Outros quando velhos estão;
Com as mãos do Desejo uns estrangulam
Outros do Ouro com as mãos;
Os de mais compaixão usam a faca,
O morto assim logo se esfria.

Uns amam pouco tempo, outros demais;
Este o amor compra, aquele o vende;
Uns matam a chorar, com muitas lágrimas,
Outros sem mesmo suspirar:
Porque cada um de nós mata o que ama,
Mas nem todos hão de morrer.

Duma morte infamante ele não morre
Num negro dia de desgraça,
Nem corrediço nó tem no pescoço,
Nem lhe cobrindo o rosto um pano,
Nem, faltando o soalho, os pés lhe caem
Pendentes no vazio espeço.

WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.

Marianne
"Blogueiros por um mundo melhor - nós fazemos a diferença"!

Espero estar fazendo certinho. Um bom amigo de blog e educador, Gilmar (Caminhar & Ruminar), me passou essa iniciativa, demorei um pouco pra refletir sobre o tema, mas segue:



UMA DAS CHAVES É A (RE)EDUCAÇÃO


Pensar em um mundo melhor é pensar em tantas coisas. Devido ao campo que estou de estudo, não tem como pensar nisso sem ter a influência dos grandes pensadores e escritores.

Penso que, educar de forma diferente a geração que está por vir e a que está crescendo, seria uma das maneiras de recriar um mundo melhor. Mas como? Observando todos os erros cometidos pelas gerações que se foram e pelas gerações que ainda estão aqui e corrigir, ou melhor, evitar que esses erros ocorram com nossas crianças. Teria muita coisa para analisar sobre isso, uma delas por exemplo seria educar indivíduos de maneira que não se acomodem no senso comum e nem sejam um bando de alienados nos vícios, sejam eles no consumo, nas drogas (farmacêuticas ou ilegais), enfim, em tudo.

Se eu fosse escrever uma longa reflexão sobre isso, eu usaria três grandes obras para refletir:

Emílio – Rousseau
Introdução ao Pensamento Complexo - Edgar Morin
Novum Organum – Francis Bacon

Em Emílio, Rosseau vai trabalhar com a educação de um indivíduo desde o instante do parto, a proposta que ele oferece é muito interessante, ele cria esse indivíduo até a maturidade. Óbvio, não tem como ter a absoluta certeza de que tal individuo irá seguir perfeitamente o que Rosseau sugere, principalmente porque a mente humana é imprevisível, mas tem muita coisa nessa obra que da pra aproveitar muito no trabalho da educação.

Na obra de Edgar Morin, ele vai estabelecer um pensamento que descarta o método cartesiano, mecanicista, de dividir uma coisa em partes para entender o todo, dois exemplo que posso citar, dividir o relógio em pedaçinhos para entender ele todo, até mesmo na medicina, cada doutor é especialista em uma parte do corpo, somos tão “doutrinados” a dividir tudo, que acabamos não dando atenção ao todo, enfim, mas o que isso tem a ver com educação e mundo melhor? Vejamos, não adianta trabalhar com indivíduos isolados na sociedade, temos que trabalhar com o individuo e com a sociedade, considerando que o individuo é uma parte e a sociedade é o todo. Pra não prolongar muito, eu recomendo essa obra, é muito interessante.

Em Novum Organum, Francis Bacon irá falar dos “ídolos”, os ídolos que temos que nos libertar, como estou escrevendo de cabeça, vou adotar o resumo da Wikipédia pra dar uma leve passagem sobre o que são esses ídolos:

"No que se refere ao Novum Organum, Bacon preocupou-se inicialmente com a análise de falsas noções (ídolos) que se revelam responsáveis pelos erros cometidos pela ciência ou pelos homens que dizem fazer ciência. É um dos aspectos mais fascinantes e de interesse permanente na filosofia de Bacon. Esses ídolos foram classificados em quatro grupos:

1) Idola Tribus (ídolos da tribo). Ocorrem por conta das deficiências do próprio espírito humano e se revelam pela facilidade com que generalizamos com base nos casos favoráveis, omitindo os desfavoráveis. São assim chamados porque são inerentes à natureza humana, à própria tribo ou raça humana.
2) Idola Specus (ídolos da caverna). Resultam da própria educação e da pressão dos costumes. Há, obviamente, uma alusão à alegoria da caverna platônica;
3) Idola Fori (ídolos da vida pública). Estes estão vinculados à linguagem e decorrem do mau uso que dela fazemos;
4) Idola Theatri (ídolos da autoridade). Decorrem da irrestrita subordinação à autoridade (por exemplo, a de Aristóteles). Os sistemas filosóficos careciam de demonstração, eram pura invenção como as peças de teatro."

Acredito que nossa cultura está um tanto “poluída” de ilusões, de mentiras, de fantasias, que bloqueia nossa visão, não nos permite enxergar boas maneiras de convivência com outrem. A proposta de Bacon é muito interessante também.

O que eu gostaria de deixar, não é uma solução, mas uma nova visão, os antepassados deixaram tantos materiais no intuito de fazer com que as pessoas criassem consciência e percebesse os fenômenos que ocorrem ao nosso redor, mas todos estão tão ocupados investindo em bolsa de valores, em convencer a população a consumir, que pouco importam o quanto tem que explorar e destruir pra isso...

Para um mundo melhor eu indicaria uma reavaliação da nossa educação, um investimento na geração que está por vir, educação sem alienações, sem “ídolos”, sem fantasias, sem pressões, uma educação sadia e bons educadores que gostam do que faz e não o que vemos hoje - óbvio, não são todos, mas uma parcela quantitativa.

No mais, já prolonguei muito, mas gostei da iniciativa, se leram até aqui, obrigada pela paciência.

~ • ~
Eu indico:

Contra Correnteza

(...) A maioria dos que eu sigo eu indico.

~ • ~

As regras são as seguintes:

a - exibir, no blog, a imagem do selo e apoiar;
b - colocar o link do blog que lhe deu o selo;
c - indicar o número de blogs que quiser;
d - postar "algo" dizendo como se deseja que o mundo seja. Como esse mundo pode ser melhor.
Marianne
Pode falar o que quiser, mas eu gosto da escrita do Paulo Coelho. Fodam-se os críticos que se auto-rotulam intelectuais, donos da verdade. A importância do livro não está somente no conhecimento que nos é transmitido, mas no sentimento que nos é provocado. Bom, vou postar um post dele na coluna da globo, que eu adoro:

PAULO COELHO
Mensagem do Dia - Globo.com
(06/09/2008)

De destruir

No auge do sucesso como romancista e autor teatral, Oscar Wilde entrou na Justiça contra um marquês que falava mal dele. O marquês conseguiu inverter o processo, e Wilde foi parar na prisão.

Ali escreveu seu mais belo poema, onde procura entender porque o homem termina sendo seu próprio carrasco.

Estes são alguns versos de “A balada do cárcere de reading”:

A gente destrói aquilo que mais ama
em campo aberto, ou numa emboscada;
alguns com a leveza do carinho
outros com a dureza da palavra;
os covardes destroem com um beijo
os valentes destroem com a espada.
Mas a gente sempre destrói aquilo que mais ama.

Marianne
Dashboard Confessional - The Best Deceptions

Ouvi sobre sua viagem
Ouvi sobre seus souvenirs
Ouvi sobre a brisa gelada, e as noites geladas, e os caras legais
Com quem você as passou.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.

Você não vê? Você não vê que a farsa acabou?
E todos os prêmios de "Melhores Decepções" e "Histórias Engenhosas"
Vão para você
Então me beije com força porque essa vai ser a última vez que eu vou deixar.
Você vai voltar um dia
E esse beijo estranho que fala sobre os lábios de outras pessoas
estarão fora de serviço,
para te manter longe.

Eu ouvi sobre seu arrependimento
Eu ouvi que você sente muito
Eu ouvi de alguém que você quer acertar as coisas entre nós.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.
Bom, eu acho que deveria ter ouvido tudo isso por você.

Você não vê? Você não vê que a farsa acabou?
E todos os prêmios de "Melhores Decepções" e "Histórias Engenhosas"
Vão para você
Então me beije com força porque essa vai ser a última vez que eu vou deixar.
Você vai voltar um dia
E esse beijo estranho que fala sobre os lábios de outras pessoas
estarão fora de serviço,
para te manter longe.

Eu estou esperando o sangue correr para os meus dedos.
Eu ficarei bem quando minhas mãos esquentarem.
Ignorando o telefone, eu preferia não ter dito nada.
Preferia que você nunca tivesse ouvido minha voz.

Você está ligando tarde demais, tarde demais para ser gentil.
Você não merece longas despedidas
Você está ligando tarde demais.
Você está ligando tarde demais.
Você está ligando tarde demais.


Marianne

Agora vou fazer todas as coisas da minha maneira
Se não for capaz de segurar a minha mão corte-a de seu pulso
Não criarei raiz nessas suas doces palavras
Quem você pensa que é pra me falar de amor?
Só mais uma noite e o tempo se congela em noites
Eu tenho olhado muito para meus objetivos
A sua neurose vem me empacando um pouco
Quero dizer-te tantas coisas boas, mas meu orgulho só quer te ofender...

Eles estão dizendo que não passo de uma criança fraca
Uma palidez de fantasma que nunca sorri
Enquanto eles falam, enquanto você inventa eu vou vivendo,
Porque só sonhar não tirou ninguém do lugar sem a ação
E já estou cansada de gritar que você precisa se mover
É você dentro do mundo e não o mundo dentro de você
Só mais uma noite e o tempo se congela em noites
Uma eterna despedida daquilo que não quer se despedir
Deixa eu te dizer o que todos não te dizem...

Só mais uma noite para matar algo que não existe
Você é a perfeição, mas não é o suficiente...
Estamos quebrados, porque nos chocamos um ao outro.
Só mais uma noite... e nunca falamos adeus.
Marianne

Chora em mim a sua lágrima e o meu silêncio é o seu maior barulho, afasta de mim esse olhar fútil, cale essas palavras doentias. Não me fale de paixão, não fale aos outros de amor, amor e paixão só os poetas entendem – não somos poetas, somos loucos e doentes. Você de tanto querer ser muitos, não nota que és um nada? Você é uma concha vazia que o mar rejeitou na areia, jogou pra fora de suas águas, é a árvore que cai e ali fica, porque ninguém vê, ninguém ouve. Você é um andarilho nessa vida, um corpo sem alma, um coração sem pulsação, um sorriso no escuro, um violino sem cordas... Você já não sabe mais o que é realidade e o que é fantasia. Você é a síntese de angústia e desespero, tudo em você é transmissível, é contagioso. Você é o tudo de um nada que eu nunca vou conhecer...
Marianne
PIERROT, cismarento:

Não... Para que beijar? Para que ver, tristonho, no tédio do meu lábio o vácuo do meu sonho... Beijo dado, Arlequim, tem amargos ressábios... Sempre o beijo melhor é o que fica nos lábios, esse beijo que morre assim como um gemido, sem ter a sensação brutal de ser colhido...

Marianne
"Sofre, Juca Mulato, é tua sina, sofre…
Fechar ao mal de amor nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…
Ter, a um sonho de amor, o coração sujeito
é o mesmo que cravar uma faca no peito.
Esta vida é um punhal com dois gumes fatais:
não amar é sofrer; amar é sofrer mais"!
Marianne

O teu beijo é tão doce, Arlequim...
O teu sonho é tão manso, Pierrô...

Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo...
e a Pierrô, minha alma!

Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!

Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu...outro fala da terra!

Eu amo, porque amar é variar
e, em verdade, toda razão do amor
está na variedade...

Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.

Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!
Marianne
Tinha esquecido o quanto gostava desse romance que eu assistia na época que eu ainda era uma colegial. O tempo corre muito... Achei os episódios para baixar e como tem muitos diálogos que eu sempre achei belo, vou deixar aqui, como lembrança e para quem gosta também.



Ajoelhada nos pés da cama, onde os dois amantes morreram, Anita diz:

- Essas paredes, as tábuas do chão, portas, janelas, tudo isso é testemunha do que aconteceu entre os dois amantes. E esse espelho, olha esse espelho – Diz Anita caminhando até o espelho - Ele refletiu toda cena de ciúmes, também a morte dos dois, já imaginou que fascinante conhecer o passado de um espelho? Entrar por dentro dele, como Alice? O que você está pensando?

- Que eu tenho que ir embora. – Diz Fernando.

- Assim de repente? Por quê?

- Foi como eu entrei, de repente!

- Volta amanhã...

- Quem sabe a gente se encontra outro dia... De qualquer maneira obrigado, eu estava chateado, deprimido, você salvou meu dia. Espero que não haja rejeição ao transplante! – Responde Fernando se referindo ao vaso de flor que caiu do sobrado de Anita.

- Eu acho que você se aborreceu comigo, eu juro que não sou louca, mas é que... Olha...

- Você está chorando?

- Eu fico emocionada sempre que eu falo na Cíntia.

- Cíntia? Quem é Cíntia?

- A moça que morava aqui, que foi assassinada pelo amante. Ele era Luciano, ela Cíntia.

- Eu usei o nome Cíntia em um conto que escrevi a muito tempo, incrível! No meu conto ela também era assassinada pelo amante... Coincidência...

- Nada é coincidência, tudo está escrito! Não acredita no destino? Acha que foi mesmo por acaso que você entrou aqui? Que a gente se conheceu? Tava escrito, assim como ta escrito que você vai voltar.

- Pode ser... Mas o que está escrito mesmo nesse momento é que eu tenho que ir embora. Tchau... Prazer mesmo!

Fernando termina seu cigarro e desce as escadas...
Marianne
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Freud, leitor de Nietzsche



Período: 16 e 30/08 - 20/09 - 04 e 25/10 - 29/11 - 13/12
19h30m as 21h30m
Local: Clínica de Psicanálise
Rua Prudente de Moraes, 1314 - Bairro Alto - Piracicaba/SP.
Vagas limitadas: 15
Custo: R$ 210,00 (em 3 parcelas)
Inscrição: mmariguela@gmail.com
Coordenação: Márcio Mariguela
Disete Devera


1. Objetivo

As aulas deste módulo de ensino e transmissão da psicanálise propõem uma
interlocução entre pontos específicos da obra de Sigmund Freud e Friedrich Nietzsche:
- em nota de rodapé no livro O Ego e o Id [das Ich und das Es], publicado em 1923,
Freud destacou que usaria o pronome es para designar o inconsciente na segunda tópica do
funcionamento do aparelho psíquico. Desse modo, manteria o mesmo sentido gramatical
utilizado por Nietzsche para tudo o que é impessoal em nossa condição de animal falante.
- nos aforismos: 8 "Virtudes Inconscientes"; 333 "O que significa conhecer";
354 "Do gênio da espécie", publicados em 1882 no livro A Gaia Ciência, Nietzsche utiliza
o pronome es (pessoal do gênero neutro) para designar o inconsciente como tudo o que é
impessoal em nós, aquilo que nos é mais estranho e por isso mesmo o mais familiar.

2- Justificativas

Diferentes autores elegeram a relação Freud-Nietzsche como tema de investigação.
Paul-Laurent Assoun, por exemplo, comentou a estranha contemporaneidade entre Freud
e Nietzsche, citando a ata da Sessão de 01 de Abril de 1908 da Sociedade Psicanalítica de
Viena em que Freud afirmou não conhecer a obra de Nietzsche. Disse também que nunca
conseguiu estudá-lo e não conseguia ir além de meia dúzia de páginas nas poucas tentativas
de lê-lo. Assoun citou também duas outras ocasiões em que Freud disse ter recusado o
grande prazer proporcionado pela leitura de Nietzsche e ter evitado, por muito tempo, o
contato com sua escrita.
Michel Foucault também se interrogou sobre a estranha contemporaneidade entre
Freud e Nietzsche. Na conferência de 1964, alinhou Nietzsche, Freud e Marx para analisar
as rupturas que cada um, a seu modo, realizou na hermenêutica moderna: "No primeiro
volume do Capital, textos como o A Genealogia da Moral e a A Interpretação dos Sonhos,
situam-nos de novo diante de técnicas interpretativas. E o efeito do seu impacto, o gênero
de ferida que estas obras produziram no pensamento ocidental, deve-se provavelmente ao
fato de terem significado para nós o que o mesmo Marx qualificou de 'hieroglíficos'. O
que nos coloca numa posição incômoda, já que estas técnicas de interpretação nos dizem
respeito, e que nós, como intérpretes, temos que nos interpretar a partir destas técnicas".
Esta referência ao argumento de Foucault define também a perspectiva adotada
para o desenvolvimento das aulas: Nietzsche ocupa a função autor na obra de Freud. Na
literalidade é possível traçar - ou mesmo cartografar - um campo de investigação: o lugar
do estranho, da outra cena, do impessoal para designar o inconsciente. Dele se ocupou
Nietzsche e, como leitor de A Gaia Ciência, Freud deu ao inconsciente um novo estatuto:
estabelecendo assim, uma ruptura e descontinuidade com a função que o mesmo ocupava
na primeira tópica do aparelho psíquico: desde a Interpretação dos Sonhos em 1900 até o
Mais-Além do Princípio do Prazer, publicado em1920.

3 - Bibliografia Básica:

FREUD, Sigmund "O Eu e o Id" In: Escritos sobre psicologia do inconsciente.
Volume III Coordenação geral da tradução Luiz Alberto Hanns. Rio de
Janeiro: Imago, 2007.
FREUD, Sigmund "O Estranho" In: Coleção Standard das Obras Completas, vol. XVII,
Rio de Janeiro: Imago, 1976.
FREUD, Sigmund "Conferência XXI - Dissecção da personalidade psíquica". In: Novas
Conferências Introdutórias Sobre Psicanálise - Coleção Standard das
Obras Completas, vol. XXII, Rio de Janeiro: Imago, 1994.
NIETZSCHE, Friedrich A Gaia Ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo:
Companhia das Letras, 2001.
ASSOUN, Paul-Laurent Freud & Nietzsche: semelhanças e dessemelhanças. São Paulo:
Brasiliense, 1989.
FOUCAULT, Michel "Nietzsche, Freud e Marx" In: Ditos & Escritos II – Arqueologia
das ciências e história dos sistemas de pensamento. Rio de Janeiro:
Forense Universitária, 2000.
GAY, Peter Freud, uma vida para o nosso tempo. São Paulo: Companhia das
Letras, 1989.
LEFRANC, Jean Compreender Nietzsche. Petrópolis-RJ: Vozes, 2005.
MARIGUELA, M. "A função autor na instauração da discursividade" In:
Psicanálise e Surrealismo: Lacan o passador de Politzer. Piracicaba:
Jacintha Editores, 2007.
MARIGUELA, M. "Freud, Nietzshe y la genealogía de la civilización" In: Delito y
Sociedad - Revista de Ciências Sociales - Año 18, nº 27.
Argentina, 2009.
MARIGUELA, M. "Freud e Nietzsche: ontogênese e filogênese" In: Impulso -
Revista de Ciências Sociais e Humanas, volume 12, nº 28,
Piracicaba: Editora Unimep, 2001.
[artigos disponíveis em: www.marciomariguela.com.br/artigos/revistas]
Marianne
A complicada arte de ver - Rubem Alves


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.
Marianne
Todas as estações é outono, todas as estações é uma espera de um trem que oculta um passageiro inesperado, a vida corre, e em seus trilhos deixa a marca do peso de muitas vidas que ali escondia, e tudo aquilo que atrás ficava da passagem desse trem, era coberto por uma fumaça ofuscante, nebulosa.
Todos os meses é fevereiro, o fim de um carnaval que nem começou e um chão coberto por confetes que tentou colorir um ambiente cinza e frio, confetes fúteis que o vento levou e espalhou, separando as cores e voltando a deixar o cenário monótono, como a fumaça do trem que tudo deixou nebuloso desde então.
E essa árvore na frente da minha morada, é sempre mais bela em sua solidão, quando todas as folhas verdes trocam de roupas e se modelam de marrom. E seus galhos finos balançam como a delicadeza de um salto que trinca o chão nos pés de uma dançarina de tango, com um longo vestido vermelho que grita a dor da sua paixão.
E eu olhei para uma parede fria e branca que gotejava a chuva lá de fora, e eu pude ver dois escaravelhos buscando encontrar um esconderijo. Mas do nada, atrás de uma distância tão próxima, ouvi um silêncio de um choro, veio á mim como um tornado de fogo á queimar toda a frieza ensaiada por anos dentro de uma alma que se faz de viúva em um corpo adormecido em uma plataforma de um adeus repentino.
Noite traiçoeira, traz para mim aquele que me transforma em uma brincadeira, eu não choro, sou mais sangue do que lágrimas, mas eu fujo, fujo da covardia e da fraqueza de um valente que teme declarar que ama alguém, mesmo com uma responsabilidade que não é sua, olhos de escaravelho procura um galho fino de uma árvore que espera o outono, como uma nostalgia de um caminho em um deserto e um veneno de um escorpião que nega em matar, mas insiste em fazer sofrer, um corpo fraco que não consegue permanecer nem na vida nem na morte – até que a neutralidade nos separe. Assim seja.