Marianne
Todas as estações é outono, todas as estações é uma espera de um trem que oculta um passageiro inesperado, a vida corre, e em seus trilhos deixa a marca do peso de muitas vidas que ali escondia, e tudo aquilo que atrás ficava da passagem desse trem, era coberto por uma fumaça ofuscante, nebulosa.
Todos os meses é fevereiro, o fim de um carnaval que nem começou e um chão coberto por confetes que tentou colorir um ambiente cinza e frio, confetes fúteis que o vento levou e espalhou, separando as cores e voltando a deixar o cenário monótono, como a fumaça do trem que tudo deixou nebuloso desde então.
E essa árvore na frente da minha morada, é sempre mais bela em sua solidão, quando todas as folhas verdes trocam de roupas e se modelam de marrom. E seus galhos finos balançam como a delicadeza de um salto que trinca o chão nos pés de uma dançarina de tango, com um longo vestido vermelho que grita a dor da sua paixão.
E eu olhei para uma parede fria e branca que gotejava a chuva lá de fora, e eu pude ver dois escaravelhos buscando encontrar um esconderijo. Mas do nada, atrás de uma distância tão próxima, ouvi um silêncio de um choro, veio á mim como um tornado de fogo á queimar toda a frieza ensaiada por anos dentro de uma alma que se faz de viúva em um corpo adormecido em uma plataforma de um adeus repentino.
Noite traiçoeira, traz para mim aquele que me transforma em uma brincadeira, eu não choro, sou mais sangue do que lágrimas, mas eu fujo, fujo da covardia e da fraqueza de um valente que teme declarar que ama alguém, mesmo com uma responsabilidade que não é sua, olhos de escaravelho procura um galho fino de uma árvore que espera o outono, como uma nostalgia de um caminho em um deserto e um veneno de um escorpião que nega em matar, mas insiste em fazer sofrer, um corpo fraco que não consegue permanecer nem na vida nem na morte – até que a neutralidade nos separe. Assim seja.
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