Marianne

– Nem uma rosa vermelha em todo o meu jardim! – gritava o Estudante, cujos belos olhos se enchiam de lágrimas -. Ah! De que insignificantes coisas dependem a felicidade! Tenho tudo quanto escreveram os homens sábios e possuo todos os segredos da filosofia, mas minha vida se torna desditosa por falta de uma rosa.
– Eis aqui, pelo menos, um amante verdadeiro – disse o Rouxinol, tenho cantado, noite após noite, sem conhecê-lo. Noite após noite, tenho contado sua história às estrelas e agora o vejo. Seu cabelo é negro como a flor do jacinto e seus lábios vermelhos como a rosa que deseja; mas a paixão tornou-lhe a face pálida como o marfim e a tristeza marcou-lhe a fronte com seu selo.

[...]

– Eis aqui, de fato, o amante verdadeiro – disse o Rouxinol –. Sofre o que dele canto; o que para mim é alegria, para ele é dor. O amor é realmente uma coisa maravilhosa. É mais precioso do que esmeraldas e mais precioso que esplendidas opalas. Pérolas e granadas não podem comprá-lo, porque não se acha exposto nos mercados. Não pode ser comprado por mercadores, nem pesado na balança em que se pesa o ouro. (pág 239)

[...]

...pois o Amor é mais sábio do que a Filosofia, ainda que esta o seja, e mais forte do que o Poder, ainda que este o seja. Suas asas têm cor de chamas e seu corpo cor de fogo. Seus lábios são doces como o mel e seu hálito é como incenso. (pág 241)

[...]

– Tem estilo – disse a si mesmo, enquanto atravessava o bosque –. Não se lhe pode negar isto. Mas tem sentimento? Receio que não. É de fato como muitos artistas: é todo estilo, sem nenhuma sinceridade. Não se sacrificaria pelos outros. Pensa simplesmente em música e toda a gente sabe que as artes são egoístas. (pág 242)

[...]

– Que coisa estúpida é o Amor! – disse o Estudante, enquanto se retirava –. Não é nem a metade tão útil como a Lógica, pois não prova coisa alguma e está sempre falando de coisas que não sucederão e fazendo-nos acreditar em coisas que não são verdadeiras. Na verdade, não é nada prático e, como nesta época ser prático é tudo, voltarei à Filosofia e ao estudo da Metafísica. (pág. 243)

WILDE. Oscar. Obra Completa.- Rio de Janeiro: Editora Nova Aguiar, 1993.


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Nota: Além do meu amor pela Filosofia, não nego minha paixão pela Literatura. Estou tentando ler a obra completa de Oscar Wilde, tenho uma grande admiração pela vida e pela obra desse escritor, principalmente quando é voltado á Estética. Pesquisando imagens encontrei esse conto completo, logo depois de ter copiado do meu livro, mas enfim, quem gostar nesse blog (Alexandre Leme) está disponível . Boa leitura!
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