Marianne
Sou sensível a você, como uma bolha de sabão sem destino no ar, sei que a qualquer momento irei estourar...

Você é a alegria mais triste que já senti e o alívio mais doloroso que sofri.

Eu abri a janela, esperando a nebulosidade de mais um dia, mas você repentinamente surgiu, como o sol, como a luz, colorindo tudo o que estava cinza e isso trincou cada pedaço do pouco que sou.

Eu ainda giro em torno do vazio, que anteriormente tinha como centro: você! Como se eu estivesse em uma órbita, um pequeno planeta rodeando um imenso sol... O sol que desapareceu como um fenômeno instantâneo, nascendo e morrendo no mesmo instante, em si mesmo, não deixando nenhum rastro...

Quem me dera ainda tivesse o prazer de iludir-me. Quem me dera houvesse esperança...

Quando não há um vazio, parece não haver nada, mas quando esse vazio é preenchido, ele se enche mais, transborda, mas se o que preenche o vazio some ali mesmo, o vazio passa a ser calculado, e o resultado é que: desde que você saiu da minha vida, não senti só sua ausência, mas a ausência de todo mundo, pois enquanto você estava ali, o todo mundo existia, você era o todo mundo... Agora as pessoas são somente mobílias na minha visão... Embora sejam infinitas as metáforas a serem usadas para explicar a sua falta, sinto que infinitas são também as tentativas de tentar explicá-la...

“É difícil manter uma vela acessa, na chuva fria de novembro”.

Você lembra de novembro?
Marianne
Cantora: Natalie Imbruglia
Música: Torn

Dislacerada (Tradução)

Eu pensei ter visto um homem trazido à vida
Ele era carinhoso
Ele chegou como se ele fosse majestoso
Ele mostrou-me o que era chorar

Bem, você não pode ser aquele homem que eu adorei
Você não parece saber ou
se importar para que serve o seu coraçao
Mas eu não o conheço mais

Nao há nada onde ele costumava estar
Minha conversa tem chegado ao seco
Isso é o que está acontecendo
Nada está bem,
Eu estou dilacerada

Eu estou totalmente sem fé
Isto é como eu sinto
Eu estou com frio e eu estou envergonhada
Estando desnuda no chão
Ilusão jamais transformada
em algo real
Eu estou bem atenta e eu posso ver
O céu perfeito está dilacerado
Você está um pouco atrasado
Eu já estou dilacerada

Então eu acho que a cartomante estava certa
Deveria ter visto apenas o que estava lá
E não uma luz divina
Mas você rastejou entre minhas veias
e agora eu não me importo, não tenho sorte
Eu já não sinto tanto a falta
Apenas há tantas coisas
que eu não posso tocar
Eu estou dilacerada

Eu estou totalmente sem fé
Isto é como eu sinto
Eu estou com frio e eu estou envergonhada
Estando desnuda no chão
Ilusão jamais transformada
em algo real
Eu estou bem atenta e eu posso ver
O céu perfeito está dilacerado
Você está um pouco atrasado
Eu já estou dilacerada

Dilacerada

Ohh, ooh...

Nao há nada onde ele costumava estar
Minha inspiração tem estado seca
Isso é o que está acontecendo
Nada está bem, Eu estou dilacerada

Eu estou totalmente sem fé
Isto é como eu sinto
Eu estou com frio e eu estou envergonhada
Estando desnuda no chão
Ilusão jamais transformada
em algo real
Eu estou bem atenta e eu posso ver
O céu perfeito está dilacerado

Eu estou totalmente sem fé
Isto é como eu sinto
Eu estou com frio e eu estou envergonhada
Limitada e quebrada no chão
Você está um pouco atrasado
eu já estou dilacerada
Dilacerada

Marianne

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistimos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho?

Terminou uma relação?

Deixou a casa dos pais?

Partiu para viver em outro país?

A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu.

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas, tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que sentem-se culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar. Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto as vezes ganhamos, e as vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o está apenas envenenando, e nada mais. Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não tem data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do momento ideal.

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, não voltará. Lembre-se que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Marianne
Por Patrício Darvisson

A águia pode viver cerca de 80 anos. Ela depende, na maioria dos casos, somente dela para sobreviver todo esse tempo. Entre os 40 e 50 anos de idade a águia precisa passar por uma série de transformações, que à levarão ao sofrimento extremo para que possa sobreviver. Ela sobe até o alto das montanhas, onde se sente mais segura, e começa todo o processo para a renovação. Primeiro a águia começa a arrancar toda a sua pelagem, pena por pena, com seu próprio bico, pois as penas já estão velhas, no que resulta a perca de aerodinâmica. Passado um mês toda a sua pelagem já está nova para voar em perfeição. Em seguida começa a quebrar suas unhas, velhas demais para segurar suas presas; elas tiram até a raiz para nascerem unhas mais fortes, parecidas com as de sua primeira caçada. Após um mês de recuperação e crescimento das novas unhas, a águia ainda precisa passar pela parte mais difícil do processo que é a quebra de seu bico, muito velho e envergado que dificultam para pegar sua presa. Ela bate o seu bico por diversas vezes com todas suas forças restantes, já que ela está muito debilitada por todas as dificuldades passadas no processo de mudança, até que ele se quebre e caia. Somente após um mês é que o novo bico estará forte para voltar a ativa, e a águia pronta para enfrentar novamente todas as dificuldades deste mundo.


Marianne

"Gandhi disse que o que quer que você faça na sua vida será insignificante, mas é muito importante que você faça. Porque ninguém mais o fará!".

A vida não tem nada a te oferecer e nunca terá, ela é apenas algo que significamos para explicar a nossa existência, porque a própria existência é insignificante.

Todas as pessoas possuem um vazio dentro de si e ele é inexplicável, mesmo que tenha um nome, ele é perturbador! Mas sabe, todos estão tentando preencher esse vazio, vivendo cada um a sua maneira... “Vivendo”, o que isso representa? Produzir lembranças e memórias, tentar mantê-las, são elas que movimentam tudo o que somos.

Então penso em cada pessoa que passou perto de mim como um “figurante”, e me questiono o quanto de lembranças ela guardou até o momento e o quanto cada pessoa luta para que ainda essas memórias estejam vivas no presente como foi no passado?

Porém quando chega a morte de qualquer pessoa, ela leva consigo o silêncio e o segredo de uma vida que foi cheia de memórias. Tem algo muito belo nas palavras de um professor nosso, quando ele passou a nós um filme e explicou alguns significados na fala de cada personagem, e é assim: essas memórias irão sumir como lágrimas na chuva... É, as lágrimas que choramos na chuva não tem significado algum...

Nada do que eu escrevo é novidade, as coisas que você lutou para conquistar, seja em qualquer campo, perderão todo o significado se não tiver mais um olhar além do seu para vê-las, porém há algo pior, por outro lado haverá um momento que você está quase conquistando algo para presentear um ente querido, mas como um trovão a rugir no céu, você descobre que os olhos dessa pessoa estão fechando para esse mundo, você desesperadamente tenta fazer em um segundo coisas que você levava um ano para fazer, porém não é o suficiente, o tempo está acabando antes mesmo de você concluir esse segundo...