Marianne

"Você não é o seu emprego. Você não é quanto dinheiro você tem no banco. Você não é o carro que você dirige. Você não é o conteúdo da sua carteira. Você não é as calças cáqui que veste. Você é toda merda ambulante do mundo."

Tyler Durden
Marianne


[Blair] Só porque está vestido pobremente, não significa que não seja Chuck Bass.
[Chuck] Porque gostaria de ser ele?
[Blair] Devia ter me dito que levou um tiro.
[Chuck] Estou surpreso que você mesma não atirou em mim.
[Blair] Atirei, muitas vezes em meus sonhos. Nos bons. Mas se estivesse realmente machucado, gostaria de saber.
[Chuck] Quando acordei, minha identidade tinha sumido. Ninguém sabia quem eu era. Ninguém vinha me procurar. Percebi que podia estar vivo, mas Chuck Bass não precisava.
[Blair] Mudar o seu nome não muda quem você é.
[Chuck] É um bom começo, uma chance de viver simples, ganhar o respeito das pessoas, talvez me tornar uma pessoa que alguém possa amar.
[Blair] Alguém te amou. E você deve isso a ela... E a todos que está deixando para trás... Não fugir, que é o que está fazendo. E não acho que esse ótimo homem que está falando que quer ser, seja um covarde. Acho que encararia o que fez.
[Chuck] Destruí a única coisa que já amei.

(...)

[Blair] Não te amo mais. Mas precisa de muito mais do que você pra destruir Blair Waldorf.
[Chuck] Seu mundo seria mais fácil se eu não voltasse.
[Blair] É verdade. Mas não seria o meu mundo sem você nele.


PS: Só porque lembrei daquele dia e daquilo que ouvi: “Lá irei começar uma vida nova, tudo novo, novas pessoas...”. Acho que não consegui perdoar o fato de não estar incluída no “catálogo de novas coisas”...
Marianne

"Eu sou a vingança sorridente do Jack."
"Eu sou o suor frio do Jack."
"Eu sou duto biliar irado do Jack."
"Eu sou o cólon de Jack. - Eu pego câncer, eu mato o Jack."
"Eu sou a completa falta de surpresa de Jack."
"Eu sou a vida desperdiçada do Jack."
"Eu sou o inflamado sentido de rejeição do Jack."
"Eu sou o coração partido do Jack."
Marianne

He is like... the little scratch on the roof of your mouth that would heal if only you could stop tonguing it, but you can't.
Marianne

"Warning: If you are reading this then this warning is for you. Every word you read of this useless fine print is another second off your life. Don't you have other things to do? Is your life so empty that you honestly can't think of a better way to spend these moments? Or are you so impressed with authority that you give respect and credence to all that claim it? Do you read everything you're supposed to read? Do you think every thing you're supposed to think? Buy what you're told to want? Get out of your apartment. Meet a member of the opposite sex. Stop the excessive shopping and masturbation. Quit your job. Start a fight. Prove you're alive. If you don't claim your humanity you will become a statistic. You have been warned".

Tyler Durden - Fight Club
Marianne

Confira a Programação:
Marianne

Música: Make Me Wanna Die
Banda: The Pretty Reckless

Me pegue, eu estou viva
Nunca foi uma garota com uma mente pervertida
Mas tudo fica melhor quando o Sol se põe
Eu tinha tudo, oportunidades para a eternidade
E eu poderia pertencer à noite

Seus olhos, seus olhos
Eu posso ver em seus olhos
Seus olhos

Você me faz querer morrer
Eu nunca serei boa o bastante
Você me faz querer morrer
E tudo o que você ama
Vai queimar na luz
E toda vez que olho dentro de seus olhos
Você me faz querer morrer

Experimente-me, beba minha alma
Me mostre todas as coisas que eu deveria saber
Quando há uma Lua Nova em ascensão
Eu tive tudo, oportunidades para a eternidade
E eu poderia pertencer à noite

Seus olhos, seus olhos
Eu posso ver em seus olhos
Seus olhos, tudo em seus olhos
Seus olhos

Você me faz querer morrer
Eu nunca serei boa o bastante
Você me faz querer morrer
E tudo o que você ama
Vai queimar na luz
E toda vez que olho dentro de seus olhos
(Estou queimando na luz)
Você me faz querer morrer

Eu poderia morrer por você, meu amor
Meu amor
Eu poderia mentir por você, meu amor
Meu amor (Faça-me faz querer morrer)
E eu poderia roubar por você, meu amor
Meu amor (Faça-me querer morrer)
E eu poderia morrer por você, meu amor
Meu amor

Vai queimar na luz
E toda vez que olho em seus olhos
(Estou queimando na luz)
Olho em seus olhos
(Estou queimando na luz)
Olho em seus olhos
Você me faz querer morrer

Marianne


As pessoas mudam durante a noite, o vampiro da melancolia parece mastigar a carne alegre e beber o quente sangue de quem atrapalha a sua melodia, que puxa como se fosse uma cortina o céu escuro, cheio de migalhas brilhantes, fora do meu alcance.

Que ridículo esse romantismo obscuro da minha escrita...

O que devo fazer agora? Sem saber o que fazer, fazemos qualquer coisa... Então pego a velha caixinha de música, dou corda, e coloco a bailarina para girar, enquanto uma sinfonia de Beethoven toca, infiltrando nesses pensamentos sem nexo.

Isso é tão enjoativo, principalmente por ser um vício infantil que me causa abstinência na maturidade... É noite, não quero ficar em casa!

Coloco o anjo para dormir e chamo o demônio para acordar, pois assim é minha alma, de dia anjo, de noite demônio... Visto qualquer roupa, deixo as unhas afiadas, e ando por ai procurando por mim mesma, deixo meu demônio rugir todas as palavras que o anjo não quis falar durante o dia. Subo em um muro, fumo um cigarro e invejo a própria fumaça que envolve meu coração, saindo pela minha boca como se fosse um beijo mandado e se desfaz na atmosfera silenciosa que esconde o barulho de tantos pensamentos, que me julga e me lembra: eis a minha condição.

Essa vida é louca demais para ser abandonada... Mesmo sabendo que tudo o que se cala, grita de outra forma em nossos corpos.

Já fiquei muito tempo nesse lugar, talvez uma xícara de café sem açúcar para acordar, para lembrar que a vida é pura, mesmo sendo amarga... Num salto desço daqui, procuro um canto para me misturar, está bem assim, não estou caçando uma companhia essa noite, não sinto carência de pessoas, está bom como está, o amor não é para pessoas covardes como eu.

Não é assim que as coisas devem ser, mas é assim que eu quero que seja.

Enfim, seja lá como for... Concluo que “é preciso ter ainda caos dentro de si, para dar luz à uma estrela dançante...”

Não sei aonde me perdi...
Marianne


Caminhava cegamente, como todos, rumo ao abismo. Mas, de repente, abriu os olhos. Viu a multidão cega, o abismo e com olhos honestos, percebeu a cultura de guerra de nossa sociedade e os espinhos nas costas de todos.

Sentiu a dor da existência, a alegria profunda que vinha à tona nos momentos de frescor, e mais dor pela lembrança desses mesmos momentos.

Sente profundamente o fato de não conseguir compartilhar toda a infinita alegria e sensação do sublime que sente por vezes, às vezes mais profundamente do que a visão noturna da multidão caminhando cegamente rumo aos abismos infinitos.

No final, sabe que tudo está certo e que tudo, no fundo, está bem.

Sabe que o sublime e o terrível são duas faces da existência e que no fundo as coisas não são tão sérias quanto parecem ser...

Percebeu o teatro da vida diária, as sombras da vida noturna e caminha transitando por esses dois universos, com um olho aberto e o outro, fechado conscientemente.

Seu coração que tem por dentro uma coleção das coisas mais iluminadas e doces da vida tem por proteção externa - cicatrizes - uma carapaça blindada.

Mas talvez este seja o jogo: perceber o que une todos naquilo que se afasta.

"As mônadas não se comunicam diretamente, não possuem janelas, mas todas elas estão sintonizadas pela Harmonia Preestabelecida", disse um dos antigos...

- Autor Desconhecido
Marianne


A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.

Quando nascemos entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas que, julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco: nossos pais.

Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituíveis. Isso porém não impedirá que, durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para nós, embarquem. Chegam então nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!

Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a ajudar quem precise.

Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros tantos, quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não nos impede, é claro, de ir ao seu encontro. No entanto, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas, porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento eles poderão fraquejar e precisaremos entender, porque provavelmente também fraquejaremos e com certeza haverá alguém que nos acudirá com seu carinho e sua atenção.

O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.

Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades... Acredito que sim, me separar de muitas amizades que fiz será no mínimo doloroso, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste com certeza; mas me agarro na esperança que em algum momento estarei na estação principal e com grande emoção os verei chegar.

Estarão provavelmente com uma bagagem que não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz será ter a certeza que de alguma forma eu fui uma grande colaboradora para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido à pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.
Marianne


“Aprendi a...”

Pensei em escrever um texto nesse modelo, em que cada parágrafo inicia com “aprendi” alguma coisa com isso e aquilo, mas acabei contemplando a intenção atrás dessas palavras. Ao escrever “aprendi”, todos demonstram uma única coisa: eu vivi, conheci e estou aqui para relatar.

Mas vou tentar fazer diferente, falar o que vivi e o que deixei de aprender...

Eu vivi algumas paixões momentâneas que eu jurava serem eternas, o tempo passou e a paixão morreu na própria chama. Porém não aprendi a apagar as mágoas, simplesmente porque o momento que eu mais precisava da companhia, me deram a ausência, no momento que lancei minhas esperanças de conforto na outra pessoa, julgando-a responsável por me acolher, fiquei só. Eu não aprendi a esquecer as coisas ruins e lembrar das coisas boas.

Descobri que, embora eu aconselhe todos ao meu redor, não aprendi a usar esses conselhos para a minha própria vida.

Quando decido afastar-me de algumas pessoas, acredito que após um tempo tudo ficará normal, mas eu não aprendi a agir normal com as pessoas, fico indiferente, e por mais próximas que essas pessoas estejam, finjo que não as notei. Não aprendi a colher rosas sem espinhos.

Há muito o que expor quando se é uma observadora de si mesma e do campo externo, mas resumindo, aprendi que na verdade não aprendi nada considerado um ato carinhoso para com o outro que participou da minha vida.
Marianne
Ontem fui no Clube do Vinil em Americana, assistir a banda "Hollywood Way" que toca todas as músicas que tocavam nos comerciais do cigarro Hollywood. Eles cantaram uma música que eu adorei, tanto a letra como o som, não conhecia até então.


Separate Ways (Worlds Apart) by Journey
Caminhos Separados (Mundos separados)

Aqui nós estamos
Mundos separados, corações partidos em dois, dois, dois
Noites sem dormir
Perdendo o chão
Eu estou procurando por você, você, você

Sentindo que se foi
Pode mudar sua opinião
Se nós não podemos continuar
Sobrevivendo à maré que o amor divide

Algum dia o amor te achará
Quebrará essas correntes que te prendem
Uma noite você se lembrará
Como nos tocamos
E fomos para nossos caminhos separados

Se ele porventura te magoar
O amor verdadeiro não te abandonará
Você sabe, eu ainda te amo
Apesar de termos nos tocado
E termos ido por caminhos diferentes

Tempos conturbados
Pegos entre confusões e dor, dor, dor
Olhos distantes
Promessas que fizemos foram em vão, em vão, em vão

Se você precisa ir, eu desejo, amor
Que você nunca caminhe sozinha
Se cuide, meu amor
Sinto falta de você, amor

Algum dia o amor te achará
Quebrará essas correntes que te prendem
Uma noite você se lembrará
Como nos tocamos
E fomos para nossos caminhos separados

Se ele porventura te magoar
O amor verdadeiro não te abandonará
Você sabe, eu ainda te amo
Apesar de termos nos tocado
E termos ido por caminhos diferentes

Algum dia o amor te achará
Quebrará essas correntes que te prendem
Uma noite voce se lembrará

Se ele porventura te magoar
O amor verdadeiro não te abandonará
Você sabe, eu ainda te amo

Eu ainda te amo garota
Eu realmente te amo
E se porventura te machucar
O amor verdadeiro não te abandonará
Não, não
Não...
Marianne


Você tem o hábito de juntar objetos inúteis no momento, acreditando que um dia (não sabe quando) poderá precisar deles?
Você tem o hábito de juntar dinheiro só para não gastá-lo, pois no futuro poderá fazer falta?
Você tem o hábito de guardar roupas, sapatos, móveis, utensílios domésticos e outros tipos de equipamentos que já não usa há um bom tempo?
E dentro de você?
Você tem o hábito de guardar mágoas, ressentimentos, raivas e medos?
Não faça isso. É antiprosperidade. É preciso criar um espaço, um vazio, para que as coisas novas cheguem a sua vida.
É preciso eliminar o que é inútil em você e na sua vida, para que a prosperidade venha.
É a força desse vazio que absorverá e atrairá tudo o que você almeja.
Enquanto você estiver material ou emocionalmente carregado de coisas velhas e inúteis, não haverá espaço aberto para novas oportunidades.
Os bens precisam circular. Limpe as gavetas, os guarda-roupas, o quartinho lá do fundo, a garagem.
Dê o que você não usa mais.
A atitude de guardar um monte de coisas inúteis amarra sua vida.
Não são os objetos guardados que emperram sua vida, mas o significado da atitude de guardar.
Quando se guarda, considera-se a possibilidade da falta, da carência.
É acreditar que amanhã poderá faltar, e você não terá meios de prover suas necessidades.
Com essa postura, você está enviando duas mensagens para o seu cérebro e para a vida: primeira, você não confia no amanhã e, segunda, você acredita que o novo e o melhor não são para você, já que se contenta em guardar coisas velhas e inúteis.
Desfaça-se do que perdeu a cor e o brilho e deixe entrar o novo em sua casa e dentro de você!
As pessoas são solitárias porque constroem paredes ao invés de pontes.


Joseph Newton
Marianne

Eu estive aqui a todo tempo, vendo o seu reflexo na minha superfície, encantado com o seu brilho eu acabava por abraçar a mim mesmo. Toda a minha imensidão se tornava pequena quando eu olhava para você e então senti a solidão ser mais profunda que todos os segredos que eu havia escondido em mim mesmo. O verão quando vinha com o seu calor, era o instante que mais próximo me sentia de você, pois o vapor dos meus sentimentos transformava-se em nuvens e a esperança de te alcançar era cada vez mais forte, porém não por muito tempo, logo o pouco que de mim aproximava de ti, cai de volta para o meu colo. E você sempre a brilhar, um brilho que escondia a própria face e eu mal sabia se sorrias ou se choravas, eu apenas te contemplava. Na minha angústia agitava as maiores ondas que havia em mim, eram tão altas que engoliam navios e qualquer coisa a flutuar em mim, pois não queria nada além do seu reflexo, do seu reflexo deitado sobre mim. Não sei se me notas quando és tão rodeada por inúmeras nebulosas, por imensas galáxias, por um espaço tão brilhante que vive em constante movimento, exibindo todas as suas cores que se destacam na escuridão do vácuo... Ainda eu sonho, sonho com o impossível de ver cair em minhas águas uma única faísca de ti, oh Estrela, e eu, esse Mar que chora as próprias águas, poderá ser feliz ao menos um instante antes de secar em si mesmo pela própria solidão, pela própria espera que desespera...

"Poderá uma estrela do mar apaixonar-se por uma estrela do céu?"
Marianne


Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida. - Clarice Lispector

Visto no Blog da Maria Eugenia: A vida é um sopro.
Marianne


"Como uma estrela cadente coberta de lama..."

3 anos...

07/set/07
Marianne

Declaração de amor
(na qual, porém, o poeta caiu num fosso)

Que maravilha! Ele ainda está voando?
Ele sobe e as suas asas repousam?
Que é que o levanta e carrega?
Qual é, para ele, a meta, o curso e o freio?

Como as estrelas e a eternidade
Vive ele agora em alturas de que a vida foge,
Tendo compaixão até mesmo da inveja —:
E voou alto quem apenas o viu planar!

Ó pássaro albatroz!
Para o alto me empurra um eterno impulso.
Pensei em ti: então me correram
Lágrimas e lágrimas — sim, eu te amo!


NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. - São Paulo: Companhia das Letras, 2001. Pág. 301
Marianne

O tempo é bondoso comigo, o que mais posso querer? Talvez ser Deus, sim quero ser Deus, talvez eu seja, pois não acredito mais na minha própria existência.

Os dias correm, e a carne parece ter petrificado numa única forma e isso já é concreto á mais de cinco anos, nenhuma marca envelhecida do tempo, e o semblante infantil não me abandona, me deixando uma benção estética e uma maldição social, pois os intelectuais da maturidade excluem essa aparência, anulando juntamente o saber que ela esconde.

Estou na minha loucura mais louca, percebi que não sou capaz de partilhar da minha vida com outra pessoa, minha vocação filosófica anula o viver a dois, irei abandonar então minha Regine Olsen e depois viver o resto dos meus poucos dias escrevendo meus pesares nas entre linhas da minha filosofia, tentando alcançá-la... Até chegar o instante em que a verei pela última vez, você dirá para Deus me abençoar e eu erguerei gentilmente meu chapéu e nunca mais nos veremos depois dessa despedida.

Escreverei livros, muitos livros, serei um dos loucos do meu século ou do outro século, terei um rótulo que surgirá somente depois que minha época for varrida dessa terra, como sempre vemos repetir na história.

Irei falar sozinha, caminhar pelas praças e jardim conversando com meus próprios pensamentos, até minha loucura tornar-se uma ameaça para a sociedade, então me jogaram em um manicômio e ali talvez eu fique alguns dias.

Em breve não terei mais capacidade física e mental e a velhice irá me afogar, nos meus últimos passos estarei perdendo um xeque mate no asilo, com ira, jogarei o bispo e o rei na cabeça das enfermeiras. E em uma noite de lua cheia, na minha cidade coberta por neve, sentarei na varanda, em minha cadeira de balanço e o frio amenizará a flecha invisível lançada em meu peito e nada mais esperarei, nada mais terei a esperar a não ser um epitáfio bem criativo que nem quero imaginar!
Marianne


Hey, me diga como calar esse demônio que ruge, como consolar esse deus que chora e que residem juntamente em meu peito?

Hey estranho, não passe por mim, não olhe para mim por muito tempo, pois se houver um abismo em seus olhos – eu olharei de volta para eles...

Esse perpétuo ideal me devorando... E ainda estou na dúvida: Por quem foi que me trocaram quando eu estava olhando você? Tenho uma nova certeza: Eu sou aquilo que perdi.

Mas me entenda, quando digo que nunca me vi nem acabei. Sabe, de tanto ser, só tenho alma... E quem tem alma não tem calma!!!! Eu só vejo o mundo como um mal me quer...

Nada tenho mais a declarar nesse instante, nessa soma de passado e futuro e por pensar nisso repito:

"Sou um futuro imaginado em um presente passado."
Marianne
 
Música: Carne


Sejamos o lobo, o lobo do homem,
Nos diz contemporâneo Caetano.
Sejamos o lobo, o lobo do homem,
Nova-iorquino, paulistano... Carioca, Soteropolitano.
Os caducos manuscritos doutrinam: Os índios são antropófagos.
Novos jornais publicam: Os brancos matam a carne indígena.
Nós homens nus, nus na cama, deglutimos a carne humana.
Nós homens nus, nus na cama, deglutimos a carne humana.
Macho ou fêmea... Fêmea ou fêmea,
Macho ou macho..Rico ou pobre.
Deglutimos a carne humana... Deglutimos a carne humana.
A cama nova e velha mesa de jantar.
Pêlos e medos no ar, ao Deus dará.
Carne... Carne... Ossos, meus ódios, ossos.
Pêlos, Selos, zelos, pêlos.
Sejamos o lobo, o lobo do homem... o lobo do homem

***

Bom mestre, compositor, músico, filósofo e sobretudo amigo. Essa música ele tocou para nós, seus alunos de filosofia, no encerramento do semestre passado, uma música que me comoveu muito.

Para ouvi-la segue o site: http://www.nunogeraes.mus.br/
Marianne


Em uma etapa da vida, quando retornamos á nossas memórias, não conseguimos obter os dados vividos tais como foram vividos naqueles conjuntos de instantes, muito alteramos, exageramos tanto na lembrança ruim como nas boas; é parte do homem exagerar, exagerar em si mesmo e no campo externo. Devido a isso não encontramos um passado tal como foi, são apenas árvores fazendo sombra na janela, criando formas imaginativas, que somem da concepção de uma simples árvore. A todo tempo tinha certeza de que via você no presente tal como era, tal como devia ser, mas se estou aqui, se estive lá, única coisa que conheci e tive acesso foi apenas a sua silhueta, e se ainda te visse novamente, ainda seria apenas a sua silhueta que se apresentaria a mim, a silhueta desaparecendo em um terminal cheio de plataformas, ônibus, cheio de rostos estranhos incapazes de cobrir o pouco que eu via de você: a sua silhueta.
Marianne

Nos devaneios vividos a dois, sempre houve a impossibilidade de sentir as coisas vividas de forma igual. Na inútil tentativa de ser o outro, terminamos sem sermos nós mesmos. Quando isso ocorre, surge o desamor, pois os enamorados contemplam um ao outro, não a si mesmos; quando o outro era ele mesmo, na mudança de personalidade e no desespero imanente de prender o objeto amado, acreditando que ser o outro, será eterno o caso, descobre-se que ser o espelho do outro nunca o fará ser seu eterno amante, pois a maioria não é capaz de amar a si mesmo ou uma cópia de si mesmo, em outros casos o espelho é motivo de desespero! – O que muito ocorre é que na idealização o sujeito almeja tornar-se o objeto.

Eis um dos motivos que alimentam a minha solidão: há de existir indivíduos que entendam que a condição humana é ser um ser completo e não uma metade, uma metamorfose de caos onde não se sabe mais definir-se sujeito ou objeto?