Marianne


As pessoas mudam durante a noite, o vampiro da melancolia parece mastigar a carne alegre e beber o quente sangue de quem atrapalha a sua melodia, que puxa como se fosse uma cortina o céu escuro, cheio de migalhas brilhantes, fora do meu alcance.

Que ridículo esse romantismo obscuro da minha escrita...

O que devo fazer agora? Sem saber o que fazer, fazemos qualquer coisa... Então pego a velha caixinha de música, dou corda, e coloco a bailarina para girar, enquanto uma sinfonia de Beethoven toca, infiltrando nesses pensamentos sem nexo.

Isso é tão enjoativo, principalmente por ser um vício infantil que me causa abstinência na maturidade... É noite, não quero ficar em casa!

Coloco o anjo para dormir e chamo o demônio para acordar, pois assim é minha alma, de dia anjo, de noite demônio... Visto qualquer roupa, deixo as unhas afiadas, e ando por ai procurando por mim mesma, deixo meu demônio rugir todas as palavras que o anjo não quis falar durante o dia. Subo em um muro, fumo um cigarro e invejo a própria fumaça que envolve meu coração, saindo pela minha boca como se fosse um beijo mandado e se desfaz na atmosfera silenciosa que esconde o barulho de tantos pensamentos, que me julga e me lembra: eis a minha condição.

Essa vida é louca demais para ser abandonada... Mesmo sabendo que tudo o que se cala, grita de outra forma em nossos corpos.

Já fiquei muito tempo nesse lugar, talvez uma xícara de café sem açúcar para acordar, para lembrar que a vida é pura, mesmo sendo amarga... Num salto desço daqui, procuro um canto para me misturar, está bem assim, não estou caçando uma companhia essa noite, não sinto carência de pessoas, está bom como está, o amor não é para pessoas covardes como eu.

Não é assim que as coisas devem ser, mas é assim que eu quero que seja.

Enfim, seja lá como for... Concluo que “é preciso ter ainda caos dentro de si, para dar luz à uma estrela dançante...”

Não sei aonde me perdi...
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