Marianne

O isolamento está se tornando uma das febres mais forte dessa década, assim como as síndromes emocionais. Ser sociável se tornou uma pressão, algo forçado para a sobrevivência, no mesmo cenário, a falha no dique é a apelação as drogas, lícitas ou ilícitas.

Um comprimido nos deixa sociável por quatro horas, nós sorrimos sem forçar, nós choramos sem vergonha, nós participamos de reuniões com pessoas importantíssimas, sentimos que somos capazes de “conquistar o mundo”, mas e depois? Quando o efeito termina, voltamos a estaca zero, ou menos zero, nós nos encaramos e o que encontramos é o oposto do que gostaríamos de encontrar – nós tais como somos.

A dependência surge... E não digo necessariamente das heroínas, das maconhas, das balas e essas drogas da noite, digo dos “inocentes” comprimidos dados nos divãs das quintas-feiras, começa com diazepan, lexotan, de inicio é um comprimido a noite, depois um de dia, outro a noite, logo dois de dia e três a noite, até surgir o efeito oposto do desejado e nessa alienação nos vemos pulando de marcas de calmante e anti-depressivos como macaco pulando de galho em galho, e a cura? Não há cura, e sabe por quê? Porque desespero não é “algo” orgânico, não é uma pancada no joelho roxa que se alivia e tira com gelol, nem aquela dorzinha de cabeça chata que o dorflex “cura”.

O mundo que você poderia conquistar torna-se um inferno!

Já não somos capazes de encarar o outro nos olhos, andar em multidões é o mesmo que mergulhar no fundo do oceano e não conseguir encontrar o topo para respirar... Mas quem não estuda – não trabalha; quem não trabalha – não come, nem bebe; quem não come e nem bebe – não sobrevive!

Estamos dormindo no berço de uma sociedade que nos manipula como máquinas, trabalhamos para ela, esquecemos de viver e apenas existimos com um relógio no peito esperando a pilha acabar, e o pior, desejamos que essa pilha acabe o quanto antes.

É assim que as coisas são... Como uma criança corre para debaixo do cobertor quando ouve um barulho que lhe causa medo a noite, nós, adultos, corremos para o isolamento, já que na tentativa de sermos tão iguais e cópias fisicamente, acabamos por nos tornarmos tão diferentes intelectualmente, que dialogar com o próximo tornou-se a coisa mais difícil a ser feita, e para isso ser possível tomamos leves alucinógenos que mascara nós mesmos e os outros.
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