Marianne

Sinto como se um fenômeno estivesse acontecendo e a minha percepção está deixando-o passar. Todas aquelas pessoas ali que deixaram seus passos na minha história, angustiavam-se pelo mesmo motivo: o retrato congelado de um ser entre as flores. Talvez seja assim, quando caminhamos, dependendo da profundidade da pegada deixada, fica a saudade de alguém presente, mas com sua alma ausente.

Então é assim, de que vale o corpo se a consciência vai se propagando no ar, como bolhas de sabão das quais não podemos segurar? De que vale a existência? A vida mal conclui de dar uma martelada em nossos dedos e antes que a dor passe, ela volta novamente a descer o martelo... Nunca escapamos. Será que nos adaptamos com a dor?

Os passos se aproximavam como que queria afastar e se afastava como quisesse se aproximar; tão contraditória é a vida humana! Aquele momento de tristeza deveria ser sentido até sua última dose, até as lágrimas cessarem, até ter a certeza que foi possível retirar as mãos depois da martelada que quebrou todos os dedos...

Todo luto é eterno.

O sinos dobram mais uma noite por alguém.
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