Marianne
 
(...)

   Seus pais fizeram isso em nome do amor, embora, talvez a grande maioria nunca o tenha conhecido, não tenha fluído nele. Conhecem posse, ciúmes, poder, domínio, escravidão, mas não amor. Dizem e acreditam que amam a criança, mas o que realmente estão fazendo é injetando conhecimentos cheios de medo, prevenção e insegurança, transmitidos de geração em geração. Pouco a pouco, ensinam a criança a ser outra, a se parecer com as outras, e ela não tem outra alternativa senão fingir; então, começa a agir com hipocrisia. Com o passar dos anos, esse comportamento se transforma em um hábito inconsciente. Algum dia, alguém lhe dirá: “Por que está triste? Por que não sorri mais como antes?”. Que ironia! Se semeia limão, como quer colher laranja?

    A única certeza é que, para satisfazer os outros, a criança aprende a sutil arte da manipulação. Torna-se calculista, fria e rígida, e sua essência, que era amor, começa a se deteriorar, vai adormecendo; o medo começa a reinar em sua vida.
   
   Então, pergunto: que tipo de educação estamos recebendo e dando a nossos filhos? Ensinam-nos que a etiqueta, os “bons modos” e a suposta cultura projetada por meio das máscaras sociais da hipocrisia, que busca poder, aprovação, prestígio e reconhecimento, é o caminho para vencer. Então... onde fica a essência do ser humano?

Obra: Eu te amo mas sou feliz sem você.
Autor: Jaime Jaramillo
Editora: Academia
Tradução: Sandra Martha Dolinsky
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