Marianne
Olha, venha devagar para espionar esses cenários, mas não precisa vir em silêncio, afinal só estamos observando, não fazemos parte da história, não, não, não confunda-se com as personagens por causa das semelhanças de hábito.

Está vendo aquela casa, lá dentro é quentinho, vamos entrar, cheia de sofás, eletrodomésticos, geladeira e armários fartos de alimentos, alguns estão até estragando já, mas vamos mais á frente. Vê aquele quarto? Olha que guarda roupa cheio das melhores roupas, veja que cama macia, olha quantos cobertores, brinquedos, perfumes! Venha mais próximo, abra aquele baú, há bastante remédios não é mesmo? Há um indivíduo sentado na pequena poltrona mais á direita, esse indivíduo está angustiado, veja, veja, ele já corre para o seu baú, pega primeiramente um pouco de Ritalina LA, bebe a água que ele já havia colocado as 40 gotas de escitalopram, porém ainda seu organismo não está satisfeito, veja, agora ele está engolindo duas amitriptilina, um nortriptilina, alguns valium, lexotan e venlafaxina, agora está tudo bem, seu coração parece explodir no peito, mas foi possível fugir da realidade, deixe esse indivíduo deitar em seu leito, olha como ele pensa que está dormindo mesmo com os olhos abertos e suas pupilas dilatadas.

Agora vamos para outro lugar, naquelas casas amontoadas umas nas outras, algumas feitas até mesmo de papelão, latão, qualquer material que proteja do vento frio do inverno. Vamos entrar nesse aqui, parece uma caixa de fósforo, mas cabe 5 pessoas, porém só há uma nesse momento, um outro indivíduo, os olhos dele são bem vermelhos, seu corpo bem magro, ele está com medo de alguma coisa, anda nervoso desde que se mudou para essa comunidade, ele não tem baú, joga todas as coisas do lado de um colchão velho em que dorme com seu irmão; ele amarra seu braço e com uma seringa toda suja aplica algo, depois desenha uma cruz branca no chão e inala com os olhos bem fechados. Bom, não faltou muito para ele ver o teto girar, mas antes que os homens venham cobrar o que ele deve, ele já estará em outra dimensão, não sentirá frio e nem preocupações.

Então meu companheiro, o que há de diferente entre a elite e a plebe? E o que há de semelhança? Os engravatados bebem do mesmo pó posto na água dos que sujam o chinelo! Os engravatados sujam as mãos de sangue da mesma maneira que esses que usam a mesma camisa velha e rasgada. É só outro baile de mascarados... 

No fim do baile, ao tirar as máscaras, todos estarão desesperados tentando fugir de si mesmo. Não há diferença no desespero, apenas diferença na tentativa de matá-lo.



Pensadores | edit post
Notas 
0 Responses

Postar um comentário