Marianne
“A vida é como a chama de uma vela, quando menos esperamos, ela se apaga...”

Nessa simplicidade meu pai me explicava sobre o fim da vida...


Ela está chorando como uma vela
Sua cera desliza por sua face misturando com sua pele
Mas seu corpo ainda é caloroso como o ventre de uma mãe
E ela me abraça como quem tenta abraçar tudo o que sou
Esse ser egoísta que arrasta de mal gosto a própria existência
Ela é santa e diz ver Deus até mesmo no pior dos homens
Mas será que Deus está vendo ela agora?

Eu sei a diferença entre um abraço normal e um abraço de despedida
O abraço de despedida diz ser o último
Os braços do dono do adeus enrolam seu corpo como uma serpente venenosa
E não há volta para esse veneno
Ela me abraçou, um abraço nunca abraçado antes...
Seu perfume tinha o aroma do seu jardim
E eu notei que enquanto aqueles braços estivessem em mim
Ela estaria de alguma maneira prolongando sua própria ida

Que máquinas mais absurdas nos tornamos!
Tudo o que é orgânico tente á estragar
É um pedacinho aqui que paralisa
É um nódulo ali que surge do nada
E como a leve brisa alvoroça a triste chama á derreter mais rápido a vela
Vemos rapidamente a vida ser consumida em si mesma

Me abraça de novo e fica um pouco mais
Sente o mesmo sangue rasgar as nossas veias?
Só isso tem importância... Nosso sangue...
Os outros... Eu gargalho quando penso “os outros”...
Os outros se separam mesmo com uma vida intensa
Os outros não importam com família
Os outros, os outros, os outros... Não me importam mais.
Eu trocaria uma multidão de outros por um tempo mais com a senhora.

Eu não tenho fé, não tenho nada...
Mas sabe aquela vela bendita que a senhora me deu?
Dizendo que seria para iluminar meu caminho?
Eu confesso que faz um mês e só agora a acendi
Na esperança de ver algum milagre...
Na esperança de aumentar a cera da sua vida para que demore mais a se consumir.


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