Marianne
Confesso que não sou muito adepta de ficar na frente de uma televisão ou com a cara atrás de um jornal, pra me manter 100% atualizada. A mídia se tornou o foco de toda sociedade, pois a sociedade em si é foco da mídia, como se fosse um espelho refletindo a imagem da coisa em si. Mas a divulgação dos acontecimentos sempre está na ponta da língua do povo, é inevitável fugir da mídia como é inevitável fugir da sociedade. Não é muito da minha índole comentar um fato, erguer a bandeira, vestir a camisa e sair por ai revolucionando com um pensamento, além do mais, o que refleti sobre isso não é nada novo.

O que me deixou pasma foi a brincadeira das pulseiras de silicone. No meu tempo (frase de velha) essas pulseirinhas eram moda, era em meados do ano de 2004 á 2005, mas não tinha um pingo de intenção atrás disso, e se alguém estourasse uma, saia briga (afinal, pagávamos R$ 0,25 por cada) e não sexo ou estupro.

Ironias a parte. Eu pessoalmente, como planejo ser educadora, professora e mãe, não posso deixar passar como um fato qualquer isso, pois é absurdo ver os adolescentes se submeterem á uma simples tirinha de silicone no braço, a escolha do sim e do não está na consciência, seja com ou sem uma porcaria de pulseira no braço. Então surge a questão e a afirmação, eles têm apenas treze anos, como fazer com que eles tenham a consciência disso? A partir do momento que entende muito bem sobre sexo, pode ter certeza que entendem muito mais do que imaginamos, o problema maior é que tratamos os jovens como se fossem crianças de quatro anos, evitamos dar uma educação mais rigorosa em termos de consciência e responsabilidade, do que ver que atualmente a mente de um jovem funciona como a de um adulto. Até quando vamos fugir para a desculpa de que “é perigoso sobrecarregar o psicológico de uma criança” com uma educação mais firme, achando que isso pode causar frustrações futuras nelas? Poxa, elas já são frustradas, ou uma adolescente de 13 anos estuprada por quatro jovens não é frustração? Se isso não frustra os jovens, eu fico frustrada por eles então!
O ruim é que na adolescência todos caminham onde a “massa” caminha, se a maioria fizer uso de tal acessório, o individuo também começa a fazer uso, ainda mais quando colocam uma intenção atrás do uso. Não que no mundo adulto seja muito diferente, mas a noção de causa e consequência é bem clara. O adolescente busca sempre ser o centro das atenções, penso que ao consumir a pulseira com uma intenção, ainda mais quando essa intenção envolve inúmeros fatores, sendo eles a estética e o sexual, torna-se um meio de “testar” essas atenções, pois o valor nessa idade está no “quão desejado você é”.

Proibir a venda do acessório não é a solução, pois a intenção permanece, os adolescentes são criativos demais, ainda mais quando se diz respeito aquilo tudo que eles aprendem que é proibido. Anula aqui - eles inventam outra ali.

A educação da sociedade atual se dirige tanto ao capitalismo que se esquece de dirigir o indivíduo á consciência de suas ações, é sempre mais fácil por a culpa em algo como um pedaço de plástico, do que assumir que há uma imensa lacuna na educação que deixa passar inúmeros acontecimentos que prejudica o indivíduo, refletindo que, a sociedade é feita pela soma desses indivíduos, então até onde essa sociedade irá caminhar com um bando de indivíduos que pensam pela massa e não por si mesmo? - Isso já nos leva a uma outra reflexão sobre massa e indivíduo.

Nos tempos não tão antigos assim, se alguém chegasse e falasse “quero te comer”, era um desrespeito moral e ético, agora isso virou sinônimo de elogio. Então, como atuar em uma sociedade em que o sexo sem responsabilidade já começa na infância? Ou tornamos nossas crianças conscientes das causas e conseqüências, ou sentamos em nosso sofá, ligamos nossa TV e ficamos assistindo o índice de impudor ao menor aumentando, seja dele mesmo ou de outrem.

Enfim, voltamos ao ditado que nossos pais sempre falavam “as brincadeiras acabam em brigas!”. Mas eu acredito que através da educação é possível diminuir essa lacuna que há na sociedade brasileira e nela própria como já mencionei, e digo sociedade brasileira porque temos que cuidar primeiro do nosso espaço, pra depois querer cuidar do espaço dos outros (dá-lhe Obama!). Logo, logo aparece mais uma “novidade assustadora” em nossos meio de comunicação.


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