Marianne
Pego meus livros e caminho até a rodoviária na companhia de uma das únicas pessoas que eu sei, que estará do meu lado até que a morte nos separe – meu querido pai.

Subo no ônibus, sento no canto da janela, tentando demonstrar uma gentileza de que deixei um espaço vago do meu lado, mas ele permanece vago até o meu destino. Ouço um pouco de “Mogway” enquanto assisto as faixas da estrada passar de pressa, anulando o espaço entre si e se transformando em uma única linha branca. O motorista esquece de parar na minha faculdade, mas estou um pouco fadigada com uma droga farmacêutica, que nem consigo me estressar ou pensar em alguma coisa, apenas sorrio e digo que está tudo bem para o cobrador... Mas não está.

Espero mais uma hora até o próximo ônibus enquanto assisto o vai e vem de várias pessoas, mas nada me vem em mente... Meu ônibus chega, volto pra casa, caminhando devagar, olho no cenário ao meu redor e a única coisa que pergunto: Pra quê tudo isso? E não ouço respostas.

Entro em casa, procuro meus três gatos para conferir se estão vivos, se ninguém os atropelou ou se ninguém deu veneno para eles, vejo que está tudo bem. Guardo minhas coisas, troco de roupa, apago a luz do meu quarto e ligo o ventilador, fico olhando ele girar no teto através da pouca luz que entra pela veneziana da janela e penso: Só foi mais um dia ruim.

Fecho meus olhos e durmo para fugir, não sonho com nada. E mais um dia se foi em uma existência medíocre, apática e rotineira.

Não há nada de novo e eu me sinto apenas um fantasma que vaga e vai morrendo, desaparecendo de pouco em pouco.Gostaria que isso fosse mais rápido...
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