Marianne

Quando vi você pela primeira vez, uma claridade iluminou toda a sala, meus olhos ficaram cegos e eu não entendia bem por que. Sempre te tratei com se fosse um tipo de divindade, você absolvia minhas dores e minhas inseguranças, você acreditou em mim sem conhecer a minha covardia.

Mas agora entre nuvens negras e uma forte chuva que escorre por minha face, cria entre nós um oceano violento que nos separa, descobri que anjos não têm sexo, descobri que anjos podem voar com outros anjos, eu não tenho asas, e isso faz eu reconhecer o quanto odeio a forma que tenho como ser humano, talvez se eu fosse o oposto do que sou, você voaria comigo, acariciaria minhas asas e eu as suas, mas eu não tenho asas que te faz entrar em êxtase...

Você era perfeito demais e mesmo agora, sabendo de toda a verdade, ainda continua sendo.

Entre nós há um abismo, você possui asas para passar por ele e vir até mim, mas não vem. Eu tentei pular esse abismo que nos divide, mas eu cai nele e você não notou.

Sinto raiva dessa pele que me divide de você toda vez que corro atrás de você para ver seu rosto angelical, embora suas ações sejam tão diabólicas. Você se parecia muito com Dorian Gray, e eu me vejo como uma pintora idiota desenhando a sua beleza para te eternizar, para te possuir, ao menos no meu mundo das idéias.

E agora a única coisa que sinto que posso fazer é criar minhas asas de ceras, e voar perto de você - o sol que me ilumina - pois não me importo se minhas asas falsas sejam derretidas pelo seu calor, de qualquer maneira estarei sempre me afogando nesse oceano dos meus olhos.

Se Deus fosse sábio ele criaria somente um sexo, assim não haveria paredes entre as paixões, e nem dois caminhos a seguir.

Eu pude jurar que uma vez você suspirou por mim, mas era apenas uma sombra da realidade...

Eu não pedi para nascer mulher...
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